Pequenas alegrias que a cultura digital me proporciona
Na estação das barcas, mas do ladilá, Nikiti City. Eu cansado, de volta pro Rio depois do fim de semana em Maricá e depois da primeira das três baldeações que tinha que encarar para chegar em casa. Mas o cansaço não afetou meus sentidos. Eu realmente vi aquilo. Juro.
À história:
Dezenas (milhares? milhões?) de camelôs de CDs, DVDs, cada um com seu sonzinho estourado exibindo suas mercadorias. Sei lá por que parei o olhar num. O cara vendia CDs e DVDs. As caixas de som esgoelavam “Dona Gigi”. A 14 polegadas no passava “A noiva-cadáver”, no “mute”.
E - aí o barato - estava sincronizado!!!!
“Eu sou a Dona Gigi” - parecia que era a frase saía da boca da noiva-cadáver. “Esse aqui é o meu esposo” - cortava pro “noivo”. Os outros cortes seguiam o ritmo do batidão.
Tal e qual o Pink Floyd com “O mágico de Oz”, Os Caçadores teriam feito uma sinfonia de significados esotéricos sobre o filme de Tim Burton?
Teria a obra se revelado digitalmente por acaso para um camelô de Niterói?
Seria eu um profeta?
Estaria o futuro da Baía de Guanabara entregue à maneira como eu interpretaria aqueles sinais?
Cheguei em casa, dormi até segunda-feira. E segunda, vocês sabem, é o dia mundial do pragmatismo cínico. Não há na história humana registros de epifanias numa segunda.
Enfim: qualquer dia alugo um DVD de “A noiva-cadáver” e tento reproduzir o milagre em casa.
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Eu vi este mesmo vídeo, ouvindo este mesmo som, em frente ao mesmo camelô. E juro que pensei que o tal comerciante estava exibindo uma colagem de animações editada para passar junto com a música. Não só Noiva Cadáver, mas outras também.
Dá um tempo na birita, profeta…