Archive for August, 2006

Não é permitido?

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Ali no Leme, tem um lugar bem triste.
Até entendo.
Mas acho triste, sabe?

Micos que alguns cariocas passam – I

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Eu acho mico ser resgatado na praia.

Mas entre mico e morrer………

Menor de idade no RJ não pode ter tatuagem

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O prefeito do Rio, Cesar Maia, botou na rua uma lei que proíbe os menores de idade de fazerem tatuagens e/ou piercings. Mesmo se papai autorizar por escrito. Mesmo se mamãe for junto. Projeto de lei do vereador Jairo Souza Santos Filho (PSC), que usa na política o nome artístico de “Dr. Jairinho”. Parte da opinião pública já está chiando por intermédio da imprensa. A OAB já se posicionou a respeito. Tentam provar por A+B que trata-se de uma medida inconstitucional. Fica o dito pelo não dito e enquanto isso Cesar Maia justica a decisão dizendo ser grave o problema dos “pontos clandestinos” onde jovens faziam seus piercings e tatuagens sem “as devidas condições de segurança e higiene”. Por enquanto ainda não foi cogitada a possiblidade de fiscalização e regulamentação eficientes no que diz respeito a estes serviços e estabelecimentos, enquanto possível solução e opção a esta lei surreal. Seguindo o mesmo raciocício, se a população começar a comprar pão em padarias não-regulamentadas e/ou que não estejam em dia com seus impostos, Mr. Cesar vai proibir o consumo do mesmo.

Concertos eletrônicos

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Rolou neste final de semana em Niterói (cidade vizinha ao Rio, do outro lado da Baía da Guanabara) uma enorme festa de música eletrônica, chamada “e-Concert”. Aconteceu ao ar livre, num lugar chamado “Happyland”, situado nas proximidades da estrada Niterói-Manilha. Como há alguns anos é de praxe para este tipo de evento, uma multidão de jovens cariocas e niteroienses compareceu. No som, atrações nacionais e (principalmente) estrangeiras de electrohouse, progressive e sobretudo psy-trance. Nomes como (os brasileiros) Wrecked Machines, os israelenses (e são muitos os israelenses!) Yahel, Shanti e Hujaboy; e nomes menos estelares como o ótimo TrenteMoller, que ainda é pouco conhecido aqui no Brasil. Como já comentei em outro post, no Rio de Janeiro o psy-trance não é coisa de hippie: é coisa de jovem de classe média e média-alta, em suas mais diversas formas de existência. Jovens que não lêem (nem livro, nem revista, nem internet), mas que vêem bastante televisão e adoram se divertir. Atualmente têm nas raves o principal ponto de encontro – quantitativamente falando – para expandirem suas redes de contatos/amizades baseadas em interesses em comum, exibirem os corpos trabalhados em academias, ingerir bebidas alcóolicas e drogas para de alguma maneira intensificar a diversão e claro, tentar incursões rumo ao sexo oposto (ou não).

Clique aqui para ver fotos da fauna e da flora que estiveram presentes.

A máquina que vende luz

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Estação Uruguaiana do Metrô. Um real, o jorro de luz.

A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
(…)
Chico Buarque

adj.

beibe
eu sou um blues nacional
cheio de exagero
e corações roubados
marginal nos 70’s
equivocado nos 80’s
insensível, burro
e raso como as preocupações do Posto 9
que não se chega de saudade
e dolorido de tristeza
mas original e animado
como toda jovem guarda em si.

março de 84

Chacina é a maior diversão

Na sexta passada fui ver Miami Vice no Botafogo Praia Shopping. Eu não gosto de filmes de ação com tiros e explosões megalomaníacas, mas fui porque era um programa entre amigos e eu estava lá mais pelos amigos do que por qualquer filme que fôssemos assistir.

O filme? É bobão e chato, e cheio de clichês esfarrapados, desde a dupla de tiras formada por um preto e um branco com personalidades diferentes até o policial que se apaixona pela bandida.

