Água mineral
Gosto de passear no mercado à noite. Um dos prazeres de se viver numa cidade grande como o Rio (ou uma das compensações) é contar com a possibilidade de um Pão de Açúcar 24 horas no quarteirão de casa.
Às vezes vou passear motivado por um desejo ou uma necessidade óbvia. Por exemplo: acabo de voltar do mercadp com seis garrafas de água mineral Petropólis embaixo do braço. E vai ser assim daqui pra frente. Não agüento mais beber a água com gosto de moeda que sai dos canos velhos do meu apartamento. Ainda não tinha chegado a essa conclusão apesar de morar aqui há mais de três anos (tenho o paladar delicado de um carroceiro), mas aí um dia eu percebi que não bebia água em casa, mesmo adorando o “precioso líquido” - como diz o meu chefe ao referir-se a ela, a água, pela segunda vez nos textos que escreve. Este é um lar de carioca, meu anjo, mas água aqui só a das serras imperiais.
Mas às vezes vou andar no mercado de madrugada simplesmente pra sair daqui. Desta cadeira, desta sala, da minha cabeça. Vou ao mercado pra mudar de ares e tomar decisões, desencruar idéias, olhar outras pessoas. Se vivesse no século 18 ia enrolar o bigode no bosque. Nascido em 76, vou enrolar o bigode no Pão de Açúcar.
Maria Rosane me atendeu no caixa. Quase pedi a Maria Rosane pra pegar o meu celular e tirar uma foto: eu abraçado às garrafas de água. “É pra mostrar pro pessoal do blog, Rosane. É pra provar que o que eu digo é verdade”.
Comecei a escrever no Metroblogging contando que gostava de ir ao mercado de madrugada. Andei um tempo longe e estou voltando. Partindo do mesmo ponto, o Pão de Açúcar das altas horas. Digamos que este é o capricho estético da minha alma obsessiva.
Também era só pra ter certeza que nada mais será como foi meses atrás. E deixar claro: isto aqui não é um recomeço: é um começo, uma outra história, outro lanceeeeee (de tantos começos quantos sejam necessários, sempre).
“Me dá o troco e esquece a foto, Rosane. Daqui pra frente neguinho vai ter que acreditar em mim, com ou sem foto”.


ai, nuno… ainda não acabei de ler… parei no
“É pra mostrar pro pessoal do blog, Rosane. É pra provar que o que eu digo é verdade” e estou aqui rindo, pq é o tipo de coisa “quem tem medo de poesiiiiiia?” pelado na banheira (ou eu intentei isso da banheira?)
tá, vou voltar a ler.
ai, que beleza.
eu tinha dado muito mais espaço entre “vou voltar a ler” e o “ai, que beleza” pra indicar que voltei a ler e tralálálá, mas não aceitaram.
era isso.
mais espaço.
Você vai ficar legal :)
Zé Ruéla,
Quando quiser desanuviar a cabeça e/ou papear sobre a vida, me ligue e me convoque prum Açaí. Não tenho como adivinhar teus horários, então você também tem o direito de tomar a iniciativa e convidar..