Caixa de saída

Querido B,

Nunca esqueci daquelas tardes no parque Lage. E eu sabia que você gostava de mim, eu gostava muito de você, mas nunca quis concretizar nada, pois daria muito trabalho. Seu amigo holandês tem a pele boa? Só quero isso agora. A Dani bebeu muito outro dia e disse que você é o cara. As sobrancelhas dela tremeram muito. Deu pra ver que ela sentiu, sabe? Já voltei de Paraty. Trouxe 3 cachaças. Minto. Duas. Virei uma agora há pouco. Eu amo banana, baby. Do Brasil, não saio. Do Rio, então. Se eu for praí vai ser esquema 3 semanas. Não me seqüestre. Me leva para todos os coffe shops. Aqui no Rio a situação tá tensa. Prenderam o Alex, aquele meu dealer, lembra? Gente boa até. Fazia faculdade de economia na PUC, lembra? Uma vez a gente se encontrou no cinema e a gente não tinha papo a não ser maconha… Você lembra disso? Era você comigo? Bem, ele foi preso. É. Estou na seca máxima. Preguiça de ir atrás de outros contatos e medo absoluto de ir parar num morro. I’m not getting any younger… Ah! Outro dia fiquei amiga de um menino de 7 anos no Palácio do Catete. Ele repetia o início de todas as frases. Uma coisa gago, só que com as palavras inteiras. Constatei que ele vai ser um homem interessante com 33 anos. Ele usava uma blusa verde musgo.
“Os patos, os patos, eles… eles… mergulham só quando faz calor… mergulham….” e “Eu estudo… eu estudo…. de dia… é, de dia” Outra coisa: abriram a gruta do Palácio. Entrei e fiquei sozinha por uns 2 minutos. Não me senti no Rio. Uma coisa São Tomé das Letras, sabe? Mas daí 3 mosquitos me picaram, e você sabe como eu incho. Foi dose. Tô com novas manias de “Foi barra” ou “Foi dose”. Não sei de quem peguei.
Gostei da coisa do governo deixar de lado as senhas. Eu sempre esqueço as minhas. Você tem que me buscar no aeroporto, jamais saberei falar o nome da tua rua para o motorista de táxi. Por aqui tudo verde. Eu ia dizer azul, mas olhei agora para a janela de onde me encontro e só vi verde. Estou no clube do Montanha, no Alto da Boa Vista. Depois te explico porquê. Tem uma piscina natural muito gelada, mas eu gosto. É como se o meu corpo fosse uma grande bala Halls quando eu saio. Não sei como é a sensação de estar num país baixo. Uma coisa perto do núcleo da Terra, né? Será que o solo é mais quente? Nossa, quanta merda estou falando. Resumindo: a Dani te ama, eu sou sua amiga, realmente estou magra, vai preparando o amigo holandês (se ele tiver a pele boa) e pode levar a cachaça para o coffe shopp?
Quero fundar uma nova era.
Banana weed, baby.

Ps do Ps: Mongol, eu não gritei “eu tô criativa”. Eu bradei: “eu sou criativa”. Outro dia foi barra, estava lá no Mineiro tomando um bolo de um doceiro, e a velha chegou e disse: “Hum… hoje acho que você precisa desse aqui tal tal tal, que traz mais amor próprio” Agora se choca: eu comprei. Ridícula. Acendi um e fui andando sozinha pelos trilhos até a Lapa. Durou até quase a Lapa. Infelizmente não aumentei meu amor próprio, pelo contrário. Estou magra porque não estou bem, esse mail foi o alívio do dia. Você sabe que eu tenho bochechas.

Meu irmão manda lembranças e diz que sempre vai na sua parte do site da agência. Não sei do que ele está falando. Sou uma amiga desnaturada, só tenho amor para te dar. Serve?

Ciça.

2 Comments so far

  1. Juliana (unregistered) on December 17th, 2006 @ 11:41 pm

    Você tem umas tiradas ótimas! Corpo parecendo bala Halls foi super! Me senti assim hoje no mar gelado do Arpoador. Valeu, garota.


  2. dsd (unregistered) on December 18th, 2006 @ 2:06 pm

    gênia.



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