Galetos vão direto pro céu

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Olha que o coro tá comendo, o bicho tá pegando,
os governantes não se entendem, o negócio tá preto
e urubu não vem na terra pra pegar seu rango
porque tá com medo de virar galeto – “Medo de virar galeto”, música de Bezerra da Silva

Galeto é aquele franguinho que a gente come sem coração (o dele e o nosso), antes de deixar o bichinho crescer. Galeto é o frando que a gente come quando ele está só começando a largar as fraldas e pedir o DVD do RDB pra mamãe. Morre sem conhecer o álcool e o sexo, coitado do galeto…

Se tem um céu pros galináceos, os galetinhos já estão lá, à espera dos outros – tadinhos… tostados sem um pecadilho! E se existem mesmo essas almas galináceas, o Centro do Rio – provavelmente uma das maiores concentrações mundiais de restauramtes que vendem galeto – é um campo de almas depenadas (perdoem, oh, irmãos, os meus trocadilhos).

Comer um galetinho na hora do almoço é muito mais que uma refeição: é um ato de libertação pessoal, porque ele aproxima o sujeito trabalhador da repoartição do churrasquinho em volta da piscina no fim de semana. Uma vez eu testei isso e perguntei a um terno-e-gravata que devorava um galetinho com as mãos, quase sem ar, em puro transe: “Você está vestindo o quê, amigo?” E ele, com a pupila enorme: “SUNGA! SUNGA, NÃO TÁ VENDO QUE É SUNGA?”

O galeto é um reencontro com a vadiagem, eu diria. Um prato pra sair da rotina, sim sim. Foi por isso que hoje eu almocei um filé de galeto no Príncipe do Galeto, na Avenida Peçanha. Aquele esquema: mesão com nove pessoas do trabalho, todo mundo voltando meia hora atrasado pra firma (e com aquele sorriso macabro nos lábios da pequena chachina galinácea).

Além do Príncipe, recomendo um que galeto que fica na Rua São José (agora não lembro o nome) e o inevitável galeto do Avenida Central, um ponto turístico do Centro.

PRÍNCIPE DOS GALETOS. Avenida Nilo Peçanha, 44 – loja A. Centro
O galeto aberto (arreganhado na chapa, de bruços, e não naquela posição clássica de galeto) está custando R$ 9,90, com acompanhamentos (arroz com fritas e farofa; à campanha; arroz de brócolis, ou à francesa, o meu preferido)

4 Comments so far

  1. Paulo (unregistered) on November 7th, 2006 @ 8:36 am

    Primeira vez que eu morei no Rio de verdade eu tinha 17 anos e estava trabalhando na Brascan no Rio sul (estágio). Eu adorava ir a galeto. Foi num galeto que descubri a laranja suiça.


  2. Gleidson (unregistered) on November 7th, 2006 @ 9:49 am

    Cara… isso é covardia!

    Olha a hora que você posta sobre almoço?! To com uma fome desgraçada!!!


  3. Deborat (unregistered) on November 7th, 2006 @ 11:31 am

    Certa feita, naquele ponto 400 quilômetros do lado de lá da Dutra, comentaram comigo:
    – Pô, meu, carioca gosta mesmo daqueles galetu! É qui nem paulista comi pizza, eles come galeto. Tem pra tudo que é lado. Quando não é aquela televisão de cachorro. Fica os cachorro tudo olhano.


  4. letícia (unregistered) on November 7th, 2006 @ 11:38 pm

    Comer um galetinho na hora do almoço é muito mais que uma refeição: é um ato de libertação pessoal, porque ele aproxima o sujeito trabalhador da repoartição do churrasquinho em volta da piscina no fim de semana. Uma vez eu testei isso e perguntei a um terno-e-gravata que devorava um galetinho com as mãos, quase sem ar, em puro transe: “Você está vestindo o quê, amigo?” E ele, com a pupila enorme: “SUNGA! SUNGA, NÃO TÁ VENDO QUE É SUNGA?”

    PARÁGRAFO MAIS HILÁRIO QUE JÁ LI NA MINHA BREVE VIDA.



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