“Garçom, por favor: olha nos meus olhos”
Cedo assim e esse velho chato já tá reclamando?
Isso mesmo, caro leitor. Até porque já vi que o Metrobloggin Rio também é isso: um grande Serviço de Atendimento ao Consumidor solitário dos blogeueiros que aqui persistem. Como tem coisas que ninguém ouve, só Deus, a gente tenta não ocupar muito o tempo Dele com reclamações e ocupa o de vocês, coitados.
Então, velho: qual o motivo do azedume?
Quando vêm ao Rio, amigos e parentes de São Paulo têm o costume de reclamar: “Meu, o atendimeinto aqui no Rio é uma bosssta!” Antigamente atribuía isso à velha (e inútil, perdoem-me os bairristas; adoro São Paulo) rixa entre cariocas e paulistas, ou seja: o pessoal de lá não tem praia, mas conta com bons garçons e recepcionistas.
Hoje em dia eu concordo: o atendimento no Rio é uma bosta. Meu maior exemplo: os pedidos que eu faço na maioria dos bares, restaurantes e lanchonetes do Rio vêm errado. Não costumo tomar café da manhã, mas quando o faço é no Centro mesmo, indo pro trabalho. Tomo o café da manhã andando, sempre um suco ou uma vitamina, que eu peço invariavelmente da mesma forma (caraca, que velho esse Nuno): SEM GELO, SEM AÇÚCAR E PRA VIAGEM.
A reunião desses três fatores, no entanto, é muito rara. Quando a vitamina vem sem gelo e sem açúcar, baixa na minha frente num copo de vidro. Quando vem pra viagem, está sem gelo, mas com açúcar. Qual o problema? Anos trabalhando com liqüidificador esporrento deixam o sujeiro surdo? Não, porque às vezes ele entende o pedido. Será que ele acha que vitamina de banana com aveia é melhor com gelo e açúcar e está querendo me mostrar isso? Obrigado, amigão, mas além de velho eu sou teimoso.
Ou seja: eu acho que é incompetência e displicência mesmo - ou a falta de capricho nacional que, segundo uma teoria bem particular, eu acredito ser um dos grandes males do Brasil.
Mas como o amor deve prevalecer sobre a impaciência, vou tentar plantar carinho e pedir assim daqui pra frente:
- Garçom, meu anjo: olha agora nos meus olhos. Isso, sem medo… Agora relaxa e ouve. Isso: eu quero a minha vitamina sem gelo, sem açúcar e pra viagem - e tasco-lhe um beliscão na bochecha.
Related posts:


Por isso que o Azulay é bom, quem vai lá e olha pra birosca, nem pensa em ser bem atendido, então não te causa decepção.Pelo contrario se torna motivo de ir lá, isso vou lá pra não me aborrecer, vou para rir.
Você tocou no ponto crucial: o capricho! O capricho é uma das possíveis materializações do otimismo, a fé de que fazer bem feito trará bons resultados, no mínimo melhores do que o resultado de se fazer as coisas mal e porcamente. O capricho é o otimismo em forma de modus operandi, a cumplicidade entre o quem pediu com carinho e quem quer agradar e/ou ter seu talento/trabalho reconhecido. O capricho é a fagulha positiva que por alguns instantes nos faz transcender o comércio, a troca de papel moeda por alimento. Pedir “no capricho” desafia o rapaz a te mostrar que - se ele quiser - ele consegue fazer bem feito, com fartura, com sorriso. E se o chefe não estiver olhando, tasca um bolinho a mais na porção de 12 que você pediu, para provar que ele também manda ali e que, apesar de todo o trabalho em equipe do mundo, essa preocupação com a qualidade geral das coisas é um exercício individual, uma consciência enquanto ser humano que respeita e quer ser respeitado. O “no capricho”, neurolinguísticamente falando, pode ser um portal estelar rumo às boas vibrações primeiro mundistas, me referindo aos que conseguem viver harmonicamente em comunidade. Da próxima vez, Nuno, peça “Nu capísso, amigo!!”…
Nuno, Nuno… atendimento ruim é aqui em Brasília. O pior atendimento do Universo conhecido e desconhecido, incluindo buracos negros e tal. Desde que virei um carioca exilado no Planalto, passei a achar que o atendimento aí do Rio não é esse horror todo. E que o atendimento de São Paulo é o sétimo céu.
Nós cariocas reclamamos por tão pouco… sempre pode piorar.
1. Banana: no Azulay eu também acho graça de ser mal atendido. Mas é aquilo: ir ao Azulay é ir ao Parque Temático do Anti-Antedimento, é uma espécie de Beto Carrero World do Cliente Nunca Tem a Razão - e por aí vai.
2. Cid: eu acredito na sua Teoria do Pedir no Capricho. Já o vi colocando-a em prática e testemunho: já vi o cara pedir um pé-de-galinha NO CAPRICHO e vir um sanduíche de filé mignon. Mas no caso da minha vitamina de banana com aveia eu não quero capricho exatamente. Só quero SEM GELO, SEM AÇÚCAR E PRA VIAGEM, pô!
3. Cesar: agora divide essa angústia com a gente, por favor. Conta aí um perrengue clássico de mal atendimento no Planalto Central!
Padrão de atendimento na Capital:
1. Cidadão chega no bar
2. Demora meia hora para algum garçom se dignar a lhe atender
3. Você faz o pedido
4. Se você deu sorte do garçom entender o que você pediu e trazer o pedido corretamente, é mais um bom tempo de espera até chegar o pedido.
(Isso quando não chega cerveja choca ou chope pessimamente tirado.)
5. Volte a 2 até a hora de ir pra casa.
Existem as exceções, mas a regra é mais ou menos essa.
triste ter que concordar, mas É ISSO MESMO.
Eu tenho as seguintes estratégias: primeiro eu chego na maciota, só no cordialismo-brasileiro: - aí amigão, tal e tal coisa, olhando no olho, sorriso fácil, quase um Neguinho da Beija Flor. Se o mané vacila eu viro consumidor-profissa: chamo o garçom de garçom, não olho na cara e adoto tom de frieza paulista… Se ainda assim não dá certo, aí eu fico bolado e falo grosso.
Adendo regional: Salvador é pior do que qualquer lugar q vc possa imaginar. Não tem comparação. Mas aqui no Rio tá foda, mesmo. Se vc pedir bife ao ponto tem 100% de chance de vir bem passado. Eu tenho que pedir bife crú pra carne vir ao ponto.
Prometo em breve fazer um post sobre a lenda do cuspe do garçom, uma coisa bem carioca, com certeza.