Archive for September, 2006

“Tomorrow we go to religion”

Ontem à noite, lançamento do livro da Bruna Baby no Belmonte do Jardim Botânico. Maíra, Letícia, Nix, LP e eu estamos numa mesa, antipaticamente fazendo a “panela Metrobloggin Rio”.

Mesa, vale dizer, invadida por nós. Porque antes tinha um cara lá, tomando sopa. E aí a gente chegou e pediu licença, não tinha mais mesa. E no final ainda beliscamos o pão dele.

Lá pelas tantas a Bruna me chega trazendo um cara. Um gringo. Poeta. De Nova York. “Ele tá meio deslocado, acho que vai se dar bem aqui com vocês. Posso?” Claro, Bruna. Agora tô me sentindo a pós-vanguarda do Village! Bruna passa a guarda do gringo pra gente, eu digo “Põe do lado do Nix”. Tava a fim de sacanear o Nix.

No Rio tem sempre um gringo pra gente fazer sala. Explicar as coisas, perguntar se é a primeira vez aqui, se tá gostando, quando vai embora, se já matou uma onça no corredor do hotel, ficou com caganeira, essas coisas da cultura. Nix merece uma medalha do Itamaraty. Fez direitinho o protocolo enquanto o resto da mesa conversava.

Mas Nix carregava um violão, coitado. “I WANT TO SING! SIIIIIINNNNGGGG!!!!!”, começou a gritar o gringo, já cheio de cachaça na tampa. Pensei logo no Lou Reed dando esses ataques de pelanca pós-vanguarda no Village, Lou Reed chiliquento ao lado da Rachel, o traveco com quem ele dividia as alianças antes da Laurie Anderson. E Rachel fumando um cigarro com um sorriso amarelo, cara de tédio diante de mais um ataque de pelanca da vanguarda nova-iorquina.

Letícia então resolve explicar pro cara que hoje comemoramos no Rio o Dia de São Cosme e São Damião. Uma festa, mas também religião. Religion saca? E decide convidá-lo pra testemunhar os festejos. Lou Reed pega o telefone da Letícia e diz que vai ligar pra eles irem correr juntos atrás dos doces. Nessa hora chega um amigo do gringo, arrastando-o pra outra mesa. Na despedida, ele manda pra Letícia a frase da noite:

- TOMORROW WE GO TO RELIGION!!!

É isso aí, Lou: no Rio, religião é festa, e simpatia é quase amor, vê se entende. Entende o amor. Se quiser entender o Rio, leia o Metrobloggin, porra!

E a noite seguiu em frente com o Nix dando um sumiço na cadeira vazia da mesa.

Onde você estava há 1 ano?

