uma paráfrase

O Rio de Janeiro é uma cidade de coisas que passam despercebidas. É uma cidade que tem famílias de cotias à beira da avenida mais movimentadado Centro, no Campo de Santana, crianças vivendo em tubulações subterrâneas, em Ipanema, quatro serpentes que se esgueiram com a língua para fora em contra-luz, no Lampadário da Lapa, e uma senhorinha que todos os dias fuma um cigarro na janela, na mesma hora, em seu apartamento na Rua Alice. E milhares de formigas que rastejam em cima do Cristo. Passam sobre suas mãos espalmadas, copulam sobre sua cabeça. As formigas provavelmente foram levadas para lá pelo vento ou pelos pássaros, mas ninguém sabe ao certo; ninguém no Rio sabe mais sobre as formigas do que sobre o sósia de Bob Marley que toca violão na entrada do metrô Largo do Machado, ou sobre o homem de terno que vende amendoim na Perimetral, ou sobre o Cacique Cobra Coral, entidade contratada pela prefeitura para saber se vai chover em dia de grandes espetáculos.

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Ontem, relendo Fama e Anonimato, de Gay Talese, resolvi trocar os “New York” do primeiro parágrafo (adoro primeiros parágrafos de livros) por “Rio de Janeiro”, fazendo, claro, as devidas adaptações. E não é que as cidades são realmente parecidas?

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