Pequenas alegrias que a cultura digital me proporciona

Na estação das barcas, mas do ladilá, Nikiti City. Eu cansado, de volta pro Rio depois do fim de semana em Maricá e depois da primeira das três baldeações que tinha que encarar para chegar em casa. Mas o cansaço não afetou meus sentidos. Eu realmente vi aquilo. Juro.

À história:

Dezenas (milhares? milhões?) de camelôs de CDs, DVDs, cada um com seu sonzinho estourado exibindo suas mercadorias. Sei lá por que parei o olhar num. O cara vendia CDs e DVDs. As caixas de som esgoelavam “Dona Gigi”. A 14 polegadas no passava “A noiva-cadáver”, no “mute”.

E – aí o barato – estava sincronizado!!!!

“Eu sou a Dona Gigi” – parecia que era a frase saía da boca da noiva-cadáver. “Esse aqui é o meu esposo” – cortava pro “noivo”. Os outros cortes seguiam o ritmo do batidão.

Tal e qual o Pink Floyd com “O mágico de Oz”, Os Caçadores teriam feito uma sinfonia de significados esotéricos sobre o filme de Tim Burton?

Teria a obra se revelado digitalmente por acaso para um camelô de Niterói?

Seria eu um profeta?

Estaria o futuro da Baía de Guanabara entregue à maneira como eu interpretaria aqueles sinais?

Cheguei em casa, dormi até segunda-feira. E segunda, vocês sabem, é o dia mundial do pragmatismo cínico. Não há na história humana registros de epifanias numa segunda.

Enfim: qualquer dia alugo um DVD de “A noiva-cadáver” e tento reproduzir o milagre em casa.

2 Comments so far

  1. (unregistered) on July 25th, 2006 @ 7:41 pm

    Eu vi este mesmo vídeo, ouvindo este mesmo som, em frente ao mesmo camelô. E juro que pensei que o tal comerciante estava exibindo uma colagem de animações editada para passar junto com a música. Não só Noiva Cadáver, mas outras também.


  2. Nuno Virgílio (unregistered) on July 25th, 2006 @ 10:46 pm

    Dá um tempo na birita, profeta…



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