Meninas, o Rei está lá, esperando que vocês cresçam e sofram de amor
Vi isto no último sábado: uma mulher escolhendo um CD do Roberto Carlos nas Lojas Americanas sob as risadas debochadas de duas meninas, que apontavam as capas da coleção e se entreolhavam como se dissessem: “Que ridículo esse cara”.
Também fazia isso quando minha mãe comprava os discos do Rei. Até que um dia eu senti que, se estou aqui, o Roberto foi um dos que me trouxeram pelas mãos.
Ele está em todos nós, mesmo que a gente negue isso. Está no amor da minha mãe pelo meu pai, provavelmente dos seus pais também (por mais jazzes e rocks que eles tenham ouvido), está tocando no aparelho de som da sala apagada de uma lembrança muito antiga que eu tenho. Está nas minhas dores e nas do taxista enquanto nós dois cruzamos a orla de madrugada, quietos, ouvindo “As Quatro Mais do Rei” numa FM qualquer.
No dia em que eu chorei ouvindo Roberto Carlos pela primeira vez (e aí meu coração, e não meu cérebro, foi capaz de entendê-lo) eu me senti um pouquinho mais brasileiro - e de coração um pouquinho mais surrado, remendado, sem cabacinho.

Capa do álbum de 1979, o meu preferido


eu fazia uma brincadeira com minhas amigas de infância. de chorar. tipo “quem chora primeiro ganha”. Nada funcionava pra mim, eu lembrava da morte da vovó quando eu tinha 7 anos. nada. aí, lembrei duma música do Rei. pá. buá. ganhei :)
Acho que ninguém pode morrer sem participar de um reveillon em Copacabana e sem ver um show do Rei no Maracanazinho. Acreditando nisso, já cumpri os dois ritos. Digo de cadeira, imperdíveis! (pelo menos, por uma vez!)
eu tb demorei a gostar.
mas aí fudeu tb.
detalhes é uma das letras mais absurdas.
“esperando que vocês cresçam e sofram de amor” nessa hora o coração relamente entende … Caralho! Acho que foi a coisa mais perfeita que já ouvi sobre ele!
“esperando que vocês cresçam e sofram de amor” nessa hora o coração relamente entende … Caralho! Acho que foi a coisa mais perfeita que já ouvi sobre ele!
“preciso de ajuda, por favor me acuda
eu vivo muito só”
ui, ui…
os meus preferidos são mais óbvios que os seus: os álbuns de 1969 e de 1971.