Archive for October, 2006

Baby

Você precisa saber da piscina
Da margarina, da Carolina, da gasolina
Você precisa saber de mim

Baby, baby
Eu sei que é assim

Você precisa tomar um sorvete
Na lanchonete, andar com a gente
Me ver de perto
Ouvir aquela canção do Roberto

Baby, baby
Há quanto tempo

Você precisa aprender inglês
Precisa aprender o que eu sei
E o que eu não sei mais

Eu sei, comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz
Vivemos na melhor cidade
Da América do Sul

Da América do Sul
Você precisa, você precisa
Não sei, leia na minha camisa
Baby, baby
I love you

Aí Brasiiilll…

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Copy & Paste

Desenvolvida por João Marcos Weguelin, esta pesquisa compila trechos de jornais de 1888 a 1969, retratando alguns dos personagens e episódios que influenciaram a história recente brasileira - como o escritor Machado de Assis, o político Rui Barbosa e o músico Noel Rosa; a promulgação da Lei Áurea, a revolução de 1964 etc. Foram consultados 62 jornais cariocas para reunir o acervo - o resultado, no entanto, é um panorama que ultrapassa as fronteiras desse estado.

Essa dica da blogueira HelenaN, você pode conferir aqui.

Caribe perde

Isso foi em Ipanema, há quase um mês. Plena quarta-feira.
Ai, ai…

A Biblioteca não é infinita

Era o que dizia Borges no conto La Biblioteca de Babel, mas a Biblioteca Nacional é a oitava do mundo e a maior da América Latina. O novo prédio, inaugurado em 1910, tem estilo neoclássico e fica na Cinelândia, na saída do metrô.1.jpg Com um fantástico acervo calculado em cerca de nove milhões de itens ( ! ) ela é oriunda da Livraria Real — cujas origens remontam às coleções de D. João I — consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa em 1755. O início do percurso da Real Biblioteca para o Brasil coincide com um dos mais importantes momentos da história do Brasil: a vinda da rainha D. Maria I, de D. João, Príncipe Regente de toda a família real e da corte para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Bonaparte, em 1808. Visite o site — que é completíssimo, por sinal — e tenha uma idéia da grandiosidade da instituição. Partituras, mapas, manuscritos, ilustrações, documentos e livros, milhões de livros. Lugar nota dez.

Ilustração do raríssimo “Histoire des Oiseaux du Brésil
remarquables par leur plumage, leur chant ou leurs
habitudes”, de Jean Théodore Descourtilz.

Como você vê o Rio?

Quando eu vejo o Rio, eu vejo assim, ó:

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Aí expliquei para alguns amigos que eu via “mitocôndrias” no céu. Me faltou uma palavra melhor para descrever aquelas linhas que dão sensação que a gente tem “vista arranhada”. Pelo visto, todo mundo tem.
Essa foto aí é das Paineiras. Sempre que volto da praia da Barra e passo pelo Alto da Boa Vista (que meus amigos gringos insistem em falar “Are we in some kind of jungle or something?”), dou uma paradinha nas Paineiras. Pra ouvir o silêncio, me distanciar do Rio e enfiar a cabeça debaixo daquela ducha forte.

Com a ducha batendo na minha cabeça, fecho os olhos e vejo mitocôndrias, lisossomos, ribossomos e complexos de Golgi.

The dark side of the city: a Fera da Penha

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Tânia Maria tinha quatro anos quando em 30 de junho de 1960 foi encontrada morta atrás de um matadouro na Penha com o corpo todo queimado e com um tiro na cabeça. Este foi o trágico fim para uma história de amor e ódio. Neide conheceu Antônio numa estação de trem e durante três meses namoraram. Tudo ia muito bem até o dia em que ela descobriu que ele era casado e tinha duas filhas pequenas. Enfurecida, deu uma semana a Antônio para deixar a mulher. Quando viu que ele não se separaria de Nilza, sua esposa, resolveu se fazer de amiga dela, conseguindo a sua confiança e amizade.

