Archive for November, 2006

Carnitas!!!

Um dia eu li no Globo que os moradores estavam preocuopados com a copacabanização de Ipanema e Leblon. Mas o que me preocupa é a leblonização de Copacabana.

Na quarta-feira passada, como de costume, eu e os outros Idiotas estivemos no Azulay, em Ipanema, oportunidade em que pudemos conhecer melhor o Zé, o cara do carrinho de churrasco que de vez quando passa por lá e transforma o que deveria ser apenas uma cerveja entre amigos numa Festa de Babette.

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Carnitas: agora com delivery
(more…)

Ri

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Meninas, o Rei está lá, esperando que vocês cresçam e sofram de amor

Vi isto no último sábado: uma mulher escolhendo um CD do Roberto Carlos nas Lojas Americanas sob as risadas debochadas de duas meninas, que apontavam as capas da coleção e se entreolhavam como se dissessem: “Que ridículo esse cara”.

Também fazia isso quando minha mãe comprava os discos do Rei. Até que um dia eu senti que, se estou aqui, o Roberto foi um dos que me trouxeram pelas mãos.

Ele está em todos nós, mesmo que a gente negue isso. Está no amor da minha mãe pelo meu pai, provavelmente dos seus pais também (por mais jazzes e rocks que eles tenham ouvido), está tocando no aparelho de som da sala apagada de uma lembrança muito antiga que eu tenho. Está nas minhas dores e nas do taxista enquanto nós dois cruzamos a orla de madrugada, quietos, ouvindo “As Quatro Mais do Rei” numa FM qualquer.

No dia em que eu chorei ouvindo Roberto Carlos pela primeira vez (e aí meu coração, e não meu cérebro, foi capaz de entendê-lo) eu me senti um pouquinho mais brasileiro - e de coração um pouquinho mais surrado, remendado, sem cabacinho.

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Capa do álbum de 1979, o meu preferido

These boots were made for walking

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São quase quatro da manhã de domingo. Cheguei há pouco em casa depois de vir andando com meu amigo Manoel Magalhães, com quem estive no open house de uma amiga nossa que se mudou pra Urca dia desses.

Depois de descermos a ladeirona da Avenida São Sebastião, Manolo e eu andamos pelo calçadão da Avenida Portugal, que beira a Baía de Guanabara e suas embarcações ancoradas no escuro. Fizemos o caminho cantando. A luz distante de um barco nos lembrou o farol da ilha de Marina e Antonio Cícero na belíssima “Virgem”, que emendamos na igualmente bela “Não sei dançar”, e daí estávamos na simplicidade eletrizante “Creep”, até que paramos em frente ao Edifício Golden Bay, onde mora o Roberto Carlos, quando diminuímos o passo e fizemos uma silenciosa reverência, salve o Rei, e juramos ter ouvido um som de violão vindo da cobertura (Roberto foi assunto em outro momento da noite, quando a minha amiga, recém-mudada para a Urca, contou-nos sobre o dia em que o cantor a parou na porta de casa e desceu do carro para comentar como era bacana a moto dela).

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Parei na rosa dos ventos feita no chão com pedras portuguesas no final da Avenida Portugal e tirei uma foto virado pra Zona Norte, outra virado pra Zona Sul. Ali, no Iate Clube, as águas da Baía não se mexem, nem os barcos, que mais parecem estacionados num grande pátio de asfalto molhado pela chuva.

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Saímos da Urca, passamos pelo começo da Praia Vermelha, e enfim Botafogo, na rua da Passagem, que nos chegou pelo viaduto da Avenida Pasteur, um dos poucos trechos de rua no Rio onde o trânsito flui “ao contrário”, em mão inglesa, como na terra de Lennon e Bowie, outros dois sujeitos muito citados ao longo da noite.

Na rua da Passagem, Manolo partiu pra casa, depois de encerrarmos o papo no ponto de ônibus, onde peguei meu 464 cheio de zumbis cansados e grogues depois de mais uma noite na Lapa querida.

Brasileiro tem cabelo ruim, diz policial

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Andréia Elisandra Rodrigues, 32, teve os cabelos arrancados à faca nesta terça à noite, quando saía do Habib’s da Estrada do Galeão, na Ilha do Governador. A ação foi muito rápida. O ladrão derrubou-a, sacou de uma faca e fez a tosa, bem na altura da nuca. Este tipo de agressão chegou a ser moda — principalmente na Tijuca, sabe-se lá por que — há cerca de 15 anos. Os cabelos mais visados eram os muito compridos e lisos, como os de Andréia. De acordo com os policiais o fato foi apenas um caso isolado e não há ligação entre o ataque e o comércio de cabelo, já que, ainda segundo eles, o cabelo brasileiro não tem muito valor no mercado de apliques e perucas.