Em uma missão para combater o tráfico de drogas que alimenta o vício de Tio Sam através da patética América Latina – pra variar, corrupta, exótica e selvagem, na versão de Oliudi – Sucker and Fucker explodem a porra toda e matam geral, para delírio da platéia. E foi exatamente isso que me chamou mais a atenção: o delírio da platéia.

Vivemos numa cidade violenta, onde se morre até de bala perdida, de tanto tiroteio que tem por aí. Era de se imaginar duas coisas: ou que a maioria da população abominasse a violência e todas as suas manifestações ou que a maioria da população fosse viciada em violência e vivêssemos em eterna temporada de caça, num Velho Oeste – só pra saudar os roteiristas da América Selvagem com um clichê desses que eles usam com a gente.

Mas não: no Rio as pessoas saem numa sexta à noite, gastam um bom dinheiro com ingresso, pipoca e estacionamento para aplaudir cabeças explodindo com tiros na testa (literalmente: a platéia batia palmas) e depois saem do cinema e colam o adesivo do movimento Basta! no vidro de trás do Corsa Sedan, como eu gritei a meia voz, tímido pelo fato de estar atrapalhando a diversão alheia depois de ter entrado no filme errado.

Alguém aí duvida que depois do filme, acesas as luzes, o Bernardo deu um abraço na namorada, pagou o estacionamento e fechou os vidros do carro assim que cruzou a cancela automática com medo de assalto?

Alguém duvida que o doutor Marco Aurélio foi comentando no carro com a Marina, a filha do primeiro casamento, as cenas de explosão, as mentiras absurdas do roteiro e tal, antes de deixar a garota no apartamento da ex-mulher e temer pelo fato de que na noite de sábado a menina não voltasse pra casa depois que o carro de um amiguinho abraçasse um poste a 180 quilômetros por hora na Avenida das Américas, a velocidade média dos carros cheios de testosterona de Miami Vice?

Detesto me sentir moralista – acho que as pessoas têm o direito de consumir tudo e só então formar juízo por conta própria, desde que não violem a liberdade alheia – e talvez eu esteja sendo moralista em diversos desses meus argumentos, mas não consigo deixar de ver um enorme paradoxo no fato de a gente se divertir na sexta-feira à noite com a violência que abominamos ao abrir o jornal de sábado. “Me entretenho com os meus demônios…” Acho isso estranho.

Essa é um relação impossível pra mim, por isso parei de ver “filmes de explosão” que só têm a intenção de despertar os meus, os seus, os nossos piores instintos. Acho cinema um discurso de possibilidades muito libertadoras para tolerar a idéia de que Lumière simplesmente inventou o novo Coliseu.

Flanando pelas ruas da cidade

Trecho do livro A alma encantadora das ruas de João do Rio

A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues todos os lugares-comuns. Foi ela que fez a majestade dos rifões, dos brocardos, dos anexins, e foi também ela que batizou o imortal Calino. Sem o consentimento da rua não passam os sábios, e os charlatães, que a lisonjeiam lhe resumem a banalidade, são da primeira ocasião desfeitos e soprados como bolas de sabão. A rua é a eterna imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios, para ela como para as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há o despertar triste, quando o sol desponta e ela abre os olhos esquecida das próprias ações, é, no encanto da vida renovada, no chilrear do passaredo, no embalo nostálgico dos pregões – tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos…
(more…)

Dez curiosidades fundamentais sobre as salas de cinemas cariocas (e nem tão cariocas assim)

Paço Imperial – Sabe os Arcos da Lapa? O Arco do Teles? A sala de cinema do Paço Imperial tem um mini-arco do lado de dentro. Muito simpático arquitetonicamente, mas nada funcional. A dica á chegar meia hora antes para evitar os assentos de onde o filme é cortado não por uma elipse estética, mas por uma elipse grega, mesmo.

