Minha primeira vez no Buraco da Lacraia foi divertida que só. Era a única menina da rapaziada. Meus amigos heterossexuais não levaram as namoradas (não entendi bem o porquê). A entrada custa R$16 e bebe-se quanto quiser por essa quantia. Cerveja a baldes. Rola também uma caipirinha suspeita. Arrisquei pedir uma. A tímida garçonete enfiou uma concha dentro de um isopor (juro!), e voilà: minha caipirinha pronta, dentro de um copo, me olhando. Mas vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir. O Buraco só abre às sextas-feiras, sábados e vésperas de feriados. Uma vez por mês tem show. No dia em que eu fui, não teve. Uma pena. Mas teve sorteio de blusas do estabelecimento. Ganhei uma. Uma simpática drag queen me deu. Rosana, Rita Cadilac e Gretchen são algumas “divas” que já passaram por lá. Mas o lance do Buraco é, sem dúvida, o videokê. Da segunda vez que fui, com amigos mais corajosos que os heteros, dei um verdadeiro show. Por 1 real, você canta uma música, em cima de um palco ótimo, e seus amigos e os desconhecidos, ficam lá embaixo, cantando junto. Algazarra perde. Já cantei “Killing me softly” pra lá de Bagdá. As bichas ficaram loucas comigo (e eu com elas), e um deles até me pagou para cantar “What a feeling”, do filme “Flashdance”. Como recusar? Vamos lá, tudo bem… O público é muito variado. Grupo de amigas heterossexuais rindo muito alto, meninos heterossexuais num canto rindo um pouco mais baixo, homens gays rindo alto, homens gays rindo baixo, alguns travestis, lésbicas animadas dançando e rindo alto, lésbicas fazendo carão e rindo baixo. É, todo mundo sorri por lá. Miscelânia maravilhosa pra quem não tem preconceito. No segundo andar rola o “dark room”. Precisei de 2 segundos para entender que realmente os garçons lá em cima usam sunga enfiada na bunda. O segundo andar é mais voltado para a “pegação”. Não entendo essa coisa de o ambiente mais “escuro” ser feito para a “pegação”. As pessoas não gostam de ver quem estão beijando? Fora isso, a música no segundo andar deixa um pouco a desejar. Me senti numa discoteca ruim em 1997: “This is the rythm of the night… oh night… oh yeah… the rythm….” Tucum Tucum Tucum Tucum. O negócio mesmo é ficar lá embaixo, bebendo de 5 em 5 minutos (cerveja!!!! esqueçam a caipirinha), cantando músicas surreais (o videokê deles tem cada pérola), fazendo amizade com estranhos, que não são mais estranhos que você, e fazer teorias ruins e baratas com os amigos, sobre o ser humano. Ou não.

Toda malandragem dando um olhadão na minha retaguarda. A foto é do Buraco. Da lacraia.
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