Valeu, mermão!

Acabei de ler o livro “Malu de bicicleta”, do Marcelo Rubens Paiva.
O livro é um romance que conta a vida de Luiz, um paulista, amante das mulheres, um hedonista incorrigível que seduz e atrai os mais diversos tipos de amantes, consegue transas inesquecíveis sem, no entanto, criar vínculos ou compromissos. (Tirei isso do site da editora, ahahhaha)
Após uma fase estressante da vida, Luiz vem para o Rio de Janeiro, tirar umas férias, e conhece Malu no calçadão. De bicicleta. O resto, só lendo.
Mas queria contar um detalhe ótimo que o autor soube perceber muito bem:
Cariocas não falam “obrigado”, cariocas falam “valeu”.
E realmente, em todas as minhas viagens pra fora do Rio, nunca, nunca é muito forte, mas quase nunca ouvi alguém me agradecer por algo com um singelo “valeu”.
E outro dia, conversando com minha vó Régia (depois conto mais dessa senhora maravilhosa que pariu meu pai, e foi uma das primeiras mulheres a se divorciar no Brasil), soltei um “valeu” no final da conversa. E ela ficou: “Valeu é quando tá valendo? É um agradecimento agora, né?” Daí eu disse que sim. E ela: “Tô reparando, menina… tô reparando…”

Valeu, Marcelo Rubens Paiva (o livro é sensacional, e meninas, MUITO esclarecedor).
Valeu, vó Régia.
Valeu, Letícia.

Fim.

Pausa pro café de máquina

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* O céu está assim no Rio. E não tem cara de que vá melhorar no fim de semana. Resultado: todo mundo com cara de bunda, reclamando disso sempre que pode. “O tempo está doido”, dizem. Ouço isso desde pequeno, o que me leva a concluir que o tempo É doido, caótico, imprevisível. Como é que ninguém se acostuma com isso?

* Eu não me importo. Até gosto. Da chuva. Mas carioca não sabe usar guarda-chuva. As pessoas andam de guarda-chuva embaixo dos toldos e marquises, empurrando os que estão sem proteção para as calçadas. “Deveriam proibir isso!”, reclama o velho. Precisa de lei o que só carece de lógica?

* Hoje eu andei de ônibus com um cara que não parava de rir. Ria de tudo, assim, do nada. Não sei se de muito louco ou de muito lúcido.

* Almocei num restaurante vegetariano. Vazio, ao contrário dos outros dias. A culpa não é da chuva, mas da sexta. Sexta-feira é dia de comer na churrascaria. É no almoço de sexta que começam os excessos do fim de semana. Na segunda o vegetariano vai estar com gente até embaixo da mesa. Todo mundo com cara de bunda, de cachorro cagando na chuva, começando dieta, cheio de culpa. Todo mundo instável e imprevisível, como o clima. Preciso me acostumar com isso.

Bons excessos pra vocês - e até segunda.

Pares

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Morro Dois Irmãos, no Leblon. Foto emprestada daqui.

Ontem, numa mesa de mar, as mulheres estavam decifrando para os homens o mistério da menstruação sincronizada. É, se você não sabe, assim como os homens gritam “GOL!” ao mesmo tempo, as mulheres sangram juntas quando estão juntas, seja morando numa mesma casa, viajando juntas, mãe e filha (esqueci de perguntar: e as lésbicas, como sobrevivem? Duas mulheres juntas de TPM deve ser o armagedon do capeta)

O lance é que eu também menstruo junto com uns cidadãos aí. Bom, eu acho que menstruo. São pessoas que eu não conheço, nem de nome, mas que encontro com uma freqüência que me assusta pela improbabilidade, considerando-se o tamanho dessa cidade e a quantidade de gente que circula e vive nela.

Por exemplo: tem um cara com quem eu esbarro quase todo dia no ponto de ônibus quando estou indo trabalhar. O encontrei hoje de novo. Às vezes nos vemos também na volta pra casa. A gente consegue o absurdo de chegar ao mesmo tempo no ponto de ônibus, como se viéssemos em direção ao espelho desde casa. E nós não somos dois doentais mentais que fazem tudo todo dia no mesmo horário. Eu, pelo menos, não saio de casa na mesma hora de segunda a sexta. Tem dias em que eu me atraso, outros em que saio mais cedo, mas mesmo assim encontro o sujeito, o cara de terno, gravata e fones de ouvido - ele já olha pra mim meio bolado.

Esse aí é um caso extremo, mas há outros. Tem um careca de óculos escuros que sempre pega o mesmo ônibus que eu (ele tem a opção de pegar uns 20 por minuto, mas ele pega o meu). O mesmo acontece com uma lourinha, pelo jeito minha vizinha de quadra. E outros, consigo lembrar de mais dois agora.

