Não é permitido?
Ali no Leme, tem um lugar bem triste.
Até entendo.
Mas acho triste, sabe?
Ali no Leme, tem um lugar bem triste.
Até entendo.
Mas acho triste, sabe?
Eu acho mico ser resgatado na praia.
Mas entre mico e morrer………

O prefeito do Rio, Cesar Maia, botou na rua uma lei que proíbe os menores de idade de fazerem tatuagens e/ou piercings. Mesmo se papai autorizar por escrito. Mesmo se mamãe for junto. Projeto de lei do vereador Jairo Souza Santos Filho (PSC), que usa na política o nome artístico de “Dr. Jairinho”. Parte da opinião pública já está chiando por intermédio da imprensa. A OAB já se posicionou a respeito. Tentam provar por A+B que trata-se de uma medida inconstitucional. Fica o dito pelo não dito e enquanto isso Cesar Maia justica a decisão dizendo ser grave o problema dos “pontos clandestinos” onde jovens faziam seus piercings e tatuagens sem “as devidas condições de segurança e higiene”. Por enquanto ainda não foi cogitada a possiblidade de fiscalização e regulamentação eficientes no que diz respeito a estes serviços e estabelecimentos, enquanto possível solução e opção a esta lei surreal. Seguindo o mesmo raciocício, se a população começar a comprar pão em padarias não-regulamentadas e/ou que não estejam em dia com seus impostos, Mr. Cesar vai proibir o consumo do mesmo.
Rolou neste final de semana em Niterói (cidade vizinha ao Rio, do outro lado da Baía da Guanabara) uma enorme festa de música eletrônica, chamada “e-Concert”. Aconteceu ao ar livre, num lugar chamado “Happyland”, situado nas proximidades da estrada Niterói-Manilha. Como há alguns anos é de praxe para este tipo de evento, uma multidão de jovens cariocas e niteroienses compareceu. No som, atrações nacionais e (principalmente) estrangeiras de electrohouse, progressive e sobretudo psy-trance. Nomes como (os brasileiros) Wrecked Machines, os israelenses (e são muitos os israelenses!) Yahel, Shanti e Hujaboy; e nomes menos estelares como o ótimo TrenteMoller, que ainda é pouco conhecido aqui no Brasil. Como já comentei em outro post, no Rio de Janeiro o psy-trance não é coisa de hippie: é coisa de jovem de classe média e média-alta, em suas mais diversas formas de existência. Jovens que não lêem (nem livro, nem revista, nem internet), mas que vêem bastante televisão e adoram se divertir. Atualmente têm nas raves o principal ponto de encontro - quantitativamente falando - para expandirem suas redes de contatos/amizades baseadas em interesses em comum, exibirem os corpos trabalhados em academias, ingerir bebidas alcóolicas e drogas para de alguma maneira intensificar a diversão e claro, tentar incursões rumo ao sexo oposto (ou não).
Clique aqui para ver fotos da fauna e da flora que estiveram presentes.

Estação Uruguaiana do Metrô. Um real, o jorro de luz.
A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz
(…)
Chico Buarque
beibe
eu sou um blues nacional
cheio de exagero
e corações roubados
marginal nos 70’s
equivocado nos 80’s
insensível, burro
e raso como as preocupações do Posto 9
que não se chega de saudade
e dolorido de tristeza
mas original e animado
como toda jovem guarda em si.
março de 84
Na sexta passada fui ver Miami Vice no Botafogo Praia Shopping. Eu não gosto de filmes de ação com tiros e explosões megalomaníacas, mas fui porque era um programa entre amigos e eu estava lá mais pelos amigos do que por qualquer filme que fôssemos assistir.
O filme? É bobão e chato, e cheio de clichês esfarrapados, desde a dupla de tiras formada por um preto e um branco com personalidades diferentes até o policial que se apaixona pela bandida.
Em uma missão para combater o tráfico de drogas que alimenta o vício de Tio Sam através da patética América Latina - pra variar, corrupta, exótica e selvagem, na versão de Oliudi - Sucker and Fucker explodem a porra toda e matam geral, para delírio da platéia. E foi exatamente isso que me chamou mais a atenção: o delírio da platéia.
