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Cavalo é aquele bicho que caga andando, diz a Enciclopédia Britânica. Esse traço pitoresco do garboso quadrúpede confere-lhe uma invejável praticidade (imagina que bom você poder andar por aí cagando, como o seu avô) mas também é imagem de descaso, daí a expressão cagando e andando.

Culturalmente, fomos condicionados a guardar o espetáculo de nossa higiene pessoal e de nossos excrementos para o espaço mais íntimo de que dispomos. O elo perdido entre o homem e o resto do reino animal é o banheiro do boteco.

Porque a cultura é sábia, oras. Umas das receitas para um bom casamento é que marido e mulher tenham banheiros separados, dizem os mais experientes. A imagem do ser amado sentado na privada arrancando um canto de unha no dedão do pé pode ser fatal.

No entanto, há gentes que não se incomodam em levar suas higienes à público. Usam o tempo de que dispõem em espaços públicos para tirar o atraso do cotonete e do sabonete. Ontem, dividindo um banco de ônibus com um senhorzinho (3/4 pra ele, 1/4 pra mim), que abriu a pasta-escritório e foi de Copacabana ao Centro conferindo bilhetes de loteria (“Tomara que ele ganhe na loteca e compre logo um carro!”, roguei emocionado em minha generosidade), lembrei-me de um sujeito que, certa vez, decidiu aproveitar o tempo livre na condução para cortar as unhas. Ao meu lado.

Sim, o cara sentou, sacou os óculos de leitura e o chaveiro-corta unha e mandou ver. Só via as lascas de unha avançando pelo corredor como passarinhos secos. Desci do ônibus quando ele já estava no mindinho da mão direita, mas deduzi que, pelo tempo de viagem que ele ainda teria pela frente, dava pra aparar os pêlos da orelha e raspar o calcanhar.

Aquele seria um cavalo se não fosse a calça jeans.

Pensamentos de ônibus 1: Quando for ao mercado, desconfie dos produtos que exaltam as
próprias virtudes, tipo “Café Saboroso” ou “Salgadinhos Quero Mais”. Pode apostar, amigo: o café é uma merda e o salgadinho tem cheiro de vômito de Cheetos naquele ônibus quente em direção à Região dos Lagos. Aliás, os publicitários são mestres em inventar atributos improváveis para as coisas. Onde há mimo num fubá pra que ele seja Fubá Mimoso? Onde fica toda a emoção de Coca-cola? Não sei vocês, mas eu rio muito do ridículo dos anúncios.

Pensamentos de ônibus 2: A regra acima também vale para as pessoas. Assinado: Nuno Legal.

3 Comments so far

  1. letícia (unregistered) on December 14th, 2006 @ 1:28 pm

    nunoooooooooooooo!!!!

    lembrei do “eu deixei a água destampada, ela ADQUIRIU um gosto de comida…”


  2. Gleidson (unregistered) on December 14th, 2006 @ 2:01 pm

    Na casa de um amigo meu, a água tem gosto de leite. Às vezes vem com gosto de alho!

    Isso que dá deixar água destampada! :P


  3. Cid Andrade (unregistered) on December 20th, 2006 @ 5:30 pm

    Nunex, lembra do novo sabão em pó ARIEL, o único “COM MARIDOS IDEAIS EM SUA FÓRMULA”..? :-)

    ps. Águra destampada na geladeira e/ou em recipientes reutilizados é ASQUEROSO..



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