No dia 27 de setembro de 2005, eu estava em Alto Paraíso. Com seis amigos cariocas e um egípcio insano que tínhamos acabado de conhecer.
Acordamos cedo e fomos para o parque nacional da Chapada dos Veadeiros. As palavras me faltam para descrever tamanha beleza. O dia foi de sol absoluto. Na trilha, vi um sapo de cor inacreditável. Estávamos todos lisérgicos, menos o guia gente boa, que serei eternamente grata pela paciência. Foi lá também que vi a primeira cobra da minha vida. (ui) Deu medo. Era cobra d’água, e adivinha onde eu estava? É, pois é, na água. Dia 27 de setembro é dia de Cosme e Damião. Eu tinha falado com minha mãe pelo telefone, e ela disse: “Minha filha, não esquece de oferecer uns doces para a mata.” Comprei umas balas e uns doces no mercadinho de São Jorge (onde fica o Parque), mas ao longo do dia (loooooongo dia) esqueci. Só fui lembrar disso lá pelas três horas da tarde, mas como explicar a euforia que surgiu em mim ao lembrar do dia de Cosme e Damião? Chorei, claro. Me isolei por um tempo, Alto Paraíso me abraçava, o centro oeste me abraçava, a natureza me ninava. “Essa música te abraça, Letícia”. E ali, no meio do Brasil, coloquei as balinhas e os doces na terra, e as folhas agradeceram ventando para mim. O passeio no parque continuou. Amigos cariocas felizes e bem longe de casa. Os peitos ficaram livres. O pensamento idem. Às cinco horas da tarde, depois de termos caminhado 17km, caminhamos mais ainda para ver o pôr-do-sol do alto de uma torre. Eu sentia o sol, eu olhava para o sol, eu era o sol. O dia inteiro teve esses três estágios. Sentir, olhar, ser. De volta à “cidade”, tomamos sorvete na farmácia. Sim, a farmácia da cidade era também a sorveteria. A luz acabou por alguns minutos. Mas não importava. Um conhecido surgiu com uma pick-up dizendo que queria nos levar até um lugar chamado: Águas termais. Não pensamos duas vezes. Devia ser oito horas da noite (relógio não existia), quando pegamos uma estrada de terra, com muitas, MUITAS estrelas no céu. Me dói a garganta lembrar desse dia. Muita felicidade. Um dia inteiro de felicidade. Coisa rara. As águas termais eram piscinas naturais, de água quente. Cenário inacreditável. Dei uns gritinhos quando vi que sapos pulavam nas piscinas também. Mas rapidamente, eles não me incomodavam mais. Em volta, algumas velas no chão para podermos nos ver. Em volta, a mata à noite. Barulhos que nunca tinha ouvido. Uma orquestra de anfíbios. Meus amigos e eu, exaustos, mas sem sentir, dentro de águas quentes! Pode ficar melhor? Pode. Iniciamos uma massagem em fila. Você dava e recebia. Uma gentileza só. Na volta, um silêncio de amigos. Silêncio de alegria. De amor. As estrelas rápidas rasgando o céu. E a minha cara. Já estava há quase 3 semanas longe do Rio de Janeiro. Longe do meu travesseiro. A barraca já começava a me incomodar, as comidas feitas em fogareiro também. No entanto, naquela noite dormi no alto. Dormi no paraíso.

E você? Você lembra do seu dia 27 de setembro de 2005?

Festival B de BUNDA

O Melhor Nome de Banda Carioca de Todos os Tempos continua sendo DIDI SUBIU NO CRISTO, inspirado, obviamente, no episódio em que o humorista Renato Aragão escalou a estátua mais famosa do Brasil durante uma transmissão do programa Criança Esperança.

E você? Que nome com referência à Cidade Maravilhosa você daria à sua banda?

A melhor sugestão (põe aí nos comments) ganha essa miniatura do Cristo Redentor com ímã pra prender na geladeira (a mão não faz parte da promoção e é meramente ilustrativa…)

brinde.jpg

De tanque cheio

Na quinta e na sexta-feira da semana passada, o Detran-RJ realizou 1.250 testes de bafômetro em diverosos pontos do estado. As medições foram feitas entre 20h e 2h, e o resultado não poderia ser pior: 85% dos motoristas não estavam em condições de dirigir. O Detran ainda conseguiu comemorar o número, já que na última operação, feita em julho, esse índice foi 10% mais alto.

Ainda não consegui compreender plenamente essa relação das pessoas com álcool e direção. Parece ser impossível para a maioria absoluta delas dirigir e não beber. Tomo como medida as pessoas que conheço: tenho amigos sensacionais, que considero pessoas de bom senso, preocupadas com o bem-estar dos outros, envolvidas na medida do possível com ações destinadas a melhorar o mundo, mas que não vêem problema em dirigir e beber.

A defesa deles é sempre aquela: “Ah, mas eu consigo dirigir bem com umas na cabeça”, “Ah, nunca me aconteceu nada”, ou beiram o nonsense, como um amigo meu que diz que dirige MELHOR quando está bêbado!

O fato é que no caso do álcool e da direção a discussão sempre resvala nessa subjetividade. Não importa o que digam os médicos, as autoridades, as estatísticas: as pessoas sempre sabem melhor que todo mundo o quanto elas podem beber para pegar num volante.

Subjetivamente pensando, como esses: quantos chopes me dão o direito de NÃO usar camisinha?