Vivemos numa cidade violenta, onde se morre até de bala perdida, de tanto tiroteio que tem por aí. Era de se imaginar duas coisas: ou que a maioria da população abominasse a violência e todas as suas manifestações ou que a maioria da população fosse viciada em violência e vivêssemos em eterna temporada de caça, num Velho Oeste - só pra saudar os roteiristas da América Selvagem com um clichê desses que eles usam com a gente.
Mas não: no Rio as pessoas saem numa sexta à noite, gastam um bom dinheiro com ingresso, pipoca e estacionamento para aplaudir cabeças explodindo com tiros na testa (literalmente: a platéia batia palmas) e depois saem do cinema e colam o adesivo do movimento Basta! no vidro de trás do Corsa Sedan, como eu gritei a meia voz, tímido pelo fato de estar atrapalhando a diversão alheia depois de ter entrado no filme errado.
Alguém aí duvida que depois do filme, acesas as luzes, o Bernardo deu um abraço na namorada, pagou o estacionamento e fechou os vidros do carro assim que cruzou a cancela automática com medo de assalto?
Alguém duvida que o doutor Marco Aurélio foi comentando no carro com a Marina, a filha do primeiro casamento, as cenas de explosão, as mentiras absurdas do roteiro e tal, antes de deixar a garota no apartamento da ex-mulher e temer pelo fato de que na noite de sábado a menina não voltasse pra casa depois que o carro de um amiguinho abraçasse um poste a 180 quilômetros por hora na Avenida das Américas, a velocidade média dos carros cheios de testosterona de Miami Vice?
Detesto me sentir moralista - acho que as pessoas têm o direito de consumir tudo e só então formar juízo por conta própria, desde que não violem a liberdade alheia - e talvez eu esteja sendo moralista em diversos desses meus argumentos, mas não consigo deixar de ver um enorme paradoxo no fato de a gente se divertir na sexta-feira à noite com a violência que abominamos ao abrir o jornal de sábado. “Me entretenho com os meus demônios…” Acho isso estranho.
Essa é um relação impossível pra mim, por isso parei de ver “filmes de explosão” que só têm a intenção de despertar os meus, os seus, os nossos piores instintos. Acho cinema um discurso de possibilidades muito libertadoras para tolerar a idéia de que Lumière simplesmente inventou o novo Coliseu.
Trecho do livro A alma encantadora das ruas de João do Rio
A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopéia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas. A rua criou todas as blagues todos os lugares-comuns. Foi ela que fez a majestade dos rifões, dos brocardos, dos anexins, e foi também ela que batizou o imortal Calino. Sem o consentimento da rua não passam os sábios, e os charlatães, que a lisonjeiam lhe resumem a banalidade, são da primeira ocasião desfeitos e soprados como bolas de sabão. A rua é a eterna imagem da ingenuidade. Comete crimes, desvaria à noite, treme com a febre dos delírios, para ela como para as crianças a aurora é sempre formosa, para ela não há o despertar triste, quando o sol desponta e ela abre os olhos esquecida das próprias ações, é, no encanto da vida renovada, no chilrear do passaredo, no embalo nostálgico dos pregões - tão modesta, tão lavada, tão risonha, que parece papaguear com o céu e com os anjos…
(more…)
Paço Imperial - Sabe os Arcos da Lapa? O Arco do Teles? A sala de cinema do Paço Imperial tem um mini-arco do lado de dentro. Muito simpático arquitetonicamente, mas nada funcional. A dica á chegar meia hora antes para evitar os assentos de onde o filme é cortado não por uma elipse estética, mas por uma elipse grega, mesmo.