Um dia telefonou para a escola de Tânia e, fazendo-se passar pela mãe, disse que precisava que a menina viesse mais cedo para casa e que para isso mandaria uma amiga para buscá-la. Neide ficou seis horas com a menina em seu poder. Levou-a então para a casa de uma amiga. Ali passou em uma farmácia e comprou uma garrafa de álcool. Às oito e meia da noite levou a menina para trás do matadouro e deu-lhe um tiro na cabeça, ateou fogo no corpo da criança e voltou para casa.

As investigações policiais levaram à Neide, que negou o crime, mentiu, deu pistas falsas e refutou sempre a autoria do crime. O laudo final da perícia foi implacável e ela já não tinha mais como fugir à verdade. Finalmente acabou por confessar o crime. Foi condenada a 33 anos de prisão dos quais cumpriu 15, saindo depois em liberdade condicional.

Neide Maia Lopes foi chamada de Frankenstein de saias, mulher-fera, besta-humana e pelo nome impossível de esquecer: A fera da Penha. Tânia Maria Araújo, a pequena vítima, foi chamada de Flor do Campo e no lugar onde seu corpo foi encontrado foi construído um berço para que as pessoas pudessem orar por sua pobre alminha desencarnada.

Cuidado com o tarado! Uh! Socorro!