Esse pessoal tá lendo muito Harry Potter

terra.gif

Domingo no parque

shit.jpg

Tenham calma, são apenas quatro anos. Vamos cumprir esta etapa. Outros têm Bush, Putin. Nós teremos o nosso führer. Sobreviveremos. Já passamos por isto com Medici, Sarney e Collor. Agora é Lula… É triste, eu sei. Mas se elegemos por aqui Rosinhas porque estranhar a re-eleição do — segundo o Celso Amorim — “nosso guia”? Somos, em maioria, uma nação de pobres e ignorantes. Somos, em maioria, uma nação que se acostumou com a desonestidade e que vende-se por uma mesada de oitenta reais. Os nossos governantes vendem-se por oitenta mensalões. É apenas uma questão de escala. Cada povo tem o governo que merece. E vice-versa. Domingo, quando estiverem caminhando para os seus deveres civis, olhem por onde pisam… Mas olhem adiante. Vai passar. ;)

R

linha.jpg

O

Onde estão os outdoors presidenciais?

A propaganda política está nas ruas. Brasileirices como painéis segurados por cavaletes humanos, bonecões de Olinda com rodinhas empurrados em procissão na orla, quarteto feminino vestindo fantasia com o número do candidato a deputado, panfletos aos milhares, carros de som espezinhando nossa paciência - bancados por candidatos a deputados e a senador que acreditam que vão conseguir convencer alguém na base da rima pobre cantada em ritmo de samba.
Só não tenho visto propaganda presidencial. Cadê os outdoors do Lula? E os do Geraaaaaaldo? Nem mesmo um poster vermelhinho da Tia Heloísa vi por aí. Será um fenômeno local? Será só aqui no Rio? Ou no Brasil inteiro a propaganda presindencial de rua este ano está deveras comedida?

Depois do Municipal, a farmácia

(escrito em maio de 2006)

“Ciúme me dá frio. Ponho logo um casaquinho para que pare. Sonhei com a ópera. A cabeça no travesseiro e a mente em italiano. La mamma morta. Sempre cai lágrima com Maria Callas. Sempre. E isso destrói meu dia. Hoje vi sua alma vagando pela rua. Digo sua alma, pois eu te matei há mais ou menos 5 meses. Tenho sorte de ter capacidade de sorrir com facilidade. Tem gente que… Não. O resto da pêra que não comi agora está marrom. Microfone com gosto de outra boca não é bom. Sou tão solitária, pai. Sou minha própria lombriga. Estou dentro de mim mesma, me comendo, aos poucos. Aluguei um filme chato. Foi bem constrangedor. Ontem mesmo depois da ópera, sangrei. Não era hora. Acho que foi a ópera. Ela ri com dentes separados e lindos e diz: “Que poético, amiga.” Mas na verdade só sinto cólica. E nada de poesia. Papai comprou um travesseiro de 170 reais que a NASA programou. Vai me emprestar qualquer dia desses. Em Brasília, quase 3 horas. Minha solitária faz barulhos estranhos, depois fica bem silenciosa. Como eu. Faz frio. Sou áspera e tola de ciúmes. O sobretudo não me aquece tanto, mas sobretudo faz peso em meus ombros. O sono sempre vem para quem tem peso nos ombros. Papai vai me emprestar o travesseiro do espaço. E vou ter o sonho mais lindo da minha vida. Não resisto. E chupo o resto marrom da pêra. Meu carro não tem freio. Mas meu pé acha que sim. Antigamente eu me achava profissional. Concluí meu amadorismo hoje, agora há pouco, tremendo de ciúm… digo, de frio. É desconcertante rever almas pelas ruas. Eu sou tão antiga. Tão, tão. Sou tão escadaria do Municipal. Tão. Gosto tanto da gramática utilizada corretamente. É ridículo, eu sei. Mas é mais ainda quando… Papai vai demorar horrores para me emprestar o travesseiro.”

- Só isso, garota?
- Vocês têm remédio pra verme?

Soy loco por ti, América

“Um poema ainda existe
Com palmeiras, com trincheiras, canções de guerra,
quem sabe canções do mar”

Imag007.jpg

Recadinho em um banco do 125 (Central X General Osório), na manhã de hoje.

Terms of use | Privacy Policy | Content: Creative Commons | Site and Design © 2008 | Metroblogging ® and Metblogs ® are registered trademarks of Bode Media, Inc.