Entrevista: BATMAN

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Tradicional justiceiro urbano, Batman, o Homem-Morcego, não gostou nada da homenagem prestada pela Câmara de Vereadores à aposentada Maria Dora Arbex, que atirou num ladrão. Magoado com a forma como vem sendo tratado no Rio, ele assume que já pensou em deixar a cidade.

METROBLOGGIN RIO: O senhor ficou magoado com a homenagem à dona Maria Dora?
BATMAN: Sim, bastante.

Por quê?
Faço justiça nesta cidade desde a década de 40 e nunca recebi uma homenagem dessas. Já prendi milhares de bandidos, faço isso todas as noites, mas ao contrário da dona Maria Dora sou tratado pelas autoridades como um bandido. Outro dia o “Extra” me associou novamente à banda podre da PM, nos anos 80 diziam que eu era o cabeça do Esquadrão da Morte e de várias mineiras na Baixada. Tudo mentira. Essa cidade não reconhece quem a ama de verdade e trabalha por ela.

Mas o senhor não considera dona Maria Dora uma heroína?
Nunca precisei de arma de fogo para deter ninguém. Essa senhora representa o atraso em termos de heroísmo. É desestimulante para um herói como eu ver as autoridades incentivando esse tipo de coisa.

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O que mudou no crime carioca do anos 40 para cá?
Tudo, né? Antes a coisa era meio romântica, eu saía muito no braço com a marginália, navalhada na Lapa, um outro tempo, rapaz. Hoje o negócio é mais pesado, o bagulho é frenético, como diz a garotada (risos). Aliás, antigamente as crianças gostavam de mim. Hoje elas me recebem à bala em vários morros da cidade.

O senhor teria alguma proposta para a questão da segurança pública no Rio?
Eles deveriam baixar uma lei obrigando o bandido a enlouquecer no final, como acontece nas minhas histórias. Eles enlouqueceriam e se matariam dando gargalhadas insanas. Ninguém ia precisar sujar a mão e isso iria reduzir a praticamente zero os gastos do estado com a manutenção dos presídios.

É verdade que o senhor pensa em deixar o Rio?
Sim. Como eu disse, essa falta de consideração magoa a gente. Recebi um convite pra ir trabalhar em São Paulo. A coisa lá está feia com esse negócio do PCC e é possível até que, ao contrário do Rio, eu inclusive receba apoio do Poder Público. Estamos negociando ainda, não posso adiantar muita coisa, mas as chances são boas.

Não vai sentir saudades do Rio?
Vou, claro. Amo a cidade, gosto da praia, do samba, das mulheres. Mas tem uma hora em que a gente quer trabalhar e ser reconhecido. Infelizmente, não serei o primeiro nem o último a bater em retirada.

2 Comments so far

  1. letícia (unregistered) on October 26th, 2006 @ 9:50 pm

    HAHAHAHAHAHAHA

    tu tá de sacanar!


  2. Gleidson (unregistered) on October 27th, 2006 @ 10:33 am

    E fogo isso, cara!

    Nosso querido Homem-Aranha já se debandou pra Manhattan!

    Mas é aquilo, cara… o pessoal tem a mentalidade de que o Batman só tá fazendo o dever dele, nada mais que sua obrigação. Aí não tem homenagem, nem nada… é frustante não ser reconhecido!



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