Sinal fechado
Eu sei que ser carioca é estar acostumado a ver a Luana Piovani no calçadão, Chico Buarque dando um mergulho e o Nelson Motta comprando pão de forma na padaria. Mas o negócio é o seguinte: 19 nunca foi 20, e eu nunca me acostumei à nada, violência ainda me choca e ver gente famosa fazendo coisas que todo mundo faz, também prende minha atenção. Quando pequena, eu e Bernardo imaginávamos a Xuxa cagando e passávamos minutos gargalhando. O do Michael Jackson, meu irmão dizia, devia ser todo dia diarréia. Quáquáquá. Como sou tola, meu pai. Pois hoje na rua Real Grandeza, em Botafogo, após um rápido pão com manteiga na chapa e um suco de laranja, fui para o estúdio, ensaiar, cantarolar. A porta do estúdio era estreita, e havia um senhor de costas para a rua, falando alguma coisa para o funcionário do estúdio que estava lá em cima (a porta dá de cara com uma escada). Fiz a famosa dança de quem quer passar por um lado, e o corpo da pessoa no caminho vai para o mesmo lado, daí você muda a direção, e adivinha só, a pessoa também muda a direção indo para o mesmo lado. Cansei da dança e falei para o senhor: “Opa, dá licença aqui, rapidinho?” O senhor virou rápido e ali estava Paulinho da Viola, com aquele sorriso de Paulinho da Viola, me dizendo: “Ô, desculpa, minha flor”
Ri idiota “minhaflorminhaflorminhaflor” e subi as escadas querendo voltar e dizer:
Olá, como vai
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe?
Quanto tempo…
Pois é, quanto tempo…
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios…
Qual, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo, talvez
Nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo…
Pois é, quanto tempo…
Tanto coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa rapidamente
Pra semana…
O sinal…
Eu procuro você…
Vai abrir!!! Vai abrir!!!
Eu prometo, não esqueço, não esqueço
Por favor, não esqueça
Adeus… Adeus…


Repetindo: na minha área, sempre vejo Eduardo Dusek, Billy Blanco, Guilherme Karam e metade do elenco do “Edifício Master” (os meus preferidos).
Mas nenhum deles jamais me chamou de minha flor (comentário cheio de mágoa).
eu tb nunca me acostumo a encontrar o louzadinha (é, o avô que apanhava da neta má numa dessas egotrips do manoel carlos) na hora do jantar. e olha que já comemos juntos há uns três anos!
:)
maíra, come back.
(:
Depois de três anos jantando juntos, o avô da Dóris já é praticamente seu avô, Maíra.
Ou seja: PODE METE-LHE A PORRADA!
maíra, acho que moramos na mesma redondezas. sempre vejo ele na hora da janta e suspiro:
- ufa, ele ainda ta vivo!
vcs moram na mesma rua, queridis.
maíra, natércia
natércia, maíra
letícia, puta saudade! não consegui nem as beiradas de restos. me chateou isso. puta vergonha tb. :\
nuno, é uma boa teoria. e acho que ficarei mais à vontade mesmo na próxima sopa, porque o cara é chato pra caceta.
natércia, salve! moramos na mesma rua?? prazer. biscui hoje à noite? rererere
beijos em todos, tô sempre por aqui.
Ai, Meu Deus! Foi um Paulinho que passou na sua vida!