Archive for September, 2006

Silvia 20 horas Domingo

Chove-se e frita-se agora no subúrbio. O sol salienta, um cheiro forte de areia chuviscada agrava o abafamento que sinto com o calor, e a água que estala a telha que nem pedra desce pelo cano da calha pra inundar os peixes na vala do quintal. Pintou um arco-íris de fora a fora, troço que eu nunca vi mais rente sair do calcanhar do morro e morrer nas costas das casas desse lado da rua. Parece pintura daquelas que minha avó comprava na feira, que quando não era de natureza morta de fruta em cima da mesa, era barquinho ou paisagem com arco-íris. Sempre desgostei, ousadia eram quadros espelhados com risco de cisne e lago e purpurina vendidos pelos nordestinos de porta em porta. Preço barato, mas o esquema de pagamento era sempre carnê, carnê, carnê, mania de previdência desses nordestinos. Minha avó, desconfiada, jogava o olho de lado com medo de tomar uma volta. Mas foi assim a vida inteira para compor a decoração da casa, desde os quadros até cortinas bordadas a mão, panelas e brinquedos artesanais.

Hoje é domingo, muito primo e muita tia da cozinha pra sala, uma gente que chega de mais longe pro almoço querendo saber quem vai casar, quem comeu a mulher de quem, quem presta concurso pro governo, quem subiu na vida, quem engravidou, quem adoeceu, quem tá preso. Aparecem com desculpa de visita e se deixar ficam até segunda-feira. Trazem bolos embrulhados num bololô de saco com pano de prato, uns remédios milagrosos socados dentro de garrafa de cerveja e lembrancinhas como caixinhas de música, estojo de maquiagem e badulaques de plástico colorido podendo eu ter a idade que tiver. Uma criatividade aliada à falta de noção de quem nunca conseguiu agradar. Só bola fora. E conta causo aqui, mostra foto ali, “Esse aqui é o filho de não sei quem”, “Mas como tá grande!”. Depois do almoço o comboio se esparrama pela copa pra “esticá os ósso” e preenchem a tarde de frases como “Mas como o tempo passa, né?”, “Estamos ficando velhos”, “Essas crianças tomaram chá de bambu? Uns mininão forte, esticado”. No final do dia, todo mundo se levanta pra tomar o café da tarde e seguir o caminho da roça. Claro que alguém sempre “Desculpa por essa visita de médico, a gente volta com mais calma no domingo que vem”. Domingo que vem de novo não, sai, suplício, filhos da peste, se percam no caminho.
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Por dentro de uma super orquestra de choro

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Imagine ouvir clássicos do Pixinguinha e de outros compositores de choro interpretados simultaneamente por quase 200 instrumentistas ao ar livre. É isso que a Escola Portátil de Música promove todos os sábados , às 12h30, no campus da Uni-Rio na Praia Vermelha, com entrada franca. Só de cavaquinhos são uns vinte, como se pode ver na foto acima. Violonistas eu contei uns cinquenta. E há os trompetistas, os trombonistas, os percussionistas, os flautistas…. Cada bloco de instrumentos tem seu regente próprio. E todos tocam a mesma partitura. É tanta gente em um espaço tão grande que não dá para ouvir bem todos ao mesmo tempo. É preciso caminhar por entre os músicos e se deliciar cada vez com alguns instrumentos diferentes. Ou seja, é como se o espectador fosse um engenheiro de som mixando a música em tempo real para seu próprio deleite.

The book is on the table

Babies

The capital of Brasil is Brasília. Not Rio de Janeiro, even though it’s a gorgeous city. Not Buenos Aires either. Brasília. Ok?

In Rio, as well in the whole country, we speak portuguese. Not spanish. Right?

And last but not least, our women are really beautiful, but they’re not for sale nor for rent. At least not all of them.

That’s all I can say for now.

Welcome, enjoy our city, good luck and good night.

Cheers.

