Ao contrário

A Copa do Mundo interrompe guerras. Os Estados Unidos ainda não sabem disso, a Fifa lamenta, mas seria impossível um atentado num país que hospeda a competição.

No Brasil, é diferente. A Copa paralisa 180 milhões de pessoas, uma nação. Não há outro evento que mobilize o país, nem os fundamentais, como uma eleição presidencial. Se formos às quesões básicas, como ética, dignidade, igualdade, liberdade, solidariedade, a questão é ainda mais delicada. Chamo o Rio de Janeiro para dizer – não, afirmar – que há pouco espaço para atuar e cobrar esses itens na nossa cesta básica e comunitária.

Durante a Copa é diferente. Pedimos coragem, motivação, superação, excelência.

A Copa do Mundo me estimula a achar que ainda há espaço para isso durante a rotina nacional. Quando ouço os hinos nacionais cantados por milhares em coro em um estádio ou em casa, ou as ruas decoradas com o patriótico verde e amarelo, acho que podemos usar um evento esportivo para mais. Para lembrar e afirmar nas que o Brasil pode ser melhor.

O que vi hoje foi o contrário, mas partido dos atores do espetáculo. Pessoas de sucesso em suas atividades, donos de milhões, de capas de revistas, de outdoors. Bastava vestir a amarelinha e defender a nação, como haviam feito britânicos e portugueses horas antes, que por vários motivos enfrentam problemas internos mais brandos que os nossos.

Cinco copas, uma nação. Cinco continentes e a atenção estava voltada para o gramado, para duas grandes seleções, com históricos brilhantes. Atletas que passaram por temporadas cansativas em seus clubes, muitos jogando juntos. Que tiveram o mesmo tempo para treinar, para se preparar.

Faltou solidariedade, união, empolgação, mobilização, coragem, excelência. Onze espectadores, como os 180 milhões.

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