Sobre exposições, bolas e democracia

Obrigada, Fernando Paiva, já estava aposentando a idéia deste post. Quem ainda agüenta futebol? Mas da recente implosão de exposições, mostras e instalações sobre o mundo encantado do futebol pela cidade, vale citar a que repousa sem badalação no Centro Cultural Telemar, no “Nível 5”. Sinônimo hi-tech para quinto andar. Em uma das salas, algumas das cenas mais emocionantes do futebol estão editadas, em um pequeno vídeo de 8 ou 10 minutos. O autor da obra, num lampejo reacionário e delirante, apagou a bola. Sem a hipnose que a protagonista provoca, o olho fica livre para observar o que se passa além dos passes, recuos, faltas. O gol sem bola. Sensacional. Onze patetas de cada lado, correndo para cá, para lá, quicando ombros e retorcendo sobre os próprios corpos. De vez em quando, um com o cabelo mais penteado e bigodinho à Hitler levanta um dos braços. “Arte é futebol sem bola”, entrega, na bandeja, o título da mostra. As crianças deitam nos pufes brancos e resistem por uns 30, 40 segundos, até concluírem que não é um erro da transmissão. A mãezinha insiste: “É para as pessoas entenderem que o mais importante é a bola…”, ao que um pequeno Kaká, mesmo corte de cabelo, retruca: “Mas isso eu já sei!”.

O Centro Cultural Telemar, Rua Dois de Dezembro, 63, no Flamengo, é das melhores contribuições espaciais à arte na cidade. Ambiente u-hu, música contemporânea e sensações idem. Pena não executar a democratização digital a que se propõe: uma hora de internet, num dos laptops à disposição nas mesinhas do café ou nos pufes coloridos custa, ai, R$ 6.

2 Comments so far

  1. Fernando paiva (unregistered) on July 7th, 2006 @ 1:08 pm

    Vi essa mesma obra no Paço Imperial uns meses atrás, mas era uma versão menor. Tinha apenas um gol do Pelé e outro do Maradona, ambos sem bola, claro. Achei simplesmente genial! :)


  2. Diogo Sinhoroto (unregistered) on July 7th, 2006 @ 2:10 pm

    Eu vi esse vídeo. Fiquei imaginando um ET ou um norte-americano estadunidense vendo essa instalação. “Esse é o jogo mais popular do Brasil. Aliás, esse é o esporte mais popular do mundo”, o guia turísitico diria ao et/gringo.

    Adoraria ver a cara de circustância da pessoa, pasma, sem entender nadica-de-nada daquelas pessoas correndo pra lá e pra cá, sem entender o que as faz simultaneamente mudar de direção.

    É pra isso que serve esse vídeo. Pra passar nos Estados Unidos e a gente filmar as reações. My, oh my!



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