The intellectual love brotherhood

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Los Hermanos, from Rio de Janeiro, is nowadays one of the most popular brazilian rock bands. They´ve spent something like 4 years in Rio´s underground indie rock scene, working hard and doing very good music; then one day have suddenly reached the national charts, due the most radiophonic pop song from their first album. Los Hermanos then became the rock group that – despite all industry´s mousetraps – has got to keep their music ideals untouched, developing the original concept of the first album in the next two ones. They also became a cultural phenomena, with a massive legion of fans who are so fans, but so fans, that sometimes looks like a sect. At Los Hermanos concert, the vocalist doesn´t sing: is the crowd who sings every song, every word, looking each other with abetter smiles and tears in the eyes. The fan basis is very active in the net, trought online forums and fotologs; and the major fan communities identifies theirselves in concerts using coded color bracelets, wich makes possible to differentiate real fans from the masses.

Los Hermanos is formed by 4 nice guys, sons of the intellectual/financial Rio de Janeiro´s elite. Despite the golden cradow and the playboy way of living; the four have always been low profile, both in dressing and in attitude. So is their Rio fan basis: midlle and high class youth, who belive they´ve achieved a new state of understanding of life, love, things and existence – misunderstood spirits of light in this materialist and violent world.

Today I did listen their 4th album, called 4, the transition between the rock past and the brave new brazilian popular music oriented path they´re trying. Lyrics are ultra romantic, all of them talk about love. The vocal isn´t always boring like band haters like to say: sometimes his blasé suffering matches very well the very good instrumental; and talking about brazilian popular music, their lyrics – altought the brazilian music clichés and archetypes – are much better than what old (yet) “gods” like Caetano Veloso or Gilberto Gil are doing nowadays. Los Hermanos are an island of intellectual love in this materialist and violent world wich is Rio´s South Zone.

No sex, no city

Fosfobox, Copacabana, 02:02.

O cristo redentor me paquera. Ele me quer. Ele dança se aproximando lentamente. Faz uns passos esquisitos. Eu danço dando uns passos de afastamento. De fato, ele está de braços abertos pra mim. Mas só vejo suas marcas de suor no suvaco. Agora há pouco ele fez um movimento que pingou suor em mim.

It’s like a jungle sometimes
It makes me wonder how I keep from going under

Cristo falou comigo. Eu estava pegando uma água, e ele me ofereceu uma vodka. Um pecado. Não costumo ouvir o que as pessoas falam quando estou dançando, ainda mais quando são estranhos, mas creio ter ouvido o Cristo Redentor me perguntando meu nome. E eu sorri. Meu nome era esse. Um sorriso. A cabeça do Cristo Redentor me seguia. Na pista, no banheiro, no bar. Jesus me amava. De longe, por imposição minha, mas me amava. Me zelava. Me mandava boas vibrações.

Falei: “Posso bater uma foto do teu Cristo?”
Bati.

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Depois de algumas horas ele foi embora, disse: “Fica com Deus.”
Pausa.
Voltou e completou: “Fica comigo”

Concluí então que ele era bastante megalomaníaco e mandei um “Que o diabo te carregue”.

Jesus died for somebody’s sins but not mine …

Um beijo para a Patti Smith, meu Jesus particular.

O Baralho do Mensalão

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Só saiu aos 45 do segundo tempo, mas essa campanha eleitoral sem graça já tem algo para ficar na história: pareceu no começo desta semana nos camelôs do Centro o Baralho do Mensalão, onde “cada carta é um ladrão!”, como anuncia o vendedor. Estão todos lá: Marcos Valério, José Dirceu, Duda Mendonça, Roberto Jefferson, Delúbio Soares, Severino Cavalcanti e outros culpados, suspeitos ou envolvidos no mar de lama do Mensalão e esquemas afins que fizeram a festa dos jornais no último ano. O presidente Lula, candidato ao segundo mandato praticamente eleito, segundo todas as pesquisas, abre o baralho: ele um ás de paus. Acabei de comprar o meu por R$ 5 (com o troco, pensei em comprar um deputado).