O que pode ser isso: ou eles me perseguem (mas graças a Deus ainda não cheguei nesse estágio de paranóia) ou então tem gente por aí formatada que nem a gente, e isso fica mais evidente quando vivemos numa cidade grande que abriga mais dos nossos pares. Gente que compartilha conosco aquele mesmo ponto das nossas rotinas.

Quando eu era criança, minha mãe falava de uma teoria nada científica, mas fascinante, de que todo mundo tem uma pessoa idêntica a si em algum ponto do planeta. Quem aí nunca viu uma pessoa na rua que fosse muito parecida consigo? Eu, então, devo ter um shape muito ordinário, porque todo mundo diz que eu pareço com alguém (e esses alguéns costumam ser muito diferentes). Ou dizem que já me viram em algum lugar - e eu sei que não viram.

Talvez não haja tanta variedade humana no mundo como nos quer fazer crer a matemática da genética e suas infinitas combinações. Fatores como cultura, estado, economia, manias e paranóias devem anular a individualidade que deveríamos ter se, por exemplo, entre 8 e 9 horas da manhã metade desta cidade tem que sair de casa e ir para algum lugar ganhar seus trocados. Em outras palavras: de que adiantam teus genes customizados se o mundo geralmente nos oferece tantas possibilidades quanto os quatro sabores de Miojo?

Mas eu tenho esperanças, sabe? Talvez a gente seja o rascunho de alguma pessoa que um dia vai dar certo. Eu, o cara que eu encontro todo dia no ponto, a lourinha que vai no meu ônibus: todos nós croquis de um indivíduo que será melhor que a gente. A evolução sendo feita em paralelo, caso a caso, as cidades como um grande laboratório de ratinhos brancos, 6 bilhões sacrificando-se em seus equívocos pra que lá na frente a gente tenha uns 30 mil seres humanos sensacionais - e o Mundo Perfeito caberia em Barra do Piraí.

Aí um dia em eu e meu par chegaremos no ponto de ônibus na companhia de um terceiro: um cara de terno escuro, gravata vermelha, com cauda e nadadeiras. Vamos nos entreolhar, os três, e aí o cara das nadadeiras vai dar um urro com sua boca sem dentes, largar a pasta e sair correndo pela Hilário de Gouveia em direção ao mar, arrancando os sapatos e o terno, e vai se atirar nas ondas e sumir pra sempre, e sua última lembrança será a gravata vermelha cuspida de volta à areia pela espuma, porque às vezes a evolução do mundo é a involução da espécie.

Pra botar na carteira, no espelho do banheiro, aos pés do santinho

Sentir-se gringo em sua própria cidade não vale, né, mãe?

Se você é o tipo de carioca mané que não sabe que igreja é aquela e quem é o carinha que virou estauta, continua lendo:

Acaba de ser lançada a coleção de postais O Rio que o carioca não vê, que pretende fazer isso aí mesmo: mostrar ao morador do Rio as maravilhas da arquitetura e da história da cidade que ele mal sabe que existem. A primeira fornada traz belezuras como os relógio da Central do Brasil e do Largo da Carioca, a Igreja do Carmo (que por acaso está ficando linda com a reforma), a Escadaria do Convento de Santa Teresa (aquela dos azulejos, na Lapa) e a Ladeira da Misericórida, entre outros.

Como todo postal que se preze, no verso das fotos rola um textinho explicativo sobre o ponto fotografado.

A sugestão da Auge é que os postais sejam distribuídos gratuitamente pelas empresas, como material promocional.

Um projeto bem legal - e que certamente também vai interessar os turistas, porque nem só de bunda e Copacabana vivem os postais do Balneário Bossa Nova!

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Com areia, com afeto

Está acontecendo no Rio a Segunda Copa Fifa de Futebol de Areia, disputada por 16 seleções numa arena montada na praia de Copacabana, perto da Avenida Princesa Isabel (para saber mais, clique aqui). No último sábado, passei por lá e vi um pouco do jogo Portugal e Camarões (foto), vencido de goleada pelos patrícios pelo placar de 10 X 3.

O que me leva a duas piadas inscritas na Copa Mundial de Infâmias da Areia, disputada no Posto 3, aqui em frente de casa:

1. O Fantástico passou por lá com o Inmetro e condenou os Camarões: “No quesito ‘cmida mais contaminada das praias cariocas’, eles só perdem pra seleção do Queijo Coalho”. O fabricante entrou em contato com nossa produção e afirmou desconhecer o resultado do teste: “SINEGATU BAHPULA! SINEGATU BAHPULA!!”

2. O bom desempenho no torneio vem recuperar o orgulho dos portugueses, muito abalados depois do fracasso da Copa Mundial de Basquete de Areia, organizada por eles no ano passado em Cascais.

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