Ontem fui andar de skate com um amigo no aterro do Flamengo. Começou a chover, ficamos frustrados, mas resolvemos ir ao cinema. No Artplex. Decidimos ver “Menina má.com”. O filme ainda iria demorar uma hora para começar, entramos na livraria que tem dentro do Artplex, que agora me foge o nome. Estava comentando com esse meu amigo que Deus testa minha paciência, colocando em meu caminho DIARIAMENTE pessoas malucas. Nisso, um homem com olhar esquisitíssimo nos olhava. Quando fomos comprar pipoca, o homem nos parou, era quase gago, e piscava muito. “Vocês querem guardar o skate, é?”, perguntou. Respondemos que não, tudo bem. Ele disse coisas que não entendemos direito, falou do festival de cinema, bebidas e comidas em menos de 7 segundos. Tive que inventar qualquer coisa para sair dali, daquele contato. Entramos na sala de exibição (nossa, nunca escrevi isso antes) e fomos sentar lá atrás. Do meu lado esquerdo, esse meu amigo, e do meu lado direito a 3 cadeiras de distância, um homem com seus 50 anos se sentou, sozinho. Pra quem não viu o filme, não vou contar, mas preciso dizer que no início rolam algumas cenas um tanto quanto sensuais, ou que sugerem alguma sensualidade. O homem ao meu lado direito se mexia muito, e quando eu vou ao cinema, sou super concentrada, isso me incomodou. E aos 40 minutos de filme, olhei para o homem, e lá estava, ele e seu pau pra fora. Seu membro. Sua jeba. Sua pica. Pânico. Rewind: o primeiro pau que vi na vida foi no cinema, eu tinha 15 anos e estava esperando minha prima na Conde de Bonfim, na Tijuca. Íamos ao Art Tijuca, um cinema enooooorme, que hoje dá lugar para Leader Magazine. O filme era “Missão Impossível”. Sim, pode rir. É isso mesmo. O homem passou na rua, me olhou e disse: “Vou ver esse filme”. Tremi de medo e quando minha prima Clarisse chegou, eu disse: “Clarisse, vamos sentar nas laterais, ninguém senta nas laterais”. Sentamos, e quando o filme já estava quase para acabar, o homem sentou perto de mim, só não sentou do meu lado, porque minha bolsa estava lá. De repente, as cadeiras das laterais do Art Tijuca começaram a balançar. Pensei: “Porra, Clarisse, pára de balançar a perna”. Mas ela não estava balançando a perna. Olhei para o lado e vi. O primeiro pau duro da minha vida. Nas cadeiras do Art Tijuca. Sempre fui vingativa para desespero iogue de minha mãe, comentei com Clarisse, que sendo mais nova, quase chorou. Levantamos, e ela queria fugir, mas eu sentei atrás do cara, e dei uns 3 chutes na cadeira dele com minhas pernas de um metro cada. O homem se levantou, fechou as calças e disse: “Porra, tava crente que ia rolar uma parada”. E foi assim que meu contato com os doentes mentais disfarçados de pedestres ficou mais intenso. (Antes dos 15 anos, os doidos já apareciam em minha vida, mas não de maneira tão íntima). Então, ontem, ao ver de novo, um tarado de cinema, do meu lado, com pica pra fora, eu querendo me concentrar no filme, pensei: “Ou eu levanto agora e enfio minhas unhas nos olhos dele”, ou… ou… Respira, Letícia, respira. Sua paciência está sendo testada agora. Se mostra evoluída, poxa, é só um pau, calma, respira, as pessoas têm tesão…
Mas é porque ando sensível demais, ou é o tempo, ou porque é outubro, o coração acelerou. O olho encheu de lagriminha. E o filme meio que conta justamente isso. Tarados, pedófilos, meninotas, indefesas ou insanas, vinganças. Ontem não consegui fazer nada. Tive tanto nojo. E não era pra ter, certo? Porque punheta é uma coisa linda, né? Masturbação é uma das melhores coisas do mundo, não é mesmo? Saudável, explicativa e divertida. Mas no cinema, perto de mim, sem eu te conhecer? Opa, peralá. Meu amigo sugeriu que a gente fosse embora, mas poxa, paguei para ver o filme, e quero ver o filme. O final. Troquei de lugar com o amigo. E como o filme parou de ser “engraçadinho-sensual”, e deu-se início a uma vingança surreal, o homem deve ter ficado com medo, pois parou de bater punheta. O filme acabou. Mal os créditos começaram, ele, claro, se levantou para ir embora, ainda tive tempo de gritar: “Punheteiro porco filha da puta, tomara que decepem seu pau”. Mas foi pouco. Desculpa, mas eu não sou iogue que nem minha mãe, que às vezes fecha os olhos e tem um mundo interior riquíssimo e uma força de espelho que só reflete. Eu sou vidro. Essas coisas chegam até a mim. Na saída, encontramos com o maluco quase gago que piscava muito. Ele veio falar com a gente, muito MUITO doente mental. O nome dele era Júlio, mas nessa hora eu já preferia o doente mental do que o punheteiro. Pelo menos a chuva havia parado e lá fui eu dar um rolé, sentir vento nas ventas para me acalmar um pouco. Na boa, vai para o Cine Íris. Ou então faz direito, se esconde mais, senta longe das pessoas. Mesmo. Essa foi a terceira vez que isso aconteceu comigo, e várias amigas já contaram casos de ônibus, metrô e claro, cinema. Da próxima vez, vou dar uma de Maria Dora Arbex.

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Pia de um amigo meu, pra vocês verem como eu sou bem-humorada, e não sou uma chata contra tarados.
R-E-S-P-E-C-T
find out
what it means to me

Farol fora d´água

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Igreja da Penha fotografada por Custódio Coimbra. Ao fundo, o Morro do Alemão

Quando chego ao Rio pela Linha Vermelha (que também é rota de todos aqueles que baixam na cidade pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim), uma das imagens que mais me comovem é a da Igreja de Nossa Senhora da Penha surgindo no horizonte, ali, à direita do carro

Construída há 135 anos no alto de um penhasco de 70 metros, a igreja se destaca no meio da paisagem amarelada e cinzenta da Zona Norte (aliás, hoje em dia a faixa amarelada de poluição se estende por toda a cidade, note - e chore - quando estiver na Linha Vermelha). Quando era criança e via a Igreja da Penha assim de longe, no fim da tarde, quando ela vira uma silhueta incendiada pelo sol, achava que ela era meio mágica. Um lugar que existia, mas não existia, na minha cabeça de moleque. Ficava com um pé no medo e outro no fascínio.