Estação Botafogo - Não todo, mas especificamente a sala 3. Evite. É a pior sala de cinema da cidade. E não pelos exíguos 62 lugares. São três interferências visuais: a primeira é um aviso “Não fume” em neon verde, embaixo da tela. Ali, uma continuação da legenda. Lê-se a frase “O Senhor dos Anéis é gay, sabia?” (quem não viu Transamérica perdeu a brilhante teoria) e, na seqüência, o “Não fume”. Você está quase a ponto de um orgasmo visual com o George Cloney em preto-e-branco e é interrompida pelo “Não fume” ou vê o Clark Kent pedir a Lois Lane que apague o cigarro três vezes durante Superman e brilha o “Não fume”… (e quando sai da sala, um cartaz anuncia: Obrigado por fumar!!!). Não bastasse, ainda existem outras duas: a decoração em volta da tela, com placas brancas imitando um negativo (que original!) e, claro, outros três “Não fume” nas paredes ao lado.
3. Arteplex - Não importa qual seja o filme, vá ao que estiver na sala 6. Nada importa quando se tem som THX. Principalmente se a última vez que você viu um filme foi no Cine Arte UFF.
4. Cine Arte UFF - Ah. Lá você provavelmente verá filmes antológicos, que perdidos no cinema ou fora de cartaz há uns 80 anos. Seleção formidável. E um som … A mocinha já fechou a boca e continua a gritar. Ou começa a gritar e ainda não abriu a boca. Puxa! Você lembrou de passar repelente nas canelas, lembrou que não precisa de casaco porque o ar-condicionado vive com defeito, mas não lembrou que o áudio tem delay… E que é preciso um mínimo de 3 pessoas para que a sessão comece. Se você pensa que vai assistir ao documentário tupiniquim Os carvoeiros sozinho na sala, sem barulhinho de pipoca ou beijinhos estalados, esqueça. Tire mais quatro reais do bolso e pague a entrada de dois mendigos que estiverem pela Praia de Icaraí. Ou nada de filme.
5. Bingo Tijuca - Observação in memorian. Foi o que virou o ex-Metro Tijuca, na Praça Saens Peña, das melhores salas de cinema que já existiram na cidade. Dois mil lugares, à Metro Goldwin Meyer (MGM), com rugido de leão e tudo. Com sala de espera. Com fumódromo. Com lustre parisiense. E hoje, reduto de lavagem de dinheiro.
6. Cinemark Itaipu. O único dos Cinemark que não é escadinha. E o único que denuncia os casais de namorados. As poltronas (que levantam os braços) são azuis, espalhadas entre as normais, vermelhas. Ou seja: sentou na azul, não quer ver filme!!! Tão melhor o esqueminha discreto, poltronas de namorados só nas últimas fileiras…
7. Odeon. (suspiro de introdução) A única sala que trata o filme tal qual um espetáculo. Três sinais para avisar o espectador de que é hora de desligar o celular. Bem mais charmoso do que o trailer esgüelado dos gatinhos do Ticketmaster. A única sala com a proporção exata para qualquer padrão de filme. Seja americano, mais quadradinho (feito para posterior venda para as emissoras de televisão) ou europeu e asiático (mais 4×3, achatadinho, cinemascope, ulalá). Uma sala democrática. Linda. Limpa. Mezanino. Musiquinha antes, para inserir o
clima, luzes apagando em seqüência, e não abruptamente… O cinema como uma instalação! (suspiro de encerramento).
8. Maison de France - Très chic. Mas é bom levar um travesseirinho de avião, uma jaqueta ou alguma coisa que se torne apoio para a cabeça. As poltronas são lindas, macias, mas só até o pescoço. A
cabeceira é de madeira. O espectador tem duas opções: ou vê o filme em 90 graus, sem recostar, ou, na falta de um namorado, ganha um torcicolo.
9. Ilha Auto-Cine - O Rio ainda tem um drive in! De verdade! Com caixinha de som para pendurar na janela do carro! E muitas, muitas árvores, para quem quiser ver o filme, assim, digamos, reservadamente! Na Ilha do Governador.
10. Laura Alvim. Asmáticos, alérgicos e afins, levem as bombinha. O papel de parede nao é verde. É mofo, mesmo. O tom musgo que escorre pelas paredes da pequena sala de Ipanema transporta
o espectador para o pântano de Dagoba System, onde Luke Skywalker encontra mestre Yoda.