Archive for December, 2006

Happy New Year!

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Está resolvido. Entre as minhas decisões de ano novo está ir embora dessa cidade no fim do ano de 2007. Chega! Basta! Enough! É hábito comum por aqui tomar decisões de ano novo, fazendo promessas de coisas aparentemente impossíveis de se realizar durante o ano, normalmente, sem o espocar dos fogos de artifício no alto de nossas cabeças. Alguns querem parar de beber ou fumar, emagrecer, fazer um curso, mas eu quero é me mandar. Demorei pra entender isto mas, afinal, caiu a ficha. Na verdade fui convencido pela maioria dos que moram aqui, cariocas ou não, que o Rio é uma merda, mesmo. Não é brincadeira não! Nos últimos dois meses ouvi de várias pessoas que Brasília, São Paulo, Londres, Paris, Nova Iorque, mas também Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Londrina e Salvador são lugares muito melhores para se viver do que o Rio de Janeiro. Em verdade vos digo, isso se dá graças ao altíssimo nível de exigência daqueles que moram aqui. Os moradores da cidade são, invariavelmente, seres excepcionalmente bem dotados em sensibilidade habitacional, de modo que esta cidade, estes cheiros, esta história de reis e malandros, estas montanhas, este sotaque, as celebridades em cada esquina, esta fama e apelo singular, toda esta praiosidade, enfim, por demais perturba a sua natureza requintada, nobre, bem-estudada, caprichosa e mal-acostumada no bom sentido, que não se satisfaz com pouco. Deve ser isto. Pra quem já está acostumado com a beleza de si mesmo, com a sua biografia imaculada, limpa, sem papéis no chão, deve ser um tormento ter de dividir seu espaço com tanta gente desqualificada e mal-educada e entre tantos absurdos inadmissíveis, tais quais carros estacionados na calçada, gente urinando na rua, etc e etc, essas coisas que a gente reclama sempre, enchendo o peito para vaticinar que os brasileiros são assim e assado e os cariocas então, nem se fale.
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Roaming roaming roaming

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Cavalo é aquele bicho que caga andando, diz a Enciclopédia Britânica. Esse traço pitoresco do garboso quadrúpede confere-lhe uma invejável praticidade (imagina que bom você poder andar por aí cagando, como o seu avô) mas também é imagem de descaso, daí a expressão cagando e andando.

Culturalmente, fomos condicionados a guardar o espetáculo de nossa higiene pessoal e de nossos excrementos para o espaço mais íntimo de que dispomos. O elo perdido entre o homem e o resto do reino animal é o banheiro do boteco.

Porque a cultura é sábia, oras. Umas das receitas para um bom casamento é que marido e mulher tenham banheiros separados, dizem os mais experientes. A imagem do ser amado sentado na privada arrancando um canto de unha no dedão do pé pode ser fatal.

No entanto, há gentes que não se incomodam em levar suas higienes à público. Usam o tempo de que dispõem em espaços públicos para tirar o atraso do cotonete e do sabonete. Ontem, dividindo um banco de ônibus com um senhorzinho (3/4 pra ele, 1/4 pra mim), que abriu a pasta-escritório e foi de Copacabana ao Centro conferindo bilhetes de loteria (”Tomara que ele ganhe na loteca e compre logo um carro!”, roguei emocionado em minha generosidade), lembrei-me de um sujeito que, certa vez, decidiu aproveitar o tempo livre na condução para cortar as unhas. Ao meu lado.

Sim, o cara sentou, sacou os óculos de leitura e o chaveiro-corta unha e mandou ver. Só via as lascas de unha avançando pelo corredor como passarinhos secos. Desci do ônibus quando ele já estava no mindinho da mão direita, mas deduzi que, pelo tempo de viagem que ele ainda teria pela frente, dava pra aparar os pêlos da orelha e raspar o calcanhar.

Aquele seria um cavalo se não fosse a calça jeans.

Pensamentos de ônibus 1: Quando for ao mercado, desconfie dos produtos que exaltam as
próprias virtudes, tipo “Café Saboroso” ou “Salgadinhos Quero Mais”. Pode apostar, amigo: o café é uma merda e o salgadinho tem cheiro de vômito de Cheetos naquele ônibus quente em direção à Região dos Lagos. Aliás, os publicitários são mestres em inventar atributos improváveis para as coisas. Onde há mimo num fubá pra que ele seja Fubá Mimoso? Onde fica toda a emoção de Coca-cola? Não sei vocês, mas eu rio muito do ridículo dos anúncios.

Pensamentos de ônibus 2: A regra acima também vale para as pessoas. Assinado: Nuno Legal.

