Eu sou do Rio?
Eu na praia. Com meus metros de perna e metros de braço. O homem que vende brincos coloridos, porém feios, e que adornam 9 entre 10 orelhas cariocas, pára na minha frente, e como se eu fosse doente mental ou gringa, ele fala alto e pau-sa-da-men-te: “BRIN-COS? PUL-SEI-RAS?” Respondo: “Não.” Ele insiste. Só falta falar “Samba, Pelé, Ronaldinho?”. Falo em bom tom, e até reforço meu sotaque carioca: “Aí bicho, não tô a fim de comprar nada não, valeu?”. Ele se espanta e me pergunta: “Ahhh, você é brasileira?”
A cena descrita foi uma das trocentas que já aconteceu comigo ao longo dessa vida. Italiana, espanhola, francesa ou israelense. Já me disseram de tudo. Mas brasileira? Me falta bundão, morenice e samba no pé. Estava até mais acostumada, quando deu pra acontecer com mais freqüência uma situação que não tem me alegrado: eu não tenho cara de carioca. E as pessoas têm me avisado isso. Na minha fase “sou colorida e o mundo não”, diziam muito que eu era paulista, o quê infantilmente me constrangia. De uns tempos pra cá, virei gaúcha e nem me informaram. E não estou exagerando. É papo de entrar no salão e só falar uma frase: “Tem manicure livre?” E pá: “Você é gaúcha?” Oh, céus! Quando passei um mês em Recife, acho que os pernambucanos ficaram decepcionados com a gazela carioca que aportou por lá e não sabia sambar juntinho. E questionavam: “Tu não é capixaba não, galegona?” Já no Espírito Santo, recentemente me perguntaram se eu era paulista. “Porque você se veste muito louca, mas é massa!” Pffff. O que me falta? A calça da Gang? Brincos de argola dourados? Piercing no umbigo? Nhé. Em Brasília e em Alto Paraíso, novamente eu era “do sul”. “Você é do sul? Você fala tanto ‘tu’.” E os gringos e gringas que conheço na vida, comentam da minha cara “cosmopolita” e nada brasileira. Uh lá lá.
Não tenho cara de ser do país onde nasci, não tenho cara de ser da cidade onde nasci. O que falta, meu Deus? Nasci de cesárea, e meu astrólogo comentou sobre como isso pode ter me causado uma eterna sensação de ser penetra nesse mundo. Tenho sentido essa sensação mais forte. I’m a stranger in this town/I’m a stranger in this town. Mas não rola a tal lenda que os penetras se divertem mais? Ou é só título de filme americano ruim? Tenho me divertido. Mas gostaria, algum dia, de me utilizar da tal famosa marra carioca ao chegar em qualquer outro lugar do Brasil, e pedir “Uma cervejinha aqui, mermão. Doixsss copoxsss”, e perceber um garçom tímido e desajeitado, ficar encantado somente por perceber que tem uma carioca na frente dele.


Faz mal não filha… pensa só no montão de brasileiro mundo afora sem querer ser reconhecido - nesses tempos de terrorismo e de Jean-Charles-da-vida… ups, da-morte - pedindo até pelo amor de Deus pra num ser confundido!!!
Letícia
vc, como mulher politizada e eu sei (ou presinto)que é ( ou seja ) tem de nos ajudar a lidar com essa nova ameça mundial:
O TERRORISMO LÉSBICO
As ‘primitivas’ não param de sacanear as lésbicas-ALFA!!! Primeiro elas explodiram a THE LESBUS ( a sauna lésbica das ALFA), depois… bem é melhor parar po aí, afinal de contas não é todo dia que o Brasil vê um atentado terrorista a uma sauna lésbica?!?
P.S> ‘Primitivas’ são aquelas que acreditam em amor antes do casamento, isso mesmo q vc leu… em sofrimento sem nunca (ou pouco) ter gozado… em compromisso com a primeira que aparecer acenando uma “promessa de felicidade-vã” !!! As ALFA são… bem, vc conhece ou é amiga de algum VIADO??? Eles se parecem entre guardadas devidas distãncias ou fronteiras intelecto-psico-sociais!!!
P.S.2> Se gostou, divulga…
Beijaum
Fica cum raivinha não, mas tô te citando (levemente) !!!
BEIJAUM
hein?
WTF???
bem… eu branquelo que sou, nem por brasileiro de outra cidade me passo, só por gringo mesmo. Você pelo menos ainda continua brasileira em algumas situações! rs
…pois pra mim tú é a carioca mais esssperta que conheço.