Estação Botafogo – Não todo, mas especificamente a sala 3. Evite. É a pior sala de cinema da cidade. E não pelos exíguos 62 lugares. São três interferências visuais: a primeira é um aviso “Não fume” em neon verde, embaixo da tela. Ali, uma continuação da legenda. Lê-se a frase “O Senhor dos Anéis é gay, sabia?” (quem não viu Transamérica perdeu a brilhante teoria) e, na seqüência, o “Não fume”. Você está quase a ponto de um orgasmo visual com o George Cloney em preto-e-branco e é interrompida pelo “Não fume” ou vê o Clark Kent pedir a Lois Lane que apague o cigarro três vezes durante Superman e brilha o “Não fume”… (e quando sai da sala, um cartaz anuncia: Obrigado por fumar!!!). Não bastasse, ainda existem outras duas: a decoração em volta da tela, com placas brancas imitando um negativo (que original!) e, claro, outros três “Não fume” nas paredes ao lado.

3. Arteplex – Não importa qual seja o filme, vá ao que estiver na sala 6. Nada importa quando se tem som THX. Principalmente se a última vez que você viu um filme foi no Cine Arte UFF.

4. Cine Arte UFF – Ah. Lá você provavelmente verá filmes antológicos, que perdidos no cinema ou fora de cartaz há uns 80 anos. Seleção formidável. E um som … A mocinha já fechou a boca e continua a gritar. Ou começa a gritar e ainda não abriu a boca. Puxa! Você lembrou de passar repelente nas canelas, lembrou que não precisa de casaco porque o ar-condicionado vive com defeito, mas não lembrou que o áudio tem delay… E que é preciso um mínimo de 3 pessoas para que a sessão comece. Se você pensa que vai assistir ao documentário tupiniquim Os carvoeiros sozinho na sala, sem barulhinho de pipoca ou beijinhos estalados, esqueça. Tire mais quatro reais do bolso e pague a entrada de dois mendigos que estiverem pela Praia de Icaraí. Ou nada de filme.

5. Bingo Tijuca – Observação in memorian. Foi o que virou o ex-Metro Tijuca, na Praça Saens Peña, das melhores salas de cinema que já existiram na cidade. Dois mil lugares, à Metro Goldwin Meyer (MGM), com rugido de leão e tudo. Com sala de espera. Com fumódromo. Com lustre parisiense. E hoje, reduto de lavagem de dinheiro.

6. Cinemark Itaipu. O único dos Cinemark que não é escadinha. E o único que denuncia os casais de namorados. As poltronas (que levantam os braços) são azuis, espalhadas entre as normais, vermelhas. Ou seja: sentou na azul, não quer ver filme!!! Tão melhor o esqueminha discreto, poltronas de namorados só nas últimas fileiras…

7. Odeon. (suspiro de introdução) A única sala que trata o filme tal qual um espetáculo. Três sinais para avisar o espectador de que é hora de desligar o celular. Bem mais charmoso do que o trailer esgüelado dos gatinhos do Ticketmaster. A única sala com a proporção exata para qualquer padrão de filme. Seja americano, mais quadradinho (feito para posterior venda para as emissoras de televisão) ou europeu e asiático (mais 4×3, achatadinho, cinemascope, ulalá). Uma sala democrática. Linda. Limpa. Mezanino. Musiquinha antes, para inserir o
clima, luzes apagando em seqüência, e não abruptamente… O cinema como uma instalação! (suspiro de encerramento).

8. Maison de France – Très chic. Mas é bom levar um travesseirinho de avião, uma jaqueta ou alguma coisa que se torne apoio para a cabeça. As poltronas são lindas, macias, mas só até o pescoço. A
cabeceira é de madeira. O espectador tem duas opções: ou vê o filme em 90 graus, sem recostar, ou, na falta de um namorado, ganha um torcicolo.

9. Ilha Auto-Cine – O Rio ainda tem um drive in! De verdade! Com caixinha de som para pendurar na janela do carro! E muitas, muitas árvores, para quem quiser ver o filme, assim, digamos, reservadamente! Na Ilha do Governador.

10. Laura Alvim. Asmáticos, alérgicos e afins, levem as bombinha. O papel de parede nao é verde. É mofo, mesmo. O tom musgo que escorre pelas paredes da pequena sala de Ipanema transporta
o espectador para o pântano de Dagoba System, onde Luke Skywalker encontra mestre Yoda.

Ás de Agosto

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