Cuidado com o tarado! Uh! Socorro!
Ontem fui andar de skate com um amigo no aterro do Flamengo. Começou a chover, ficamos frustrados, mas resolvemos ir ao cinema. No Artplex. Decidimos ver “Menina má.com”. O filme ainda iria demorar uma hora para começar, entramos na livraria que tem dentro do Artplex, que agora me foge o nome. Estava comentando com esse meu amigo que Deus testa minha paciência, colocando em meu caminho DIARIAMENTE pessoas malucas. Nisso, um homem com olhar esquisitíssimo nos olhava. Quando fomos comprar pipoca, o homem nos parou, era quase gago, e piscava muito. “Vocês querem guardar o skate, é?”, perguntou. Respondemos que não, tudo bem. Ele disse coisas que não entendemos direito, falou do festival de cinema, bebidas e comidas em menos de 7 segundos. Tive que inventar qualquer coisa para sair dali, daquele contato. Entramos na sala de exibição (nossa, nunca escrevi isso antes) e fomos sentar lá atrás. Do meu lado esquerdo, esse meu amigo, e do meu lado direito a 3 cadeiras de distância, um homem com seus 50 anos se sentou, sozinho. Pra quem não viu o filme, não vou contar, mas preciso dizer que no início rolam algumas cenas um tanto quanto sensuais, ou que sugerem alguma sensualidade. O homem ao meu lado direito se mexia muito, e quando eu vou ao cinema, sou super concentrada, isso me incomodou. E aos 40 minutos de filme, olhei para o homem, e lá estava, ele e seu pau pra fora. Seu membro. Sua jeba. Sua pica. Pânico. Rewind: o primeiro pau que vi na vida foi no cinema, eu tinha 15 anos e estava esperando minha prima na Conde de Bonfim, na Tijuca. Íamos ao Art Tijuca, um cinema enooooorme, que hoje dá lugar para Leader Magazine. O filme era “Missão Impossível”. Sim, pode rir. É isso mesmo. O homem passou na rua, me olhou e disse: “Vou ver esse filme”. Tremi de medo e quando minha prima Clarisse chegou, eu disse: “Clarisse, vamos sentar nas laterais, ninguém senta nas laterais”. Sentamos, e quando o filme já estava quase para acabar, o homem sentou perto de mim, só não sentou do meu lado, porque minha bolsa estava lá. De repente, as cadeiras das laterais do Art Tijuca começaram a balançar. Pensei: “Porra, Clarisse, pára de balançar a perna”. Mas ela não estava balançando a perna. Olhei para o lado e vi. O primeiro pau duro da minha vida. Nas cadeiras do Art Tijuca. Sempre fui vingativa para desespero iogue de minha mãe, comentei com Clarisse, que sendo mais nova, quase chorou. Levantamos, e ela queria fugir, mas eu sentei atrás do cara, e dei uns 3 chutes na cadeira dele com minhas pernas de um metro cada. O homem se levantou, fechou as calças e disse: “Porra, tava crente que ia rolar uma parada”. E foi assim que meu contato com os doentes mentais disfarçados de pedestres ficou mais intenso. (Antes dos 15 anos, os doidos já apareciam em minha vida, mas não de maneira tão íntima). Então, ontem, ao ver de novo, um tarado de cinema, do meu lado, com pica pra fora, eu querendo me concentrar no filme, pensei: “Ou eu levanto agora e enfio minhas unhas nos olhos dele”, ou… ou… Respira, Letícia, respira. Sua paciência está sendo testada agora. Se mostra evoluída, poxa, é só um pau, calma, respira, as pessoas têm tesão…
