No meio do caminho tinha uma pedra
Andava apressada por Botafogo, correndo atrás da vida, pois a vida está sempre na frente. É necessário correr atrás dela. Haja fôlego. O trânsito habitual de meio dia e meia. Mamães buscando os filhos, vans buscandos os filhos de mamães que não podem buscar, babás e vovós de mãos dadas com crianças de sorriso mole e que apontam para qualquer coisa que se movimente: um carro, uma mosca ou um amigo imaginário.
O assunto está ficando um pouco repetitivo, mas outro dia quis ouvir a fita do meu mapa astral (feito há dois anos) pela primeira vez.
“Seu carma, Letícia, são as crianças e os relacionamentos amorosos”, Juan disse logo no início da fita. Meu astrólogo era argentino.
Meu carma. Crianças & o amor.
Meu útero pulou vendo os pequenos do Santo Inácio ou do Municipal algum ex-presidente, fazendo algazarra pela rua.
“Criança é um troço livre, muito livre”, eu pensei e parei de andar apressada. Aos poucos, a vida foi ficando cada vez mais longe e eu cada vez correndo menos atrás.
O dia hoje se deu em chuvoso, Fernando Pessoa escreveu, e eu lembrei dessa frase à uma hora da tarde. Mas às 13:13, o sol deu as caras rapidamente, e eu o recebi, sem óculos escuros, tórax semi desnudo e cabelos wannabe dourados.
“O amor era para ser um troço livre, muito livre”, pensei na São Clemente 150 e alguma coisa.
Para quê o cabrón Juan foi falar isso? Já babava por crianças que me olham curiosas e tentam arrancar meus brincos. Já sofria por paixões impossíveis e pelos coitados apaixonados por mim. Aí ele me disse que era meu CARMA. Ora bolas. O sol começava a ficar cor de lâmpada fria quando pensei tolamente: “Não quero isso na minha vida. Eu vou matar esse carma. Não quero filhos, não quero relacionamentos amorosos”. Botafogo me espantava com as muitas farmácias, muitas casas de empada e muitos colégios. Drogas, massa e crianças educadas. Cancela. Deleta. Não quero. A vida ali, e eu vou ali sem essa merda de carma, de Juan, de de de de de de de.
E foi então, que na São Clemente 140 e alguma coisa, por clemência, eu redescobri o amor:
Tá, pode deixar.


Amor… esse amor… é um bom FDP, isso sim!!!
Eu não confiaria num astrólogo argentino.
a gente troca carma por destino e destino por pré-definição e pré-definição por conseqüência de vida. e ainda assim as crianças sorridentes e o amor serão para sempre nossa alegria e desespero.
é uterino.
Eu vivo um grande amor.
É muito bom.
Desejo a todos, de coração.
Eu amo Goiânia e Goiânia me ama.
Eu te amo. Acredite. Paulo César.
gleidson, love is all we need.
nuno, que coisa feia.
camila, disse tudo.
bia, que bom!
nix, oooooooooi?
cid, quemmmmmmm?
Só eu lembro do jingle “Eu Amo Goiânia” que infernizou a TV na época do acidente com o Césio 137?
Não, que é isso! O Cid também me lembra dele toda vez que nos vemos.
tem uma frase do Saramago no Ano da morte de Ricardo Reis, grande livro, aliás, assim:
“Chove como se o mar por goteiras escoasse”
Eu amo o Rio, pq a chuva aí é assim. O mar parece cair. já aqui em Brasília…