Vai com Deus, amigo
Devo ter sido apresentado ao Leandro nos corredores da faculdade, não sei ao certo, mas a lembrança real mais antiga que eu tenho dele é de uma festa em seu apartamento na Barata Ribeiro, em Copacabana, a festa em que o João (uma das pessoas, digamos, mais estabanadas que nós conhecemos) queria porque queria - já cheio de Coluninha na cachola - fumar sentado na janela do oitavo andar, deixando todos os convidados obviamente em pânico.
Depois eu passei a encontrar o Leandro (que acabou se mudando para o Bairro Peixoto) na Adega Pérola, sempre ela, também em Copa, todas as quintas, na Quinta Pérola, o nosso sagrado encontro semanal, em 2006 largado à míngua quando a Luciana e o João (o da janela), dois filhos ingratos, foram morar juntos em Laranjeiras, deixando os nossos corações (o meu, o do Leandro, o da Pérola e o de Copacabana) em cacos.
Com seus dois metros de altura (ela é a única pessoa que eu abraço na pontinha do pé, uma experiência), o Leandro é um cara que a gente vê de longe e acha legal, mas aí conhece de perto e vira fã. Mineiro de Juiz de Fora, criado em Volta Redonda e morando no Rio há alguns anos, onde veio estudar jornalismo, publicidade e filosofia, o Leandro nunca lidou muito bem com esse lance de “ser carioca”. A começar pelo calor, que ele detesta - e eu também. Depois de uma viagem à Rússia, ele andou com uns planos de voltar pra lá e trabalhar varrendo neve, sob a agradável temperatura de cinco graus negativos.
O Leandro acabou não indo pra Rússia, mas vai morar em Portugal na semana que vem. A princípio por um ano, para seguir seus estudos de filosofia e escrever seu quarto livro (sim, ele é um excelente escritor, já teve uma editora e fez uma revista de programação cultural na cidade). O último livro, o sucesso “O Código Aleijadinho“, me foi apresentado quando ainda era só uma idéia, há uns dois anos, numa mesa da Quinta Pérola. Uma idéia trabalhosa que ele foi lá e fez, porque o Leandro é o tipo de sujeito que cumpre os planos a que se propõe. Ele consegue sonhar os sonhos, agendá-los e cumpri-los - uma virtude de ouro, sem dúvida, num mundo de tantos sonhos lindos que não passam disso. E é generoso a ponto de sonhar também os sonhos dos outros: já o vi ajudando um monte de gente em seus projetos pessoais, inclusive os meus (o Leandro foi o primeiro amigo a comprar um CD da minha one man band).
A despedida dele será amanhã à noite, num bar em Copacabana chamado The Office (rua Aires Saldanha, 92). Estão todos convidados para ir lá e dar-lhe um abraço (calma… o Leandro é grande, caberão os milhares de leitores deste blog) e desejá-lo boa sorte nesta fase nova da vida.
E lamentar um pouco, por que não, mesmo que em secreto: o Rio (pelo menos o meu) fica um pouco menos inteligente e emprendededor a partir da semana que vem.


pois… o gajo vai para a terrinha, é?
magavilha. vou ver se apareço lá. meia noite e dez.
Posso ir?? Posso ir, tio?!?!?!?
rsrsrsrsrs
*jokin’
que coisa mais linda! Fiquei realmente emocionado…
o mais difícil é abandonar os amigos…
(ou a Pérola?)
porra virgilio! logo q eu bati o olho no título “vai com deus, meu amigo” e aí vc começou a contar como conheceu o cara, eu levei o maior susto! faz isso não! :)
tb achei que alguém tinha morrido quando só li o título.
deu um segundo de frio nas mãos.
Que é isso, macacada! Até parece que as pessoas morrem fácil assim aqui no Rio!!!
Eu também pensei que essa história seria o primeiro óbito do blog! rsrsrs