O Longboard, a cidade e eu

Meu irmão mais velho andava de skate, e todos os seus objetos da vida, fosse o caderno do colégio ou o boné, carregavam a frase “Skate or die”. Quando ele não estava em casa, eu roubava o skate e passeava no quintal. Primeiro sentadinha. Depois em pé. Excitação máxima. Daí cresci. E ganhei bicicleta, mas nunca morri de amores pela magrela. Meu primeiro namorado, claro, era um skatista. Cujo skate estava meio podre. E dei de presente de 1 ano de namoro, um skate novinho e bacana, montado por mim e por um amigo. Emoção. Em 2004, um amigo me emprestou o longboard dele. E assim como a bicicleta: “Você nunca esquece”, eu também não havia esquecido como se manter em pé naquela base longa e maleável. Mas logo o amigo pediu de volta o long. Uma pena. Com meu ex-namorado, pude dar longas voltas de longboard pela cidade. Centro da cidade domingo à tarde, aterro do Flamengo, ruazinhas da Urca. E eu, que nunca fui de ficar na rua à noite (na rua, eu quero dizer na rua mesmo, literalmente), pude observar mais ratos do que eu achava que pudessem existir. Uma vez quase atropelei um. Baratas eu matei várias. Com a roda do long. Pavor. Eu via que não ia dar pra desviar e CRANCH, matava a barata. Esmagava. O longboard mudou minha vida, minha velocidade dentro da cidade. Agora vou ao dentista de long. Alguns carros quase me atropelam, mas o vento compensa. A Lagoa de madrugada não é tão perigosa assim em alguns trechos como parece. Acho que todo mundo está com tanto medo, que não há ninguém na Lagoa de madrugada. Ninguém. Nem mendigos. Que aliás, sempre me dão tchau quando eu passo por eles, rápida e mulherzinha. É engraçado como a cidade ainda estranha uma mulher fazendo um esporte considerado masculino. Quando eu ando sozinha, ouço todos os tipos de gracinha. Típicos de machistas semi obesos que passam metade da semana no boteco da esquina. Mas se ando acompanhada, os mesmos porcos são incapazes de abrir a boca. A cidade não é preparada para aceitar bicicletas, skate então, nem pensar. Ontem mesmo, domingão, fui para o Aterro com mais duas amigas que também querem aprender (como se eu soubesse ensinar, ahahhaha). Divertido toda vida. Apesar do cheiro de xixi insuportável em certas partes do Aterro.

3 Comments so far

  1. milla (unregistered) on November 22nd, 2006 @ 11:56 am

    Quando eu era mais nova andava de skate… um dia esqueci o bicho na barraca de sorvete… minha mãe deu graças a Deus e proibiu meu pai de me dar outro… O vento era mesmo delicioso! Acho que quero ir com vcs. um dia pro Aterro…

    Ah! Unhas vermelhas em detalhe rápido no vídeo! Máximo!!!


  2. Miatã (unregistered) on November 22nd, 2006 @ 5:53 pm

    base goofy as the owner


  3. letícia (unregistered) on November 23rd, 2006 @ 8:32 am

    ahahaha goofy é vacilo



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