Os Dois Bagos do Alipão

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Tão na faixa de uns trinta e poucos reais. O Dois Bagos é um vinho tinto da Lavradores de Feitoria, produtora da região Douro, em Portugal. No Alipão tem. O Alipão fica ali na Dona Mariana, 91, em Botafogo. Tem também o Barca Velha Casa Ferreirinha, safra 1985, mas esse aí você só bebe se morrer em 1.900 reais. Mólinho.
Rio de Janeiro e Lisboa, maio deita a cepa boa. Morar no Rio inclui estar acostumado com a cultura portuguesa, com os portugueses e com as portuguesices. Padaria Imperial. Rei do Bacalhau. O Príncipe das Peixadas… Meu avô contava a história de um restaurante no Centro, cujo dono, um portuga casca-grossa, mandou gravar nos talheres: “Roubado do Restaurante Beira Alta”. Coisas de gajo.
Mas o Alipão é bacana. Tem um certo climão de adega antiga, com aquelas estantes de madeira escura onde garrafas repousam e exibem orgulhosamente os rótulos de nomes fabulosos, meio amarelados, meio empoeirados: Batuta, Cabeça de Burro, Encostas do Bussaco, Rabo de Ovelha, Esmaga, Monte dos Cabacos, Cão, Pera Manca, Rabigato e Porca de Murca, entre tantos. Eu acho uma maravilha esse negócio. É a vitória da singularidade. Só de Vinho do Porto você vai encontrar lá umas trezentas marcas diferentes. Garrafas de cem, duzentos, trezentos e até de mais de dois mil reais - o Porto Burmester 1944. Um dia ainda compro uma garrafa destas. Não sei como nem em que circunstâncias. Se por puro deleite ou por puro delírio.
Se estiver por perto, vale a visita. Mas não se engane com a entrada do local. As prateleiras da frente vendem junk food diversos e até batata ruffles. E se liga nessa, quadrilha: de boa cepa a vinha e de boa mãe a fïlha.

4 Comments so far

  1. maíra (unregistered) on September 28th, 2006 @ 10:30 am

    um brinde ao quiosque da portuguesa!
    :P

  2. Nuno Virgílio (unregistered) on September 28th, 2006 @ 11:13 am

    “Da esquina”, Maíra… “Da esquina” :)

    Meu pai era português (isso aí, por isso eu me chamo Nuno Virgílio), de modos que eu cresci bem no meio dessa portuguesice toda. Quando já estava bem mal, nos últimos dias da doença, ele me pediu preu tentar achar um queijo de cabra da Serra da Estrela, em Portugal, a terra dele. Foi o último desejo do meu pai esse.

    Virei essa cidade de cabeça pra baixo e achei o queijo numa loja aqui no Centro. Me lembro como se fosse hoje de eu cortando um pedacinho e dando a ele. Um pedacinho assim, e ele comeu metade, já não conseguia comer mais nada. A última fome do meu pai.

    Mas eu sei que um dia ainda vou caminhar com ele na Serra na Estrela.

  3. LP (unregistered) on September 28th, 2006 @ 12:03 pm

    Ao quiosque da portuguesa ali da esquina, certo? :)

  4. letícia (unregistered) on September 28th, 2006 @ 11:02 pm

    hahahahaha

    comentário só pra rir mesmo.

    e não esquece de provar um sul africano: Tribal.
    P:

    (língua passando em cima dos lábios, ahhahahaha)


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