Hipódromo da Gávea faz 80 anos

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Esse gigantesco lacre de latinha de refrigerante enfiado na paisagem da foto aí em cima é o Hipódromo da Gávea, na Zona Sul do Rio. Fundado como Hipódromo Brasileiro em julho de 1926, é nele que são disputadas as provas de turfe aqui no Rio e o Grande Prêmio Brasil, o maior e mais importante do país.

Durante um período, o Jockey (como também é conhecido) foi palco de grandes shows. Me lembro de pelo menos um deles que ficou famoso, o da Legião Urbana, em 1992, e que acabou virando CD. De uns tempos pra cá, além das corridas de cavalo, é claro, o Jockey passou a sediar a Babilônia Feira Hype, com espaços dedicados a moda, gastronomia e decoração (a próxima edição é nos dias 26 e 27 de agosto), e, pelo menos até o ano passado, o Vivo Open Air – não sei dizer se o evento está programado para 2006. Lá também tem uma boate que de vez em quando sai nos jornais por ser a arena preferida de filhinhos de papai que saem à noite para brigar.

Não sei jogar em cavalos. Dizem que o melhor é não saber, porque a gente acaba gostando e se ferra. Mas minhas leituras do Bukowski me fizeram admirar esse ambiente e as metáforas sobre a vida que ele inspira. Não freqüento o Hipódromo, meu contato com apostadores de cavalo se resume a passar na porta dessas lojas do Jockey Club Brasileiro onde as corridas são assistidas pela TV. Mas elas merecem um post à parte, nem que seja para homenagear (à distância no espaço e no tempo) o velho Bukowski, o velho Hank, o velho safado.

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Toda vez que subo até as Paineiras e vejo o Hipódromo, penso que no futuro ele vai virar um grande condomínio. Um grupo de poderosos vai conseguir a anulação do tombamento e transformar a área (um oásis de espaço na cada vez mais espremida Zona Sul) num condomínio exclusivíssimo, com acesso direto à Lagoa e um serviço de lanchas que, pelo Jardim de Alah, vão levar seus privilegiados moradores até o trabalho, no Centro, sem o estresse do tráfego cada mais paulistano que inferniza a vida de muitos cariocas.

Fotos: RIOTUR

3 Comments so far

  1. Nix (unregistered) on August 17th, 2006 @ 5:10 pm

    Vira condomínio não. Vira shopping. :P
    Mas bate na madeira Nuno.
    Ano passado rolou Primavera dos Livros por lá, onde tive o prazer de jogar em diversos cavalinhos enquanto cobria o evento para o Globo Online (simultâneamente, claro).
    É curioso o lance. A gente tem de marcar qualquer dia desses de perder dinheiro por lá. Ainda quero fazer um piquenique nas arquibancadas.


  2. Cid Andrade (unregistered) on August 17th, 2006 @ 7:57 pm

    O que é o fim da picada é o fato de ser tombado – ou seja, zero de imposto – e não ser um lugar aberto ao público.. O maior latifundio da cidade do Rio! Tinha que ser um parque, adoraria fazer um piquenique no canteiro central.. (por onde passa um rio!).. :-)


  3. letícia (unregistered) on August 18th, 2006 @ 1:02 am

    só fui lá p/ o vivo open air e a tal da feira hype.
    queria eu, um dia, pegar o chapéu verde da minha vó régia, colocar um vestido bonito e ir lá dar pinta em meio aos cavalos.

    mas aí, acho que não vira condomínio não. nem shopping.



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