Além das fotos dos “homenageados”, há um pequeno texto explicando a participação deles nos escândalos. Cada biografia pior que a outra. Vou falar com o Nix, que cria e adapta jogos, para elaborar um Supertrunfo inspirado nas cartinhas:

– Toninho Barcelona: capacidade de lavar dinheiro: 70!!
– Ah, se ferrou: o meu é o Marcos Valério!! SUPERTRUNFOOOO!!!!

(Detalhe: os dois coringas são O Povo – ilustrado com uma imagem aérea de um protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília – e o Próximo Presidente, acompanhado por um apelo pelo voto consciente. Nas regras impressas na caixa, o alerta: “Não vale roubar! Siga as regras do jogo, ou a próxima carta do jogo pode ser você…”)

Rio, a capital da estética

“Ó minha unha francesinha preta. Comigo tem essa de ir em salão, não. Faço na obra, virando massa”

Ouvido hoje da boca de um sujeito de uns 1m60 num trem lotado (mas refrigerado) em alguns ponto entre Méier e Central.

Teletubbies

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Love Is A Burning Thing
And It Makes A Firery Ring
Bound By Wild Desire
I Fell Into A Ring Of Fire

Ring of Fire (Johnny Cash)

A policia de Park County identificou como Duane Morrison, 54 anos, o atirador que fez reféns seis estudantes — do sexo feminino — no Platte Canyon High School, Colorado. Duane disparou contra a polícia antes de atirar em uma refém e se matar. Ele era um sem teto e morava em seu carro, nos arredores de Denver, Colorado.

Os policiais informaram que Morrison agrediu sexualmente algumas das reféns e que carregava uma mochila, onde afirmava haver uma bomba, mas de fato ela continha apenas (?!) vários brinquedinhos sexuais.

É mais uma tragédia envolvendo uma escola do Colorado. Ali também ocorreu o terrível episódio de 1999, na Columbine High School, condado de Jefferson, onde 13 estudantes foram mortos por dois adolescentes armados de fuzis e pistolas.

Duas coisas chamam a atenção neste caso. Primeiramente a velha tara destes franco-atiradores caipiras dos EUA. Depois, a bizarra sofisticação de um homeless, carregando acessórios sexuais em sua mochila…

Os brasileiros — e os cariocas em especial — lêem estas notícias com uma curiosidade quase terna, quase condescendente. Estes bandidos parecem até Teletubbies perto dos nossos Beira-Mar e Elias Maluco.

Agora mesmo o Ministério da Justiça divulgou dados da criminalidade nacional, de 2004 e 2005, mostrando que o estado do Rio de Janeiro tem o maior registro de crimes letais intencionais do Brasil. As taxas apontam para 61 por 100 mil habitantes. Em São Paulo são 19 por 100 mil habitantes. Duque de Caxias tem 121 homicídios por 100 mil habitantes. Estes índices colocam os municípios do estado em paridade com as chamadas zonas de guerra de outros países, como Iraque e Líbano. Tá de bom tamanho, não é?

Foto AP

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Não sei se é a primavera
Não sei se foi o sol de hoje
Só sei que todo mundo te olha
quando você sai de azul

Todo O mundo.

Não sei se tenho tantos sorrisos reservas
Só sei que saí de azul
E mesmo com os olhares
Me senti muito, muito blue

Narinha

queria tomar um café
com bananas
em companhia da gioconda
dos subúrbios

lhindonésia

minha parafernália
a minha pilantralha
a minha tropilantra

dia amarelo de verão
céu azul
e meu amor vermelho
por lhindonésia

não vou chateá-la
falando do barquinho
de Ipanema
ou de cinema
novo

morena rosa, boca-de-ouro
mulher amada
maria ninguém
cheirando a abacaxi

encostada ao pau-brasil
me convida para ouvi-la
desafinar uma canção
sobre a tardinha.

Para Nara Leão e Bia Bonduki

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