Cidade de Pedro

Licença, licença, licença. Me ensinaram que o bacana é pedir três vezes, pé-de-pato-mangalô – então peço e estou chegando. I was also told that I must write about the city I live in (the city of angels) and places around it, então estréio falando do lugar onde nasci. Petrópolis, cidade imperial.

Petrópolis fica na região serrana do Rio, a cerca de cinqüenta minutos (de carro) ou uma hora e meia (de ônibus) da capital do estado. Lugar agradável, arborizado, com casinhas de colonos alemães, padarias de imigrantes portugueses, cantinas italianas, meninas e meninos de bochechas rosadas no inverno e muita bebedeira. Nada comparável, claro, à embriaguez da Cidade Maravilhosa – Petrópolis, juro!, é muito pior. Dizem que o clima frio retém a urina, né? Vai saber.

A cidade foi originalmente idealizada por D. Pedro II, que, maravilhado com o imenso quintal recebido de herança de seu pai, teve impulsos grandiosos e decidiu erguer a arquitetura que mais tarde seria o maior atrativo de Petrópolis: o Museu Imperial. Se você ainda não foi, vá – conferir os restos reais da nossa história é uma oportunidade única, ainda por cima vestido com aconchegantes pantufinhas quentes.

Deixando os idos de 1845 (mas nem tanto, convenhamos), um bom programa para as crianças em Petrópolis é andar de charrete na Praça da Liberdade. Eu, naturalmente, nunca gostei muito. Morria de pena dos bodinhos cansados e dos moleques que carregavam a gente pro passeio em volta do chafariz.

Sei também de uma atividade revolucionária da burguesia petropolitana nos tempos de ditadura: colocar um penico cor-de-rosa em cima do monumental obelisco da Rua do Imperador. Freudiano, não? Pois é, essa é a cidade onde nasci a primeira vez. Nasci de novo em Itaboraí, Vendas das Pedras, lugarzinho adorável onde faz um frio da caçamba (não sei se pode falar cac*#%), para lá da Baixada Fluminense. Mas isso é papo pra chope, e bem de frente pro mar.

4 Comments so far

  1. Nuno Virgílio (unregistered) on July 18th, 2006 @ 4:58 pm

    Maíra, você não está só no exílio: sou carioca, mas dos sete aos 17 anos morei em Teresópolis, de modos que posso referendar sua mui precisa observação: na serra neguinho enche muito mais a lata (e etcéteras e tais) que aqui no Rio. É a mistura de frio e falta do que fazer, estimulando o consumo de outras misturas.

    E Teresópolis também tinha sua praça de bodinhos, no Alto. Gostava dela. Gostava tanto que meu pai comprou um daqueles jumentos velhos que carregavam crianças e moscas. Já foi lá pra casa batizado: o nome dele era Marquinhos.


  2. LP (unregistered) on July 18th, 2006 @ 6:22 pm

    Petrópolis dos caramelos Patroni! éééééé!!! dos chocolates Patroni! Petrópolis do porre de vinho em caneca no D’Ângelo! éééééé!!! do porre de vinho em caneca no D’Ângelo! Das brigas de turmas entre os cariocas que iam prá lá e os Petropolitanos que odiavam os cariocas que iam pra lá! éééééé!!! Das brigas! éééééé!!! Petrópolis dos chocolates Katz! Putz! dos chocolates Katz! Petrópolis da verdadeira cerveja Bohêmia! éééééé!!! da verdadeira Bohêmia! Toda a minha infância e adolescência passada em férias neste território entre Itaipava e Petrópolis! éééééé!!! Passada entre Itaipava e Petrópolis!


  3. maíra (unregistered) on July 18th, 2006 @ 6:42 pm

    a teresópolis só fui uma vezinha. é mais frio lá, né? tem feira no alto.

    ah, os chocolates katz… ah, os caramelos patroni! arrancam todas as obturações dos dentes, mas tapam todos os buracos da alma. :)


  4. Fernando Paiva (unregistered) on July 19th, 2006 @ 3:24 pm

    Adorei o protesto dos penicos! Algumas estátuas cariocas mereciam algo semelhante!

    Beijos pra ti, Maíra!



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