O best do Brazil is the brasileiro

Brasileiro adora um nome em inglês. Loja metida a chique não faz liquidação, faz sale. Em vez de 50% de desconto, dá 50% off. Mesmo em lugares não necessariamente turísticos, mesmo em centros comerciais onde um gringo jamais colocaria os pés. E mesmo as lojas de Copacabana, Ipanema e Leblon; três exemplos de bairros turísticos de nossa cidade, não precisam fazer uso do inglês – qualquer ser dotado de cerebelo demora 3 minutos para descobrir (ou perguntar a alguém) o que significam aqueles dizeres garrafais em vermelho, “lee-kwi-tha-sawn”… Da mesma maneira que qualquer mulher passeando pela Itália não demora nem meio minuto para sacar o que significa “soldos”.
Por conta disso e de mais algumas coisas, a “Barra Eye Clinic” sempre foi para mim o símbolo de toda essa cafonice anglicista, o ícone dessa mania pequena, brega e provinciana que o brasileiro tem de achar tudo o que é (ou ao menos parece) estrangeiro melhor do que o que é feito aqui por nós mesmos. No caso desta clínica, além do ridículo do conjunto da obra, chega a ser constrangedor percebermos que em nenhum país de língua inglesa – nenhum! – as clínicas oftalmológicas são chamadas desta forma. (…) Pois a partir de hoje a Barra Eye Clinic perdeu seu posto, e alguns paradigmas mudaram: na verdade o problema não é exatamente com o inglês, e sim com essa vontade de praticamente todo brasileiro de um dia se tornar estrangeiro em seu próprio país, sendo e se sentindo melhor do que essa escória brasileira que lota nossas cidades. Já ouviram falar da Península da Barra, um terrenão gigante que era de um chinês, e que agora é um mega empreendimento imobiliário, com condomínios de luxo sendo construídos numa área que deveria ser uma zona de proteção ambiental? Quinze edifícios numa ilha no meio do esgoto, para que se dê o tiro de misericórdia no trânsito da Barra? Pois então, quem passou hoje pelo Fashion Mall viu o outdoor anunciando que um dos condomínios desta área paradisíaca vai se chamar “ÎLE DE LA PENINSULA”… Chiquérrimo, não? Os novos ricos vão adorar, lá poderão ser franceses enquanto querem mais é que essa negralhada pobre morra de fome ou se mate nas favelas. Os ricos antigos vão dar risada, vão fazer chacota e piadinhas com expressões em inglês e francês, enquanto querem mais é que esses novos ricos e essa negralhada pobre morram de fome ou se matem na Barra e nas favelas…

6 Comments so far

  1. Nuno Virgílio (unregistered) on September 8th, 2006 @ 1:04 pm

    Great!


  2. Cesar Cardoso (unregistered) on September 8th, 2006 @ 2:38 pm

    Fantastic! Sensacional!


  3. maíra (unregistered) on September 8th, 2006 @ 3:11 pm

    caaaaaaaaaara!!! vcs não vão acreditar. demorei séculos pra entender o nome do condomínio!! estava colocando o circunflexo no “e” em vez de no “i” e adivinhem: dava ilÊ de la peninsula. ilê = casa em yorubá, língua nagô! ai, ai… não tem jeito, minh’alma é mesmo da negralhada pobre. tsc… :P


  4. LP (unregistered) on September 8th, 2006 @ 6:01 pm

    A Barra da Tijuca é, neste aspecto, a campeã mundial absoluta da macaquice de imitação. Tudo ali está em inglês. Qualquer birosca tem delivery e toda lojinha vende discontinued models. A Estátua da Liberdade anã do New York City Center é grotesca. Tudo é Tower, Flat, Mall, Hall. Valet Parking eu acho o fim da picada. Porque essa merda? E não é um questão apenas das imobiliárias. Tudo está em inglês. Quando a França saiu da moda por aqui – depois da II guerra – adotamos o dialeto dos vencedores. Não tem nada em alemão, repararam? Nem tem lingua de pobre. Não se vê por aqui El Gran Cochabamba Comerciale de Barra. A parada é imitar tá por cima. Daqui a cem anos vai estar tudo em chinês, pode apostar.


  5. Cesar Cardoso (unregistered) on September 8th, 2006 @ 6:48 pm

    Mas a Barra é um fake desde o princípio! Não é uma espécie de Miami cover com participação especial do Lúcio Costa?


  6. letícia longe de casa (unregistered) on September 9th, 2006 @ 6:35 pm

    o mais foda foi quando minha empregada um dia chegou em casa e falou:

    “letícia, o que é sáli?”

    sale. sale. sale.



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