Favelário

Sempre fiquei curiosa sobre os nomes das favelas cariocas. Eles têm ritmo para o funk (Mangueira- Pedreira- Mineira, Salgueiro- Cruzeiro- Baixa do Sapateiro), referências de auto-ajuda (Cidade de Deus, Babilônia, Morro dos Prazeres) e sempre há um inédito. A proliferação é tão rápida que toda semana descubro um novo. Ah, você mora na Maré? Não, Nova Maré. Mas fica na Maré? Mais ou menos. Antes do João, passa a Gaza (Faixa de Gaza), depois da Jurubeba. Ah bom… Depois de uma pesquisa no favelário, elaborei um pequeno dicionário afetivo.

SALSA E MERENGUE – Quem se lembra da novelinha das sete do Miguel Falabella? Pois é, tava na moda, tem um quê latino, pegou.

KINDER OVO – Precisa explicar?

BOREL – O nome Borel é uma referência a uma antiga marca de cigarros da Souza Cruz, cuja fábrica funcionava no mesmo morro onde hoje existe a favela. O desenho que vinha estampado nos maços do Borel, um pavão, virou depois símbolo da Unidos da Tijuca, uma das escolas de samba mais tradicionais do bairro.

CHAPÉU MANGUEIRA – Nos anos 40, quando o terreno da favela ainda era todo coberto de mato, foi colocada na subida do morro uma placa que dizia: “Breve neste local, Fábrica de Chapéus Mangueira”. A fábrica nunca foi construída, mas a placa ficou no local durante muitos anos, dando origem ao nome.

ASA BRANCA – Durante a primeira edição do Rock in Rio, em 1985, um ambulante paraibano colocou um cartaz numa barraquinha de comida típica do Nordeste, próximo à saída dos shows: “Asa Branca”. No final do evento, ele foi embora, mas deixou a placa lá pendurada. Seis meses depois, o terreno vazio, aquele matinho nas margens do Canal Pavuninha, convidativo… veio o primeiro barraco, o segundo, e a plaqueta batizou a nova comunidade.

FINAL FELIZ – Antes de se chamar Final Feliz, a favela foi batizada com o simpático nome de Morro do Chifrudo, no final dos anos 60. Segundo os moradores mais antigos, o nome surgiu a partir de uma história de adultério coletivo. Na época, algumas mulheres da comunidade aproveitavam que seus maridos saíam cedo para trabalhar e convidavam homens de fora da favela para aproveitar as tardes de verão em seus barracos. Mas a fofoca logo se espalhou. Os maridos traídos não fizeram por menos e decidiram se vingar aplicando surras homéricas nas esposas em plena rua principal. Este local ficou conhecido como Rua do Pau Rolou. Já a troca para Final Feliz ocorreu no momento em que as moçoilas foram expulsas da comunidade.

9 Comments so far

  1. Marcelo (unregistered) on August 12th, 2006 @ 1:35 am

    muito bom! Queremos mais!


  2. Nuno Virgílio (unregistered) on August 12th, 2006 @ 12:10 pm

    Sensacional, Mariana.


  3. maíra (unregistered) on August 12th, 2006 @ 9:53 pm

    MARAVILHOSO! tem mais?


  4. Werner (unregistered) on August 13th, 2006 @ 6:47 am

    Very nice site. I was visiting Rio in 1998 I think. So it’s really time to come over again.


  5. Cesar Cardoso (unregistered) on August 13th, 2006 @ 6:50 pm

    Sensacional! Trabalho arqueológico-afetivo de primeira. Dá-lhe Mariana!


  6. Gleidson (unregistered) on August 14th, 2006 @ 11:40 am

    Show!!! Muito bom mesmo!!!!


  7. Diogo Sinhoroto (unregistered) on August 14th, 2006 @ 1:00 pm

    huahuahauhauha…
    excelente! só fico me perguntando o porquê de nomes como Favela do Boogie Woogie (putz! tem que ter alguma explicação!), Morro do Dendê (ê, baianaaaa), e tantos outros.
    quero mais também!


  8. Nuno Virgílio (unregistered) on August 14th, 2006 @ 3:36 pm

    Nas minhas ficções científicas, sempre penso numa favela de imigrantes orientais chamada MORRO DO BRUCE LEE. Tem funk-homenagem e tudo.


  9. JP (unregistered) on August 23rd, 2006 @ 4:04 pm

    muito boa a idéia, procure mais e lance um livro
    !



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