Mas é porque ando sensível demais, ou é o tempo, ou porque é outubro, o coração acelerou. O olho encheu de lagriminha. E o filme meio que conta justamente isso. Tarados, pedófilos, meninotas, indefesas ou insanas, vinganças. Ontem não consegui fazer nada. Tive tanto nojo. E não era pra ter, certo? Porque punheta é uma coisa linda, né? Masturbação é uma das melhores coisas do mundo, não é mesmo? Saudável, explicativa e divertida. Mas no cinema, perto de mim, sem eu te conhecer? Opa, peralá. Meu amigo sugeriu que a gente fosse embora, mas poxa, paguei para ver o filme, e quero ver o filme. O final. Troquei de lugar com o amigo. E como o filme parou de ser “engraçadinho-sensual”, e deu-se início a uma vingança surreal, o homem deve ter ficado com medo, pois parou de bater punheta. O filme acabou. Mal os créditos começaram, ele, claro, se levantou para ir embora, ainda tive tempo de gritar: “Punheteiro porco filha da puta, tomara que decepem seu pau”. Mas foi pouco. Desculpa, mas eu não sou iogue que nem minha mãe, que às vezes fecha os olhos e tem um mundo interior riquíssimo e uma força de espelho que só reflete. Eu sou vidro. Essas coisas chegam até a mim. Na saída, encontramos com o maluco quase gago que piscava muito. Ele veio falar com a gente, muito MUITO doente mental. O nome dele era Júlio, mas nessa hora eu já preferia o doente mental do que o punheteiro. Pelo menos a chuva havia parado e lá fui eu dar um rolé, sentir vento nas ventas para me acalmar um pouco. Na boa, vai para o Cine Íris. Ou então faz direito, se esconde mais, senta longe das pessoas. Mesmo. Essa foi a terceira vez que isso aconteceu comigo, e várias amigas já contaram casos de ônibus, metrô e claro, cinema. Da próxima vez, vou dar uma de Maria Dora Arbex.
Pia de um amigo meu, pra vocês verem como eu sou bem-humorada, e não sou uma chata contra tarados.
R-E-S-P-E-C-T
find out
what it means to me


sinistro! já passei por isso também. possivelmente o cara já foi ver o filme com intuito que bateria uma punheta olhando as “menores” que achava que apareceriam na tela… a Meninamá.com devia ter aparecido no cinema naquele momento e ter feito todo aquele terror com ele tb… merecido seria!
fala sério.
quanto atrair loucos, não posso falar muito, sou o próprio pára-raios!!
e olha que faço yoga!
o texto é ótimo e bem real!
Paz!
É… eu também faço ioga e não tenho muita paciência com essas pessoas…
Eu nunca fiz isso, não, mas tenho mó fetiche em transar no cinema! rsrs
tarado no cinema suxs.
but. I´ve had entre as cortinas do odeon :O
pô, me deu saudade daquele cinemão. a tela era taaao grandeee, qq filme virava filmão. lembro de ter visto Retorno de Jedi lá e wow.
eu não atraio. eu sou uma :P
Nao sou a sua prima, mas tambem vi o primeiro tarado-de-cinema da minha vida num daqueles cinemas enormes da Tijuca.
É algo tao surreal, que a gente nao sabe nem o que fazer, o que falar. Acho que reagir a isso deveria fazer parte dos conselhos dos nossos pais, assim como nao aceitar balas de estranhos… Algo como: se algum tarado-do-cinema, do onibus, da praça, ou de onde quer que ele seja comecar a fazer gracinhas com voce, de um berro, chame a policia, de uma bolsada nele, faça algo!
Bela reaçao a sua, no fim do filme. Na proxima vez grita antes, assim ele sai logo e voce pode assistir o filme em paz.
Tambem uma vez no metro, ha uns 15 anos (ui!), um nojento que estava sentado do meu lado comecou a ensaiar umas roçadas da coxa dele na minha… Eu fui me apertando pro lado oposto, sem ter coragem de levantar e ir embora. Ai uma negona daquelas enormes e gordas, com cara de quem ate bate no marido com o rolo de macarrao, comecou a gritar com o cara, chamou ele de sem vergonha, disso e daquilo, e expulsou o homem do vagao! Ela foi minha idola por muito tempo! :)