Cine Cisne
Embalado pelo post do Marcelo ali embaixo, gostaria de registrar os meus respeitos ao Cine Cisne, o famoso Poeirinha, na Freguesia, em Jacarepaguá, que foi demolido no final dos anos 90 pra dar passagem à Linha Amarela.
Na época ele era o único cinema do bairro, resistindo bravamente à Barra da Tijuca ali perto, que começava a ensaiar o conceito de multiplex em terras cariocas. E ainda conservava o cortinão vermelho de quatro metros de altura de outros tempos (separando a sala de exibição do hall) e - creiam - uma escarradeira. Repito: isso em meados dos anos 90!
O bilheteiro, o pipoqueiro e o lanterninha eram a mesma pessoa: o velhinho calado do Cine Cisne. Você chegava lá e ele te vendia o ingresso (na verdade um tíquete de caixa registradora de padaria), passava pra trás do balcão de doces e negociava contigo o Mentex, e depois ia moralizar o escuro da sala quando a sessão começava.
A tela era ruim, o som idem e as cópias que chegavam lá já estavam pedindo arrego, mas o Cisne tinha uma grande vantagem: cê pagava pra ver um filme, tipo R$ 5 hoje em dia, e podia ficar o dia inteiro lá dentro, se a sessão seguinte não lotasse (uma moleza: nunca vi mais de 30 pessoas numa sala onde cabiam umas 300), literalmente emendando um filme no outro. Me lembro de uma tarde de sábado em que eu vi “Pulp Fiction”, depois “O Máskara” e depois “Pulp Fiction” de novo. Em outras tantas, entrava pra ver qualquer merda, nem que fosse pra aproveitar o ar-condicionado. E isso sem fila, sem estresse e de Havaianas.
O progresso atropelou o Poeirinha, os cinemas de hoje têm som a jato e pipoca de raio leiseu, está cada vez mais fácil ter em casa um home teather honesto, mas eu (que nem me prendo assim a saudosisimos: acho que a vida é bola pra frente mesmo) sou obrigado a confessar: pra mim ir ao cinema nunca mais foi tão divertido como nas tardes de sábado no Poeirinha.
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Nunca mais terei a sensação de ir ao Imperator, ao Paratodos e ao America. Lamento por isso.
Mas o Cinemark tem sua graça. É algo mais pragmático e menos romântico (conforto da cadeira, som arrebatador, essas coisas).
Cada época com seu charme, enfim.
Rapaz, o Cisne fez história. E a Sorvetex, ilustre pizzaria que ficava ao lado dele? Ô, quantas vezes saí do Cisne para comer pizza ou tomar aquela Coca Cola de máquina e sem gás.
O bom do Cisne, já no seu fim, foram as sessões duplas. Tipo Máskara e Pulp Fiction, do post, tipo um “Crocodilo Dundee algum número” e “Sexta-Feira 13 número maior ainda” que eu vi depois.
Adoro o som dos cinemas novos, acho a imagem bacaníssima, me divirto. Mas era o bicho ir ao cinema de tarde, no meio de semana, depois da escola, e ainda voltar caminhando para casa, de Havaianas ou de Samoa, onde o pé ficava numa boa.