Tá, cresci, mas a verdade é que sinto a mesma coisa até hoje. Eu às vezes penso na Penha, assim, do nada. Penso nela à noite, quando me deito, e a imagino como um vigia quieto na madrugada, um farol de olhos, mais que de luz, que sabe de tudo o que acontece aos seus pés.

Penso assim na Penha e passo a enxergar através dela, o carro solitário do pai de família numa rua vazia da Zona Norte, ele chegando tarde do trabalho e cronometrando com a mulher a operação de abrir-rápido-o-portão, com medo de ladrão, o beijo rápido no bigode, o prato esquentando no microondas enquanto ele tira o sapato e se esparrama pra ver o “Jornal da Globo”.

Penso em homens jogando sinuca num boteco em Ramos, e um deles se afastando da mesa pra secar a lágrima de uma lembrança empurrada pra fora do peito com a música do Gonzaguinha que vai tocando no rádio. Num velho subindo na laje de bermuda e sandália Itapuã, com uma lanterna, pra consertar o ladrão da caixa d’água que não pára de vazar. Penso no barquinho cheio de cocaína que avança apagado na escuridão da Baía de Guanabara em direção ao Morro do Dendê, e sei que a Igreja da Penha vê tudo isso, viu tudo isso nascer, crescer, quando só era um plano de Deus, e que também nos verá morrer e verá morrer tudo isso, porque a Igreja da Penha está e não está no tempo.

CARIOCAS PAGAM PROMESSA. JÁ A LETÍCIA…

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Com quase 400 degraus, as escadarias da Penha são muito usadas por fiéis para pagar promessas, às vezes subindo de joelhos, como nos mostra essa foto aí em cima, do Claudio Lara. Porque carioca gosta de pagar promessa, sabe? Ao contrário da Letícia, que há uma semana lançou uma promoção aqui no blog e deu o calote em geral.

Pelada na praia

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A Associação Naturista do Abricó — ANA — informa que já estão abertas as inscrições para os torneios de volei e futebol que vão acontecer durante o X Congresso Brasileiro de Naturismo, na Praia de Abricó, no Rio, nos dias 2 a 5 de novembro de 2006. Também estão abertas as inscrições para quem desejar participar da oficina de pintura corporal. Abricó é um sucesso. Centenas de pessoas frequentam essa praia e dezenas participam das brincadeiras esportivas. Além do futebol e do volei, tem torneio de peteca, corrida dos pés juntos, corrida do carrinho de mão, ping-pong, ginástica recreativa e bingo. Como é no Rio não pode faltar o pagode e churrasquinho, de lei. Se você for iniciante evite as piadinhas típicas como “eu vou querer a maminha da tia fulana” porque eles consideram isso cansativo e de mau-gosto. E não se empolgue com o clima natural pois é proibido fazer cocô ou xixi na praia. O lance é mais estético, sacou? O naturismo tem regras a serem respeitadas. Não é permitido ter comportamento sexualmente ostensivo e nem praticar atos de caráter sexual (?!) nas áreas públicas. Não vai dar uma de Cicarelli! Também não pode ficar animado e causar constrangimento aos outros com atitudes ditas inconvenientes. É melhor também não fotografar ou filmar os naturistas, sem a permissão deles. Por mais que busquem um modo de vida, digamos assim mais selvagem, eles não são de modo algum animais no jardim zoológico. A praia de Abricó é sem dúvida um refúgio paradisíaco. Cercada por montanhas e pela mata atlântica, ela é área de proteção ambiental e pertence a reserva biológica de Grumari. É possível ir de ônibus — ponto final a 5 km — mas há uma estrada que possibilita o acesso direto à praia.

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Se você não gostar de nenhuma das outras atividades esportivas, se quiser, também pode brincar de roda, pelado. É muito edificante. Eu gostava muito quando tinha dois anos de idade.

fotos encontradas no site da associação

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