Cagaço virtual

É raro encontrar cariocas que não sejam supersticiosos. O Rio de Janeiro funde o real e o imaginário como poucas cidades no mundo. Perde para Salvador, é claro.

Sou carioca, mas não me considero supersticioso. Durante a Copa do Mundo, no entanto, o bicho pega. Me cerco de rotinas e comportamentos que tenho certeza que levarão o Brasil à final e ao caneco.

A primeira, e mais importante das tarefas, é usar a mesma camisa da Seleção que visto desde a Copa de 1994. Está lá, velha, com o 6 desbotado (sim, eu gostava do Roberto Carlos), e de um modelo antiquado em coparação aos dryfits de hoje. Mas é nela que eu assisto às partidas, normalmente em pé, e encostado em algum lugar.

Sou um gamer assumido, mas durante a Copa não me atrevo a jogar meu querido Winning Eleven no PlayStation 2 assumindo a Seleção. Não sei, a sensação é de estar controlando algo maior, prevendo o futuro, definindo algo que não poderá ser modificado no campo.

Mas hoje cedo rompi essa rotina. Vesti a amarelinha virtual, o Parreira digital e escalei meu time igualzinho ao que tem jogado. Do outro lado, a França de Zidane, Vieira e de Barthez, meu odiado Barthez. No meu personal Alzirão, silêncio, interrompido apenas pelos FDPs dos pombos que insistem em pousar na minha janela.

Venci a primeira partida, 1 x 0. “Beleza”, pensei. “Melhor de três”.
Na segunda, dancei: 0 x 3. Na terceira, dancei: 0 x 1. Raciocínio rápido: “Melhor de cinco”.
Na quarta, me vinguei: 1 x 0.

E não continuei. Medrei. Cagaço virtual.

Comments are closed.


Terms of use | Privacy Policy | Content: Creative Commons | Site and Design © 2009 | Metroblogging ® and Metblogs ® are registered trademarks of Bode Media, Inc.