Sinal fechado

Eu sei que ser carioca é estar acostumado a ver a Luana Piovani no calçadão, Chico Buarque dando um mergulho e o Nelson Motta comprando pão de forma na padaria. Mas o negócio é o seguinte: 19 nunca foi 20, e eu nunca me acostumei à nada, violência ainda me choca e ver gente famosa fazendo coisas que todo mundo faz, também prende minha atenção. Quando pequena, eu e Bernardo imaginávamos a Xuxa cagando e passávamos minutos gargalhando. O do Michael Jackson, meu irmão dizia, devia ser todo dia diarréia. Quáquáquá. Como sou tola, meu pai. Pois hoje na rua Real Grandeza, em Botafogo, após um rápido pão com manteiga na chapa e um suco de laranja, fui para o estúdio, ensaiar, cantarolar. A porta do estúdio era estreita, e havia um senhor de costas para a rua, falando alguma coisa para o funcionário do estúdio que estava lá em cima (a porta dá de cara com uma escada). Fiz a famosa dança de quem quer passar por um lado, e o corpo da pessoa no caminho vai para o mesmo lado, daí você muda a direção, e adivinha só, a pessoa também muda a direção indo para o mesmo lado. Cansei da dança e falei para o senhor: “Opa, dá licença aqui, rapidinho?” O senhor virou rápido e ali estava Paulinho da Viola, com aquele sorriso de Paulinho da Viola, me dizendo: “Ô, desculpa, minha flor”
Ri idiota “minhaflorminhaflorminhaflor” e subi as escadas querendo voltar e dizer:

Olá, como vai
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo, quem sabe?
Quanto tempo…
Pois é, quanto tempo…
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios…
Qual, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo, talvez
Nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo…
Pois é, quanto tempo…
Tanto coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa rapidamente
Pra semana…
O sinal…
Eu procuro você…
Vai abrir!!! Vai abrir!!!
Eu prometo, não esqueço, não esqueço
Por favor, não esqueça
Adeus… Adeus…

Água mineral

Gosto de passear no mercado à noite. Um dos prazeres de se viver numa cidade grande como o Rio (ou uma das compensações) é contar com a possibilidade de um Pão de Açúcar 24 horas no quarteirão de casa.

Às vezes vou passear motivado por um desejo ou uma necessidade óbvia. Por exemplo: acabo de voltar do mercadp com seis garrafas de água mineral Petropólis embaixo do braço. E vai ser assim daqui pra frente. Não agüento mais beber a água com gosto de moeda que sai dos canos velhos do meu apartamento. Ainda não tinha chegado a essa conclusão apesar de morar aqui há mais de três anos (tenho o paladar delicado de um carroceiro), mas aí um dia eu percebi que não bebia água em casa, mesmo adorando o “precioso líquido” - como diz o meu chefe ao referir-se a ela, a água, pela segunda vez nos textos que escreve. Este é um lar de carioca, meu anjo, mas água aqui só a das serras imperiais.

Mas às vezes vou andar no mercado de madrugada simplesmente pra sair daqui. Desta cadeira, desta sala, da minha cabeça. Vou ao mercado pra mudar de ares e tomar decisões, desencruar idéias, olhar outras pessoas. Se vivesse no século 18 ia enrolar o bigode no bosque. Nascido em 76, vou enrolar o bigode no Pão de Açúcar.

Maria Rosane me atendeu no caixa. Quase pedi a Maria Rosane pra pegar o meu celular e tirar uma foto: eu abraçado às garrafas de água. “É pra mostrar pro pessoal do blog, Rosane. É pra provar que o que eu digo é verdade”.

Comecei a escrever no Metroblogging contando que gostava de ir ao mercado de madrugada. Andei um tempo longe e estou voltando. Partindo do mesmo ponto, o Pão de Açúcar das altas horas. Digamos que este é o capricho estético da minha alma obsessiva.

Também era só pra ter certeza que nada mais será como foi meses atrás. E deixar claro: isto aqui não é um recomeço: é um começo, uma outra história, outro lanceeeeee (de tantos começos quantos sejam necessários, sempre).

“Me dá o troco e esquece a foto, Rosane. Daqui pra frente neguinho vai ter que acreditar em mim, com ou sem foto”.

Polaroides

Volto pra casa à tarde no 461 lotado e fico de pé, bem à frente da menina morena que dorme sentada com o seu cabelo preso em rabo de cavalo, a cabeça tombada pra frente mergulhada em uma sacola de papel da Shop 126, enquanto segura, esquecida, uma carta escrita à mão com uma esferográfica azul. Tento ler indiscretamente o seu conteúdo de letras meio infantis. Diz lá, aqui e ali, “simplesmente”, “janeiro” e “outro amor”.

*
Enquanto isto os dois colegas de trabalho se aproximam do fundo do ônibus. Têm vinte anos. Um muito branco, um metro e noventa ou mais, um passageiro quase alemão, fica à minha direita de pé. O outro, um neguinho, baixinho e franzino, à minha esquerda, de pé. Eu entre os dois. Tem inicio a conversa:
- Periquito falou que roubaram o celular dele lá dentro no serviço. Começa o alemão.
- Isso é o que ele diz! Responde o neguinho. Isso é o que ele diz!
- Falou que levaram, na moral!
(…)
- Alguém viu ele entrar com o celular? Arrombaram o armário dele?
(…)
- Falou que custou dois mil na loja.
- rá-rá! e aquele ali tem celular de dois mil? Comprou celular de noventa e diz que é dois mil. (…) Ele fez beó? fez beó? Não fez é porque ninguém roubou é nada, tá ligado? Aí depois do beó ainda tem que fazer queixa na delegacia, aí sim…
- Ainda tem isso. Conclui o alemão.

*
A menina segue dormindo, cabeça dentro da sacola, carta meio amassada na mão direita.

Spots para beijar na boca

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Assim como o Roberto, o Rio é muito romântico. O Rio pede um beijo na boca. O Rio diz baixinho no seu ouvido que você é a mulher mais linda, que você é o homem mais amado, que sem você, eu não viverei. Não, eu não viverei. Mas, elegi alguns lugares, spots, cromaquis naturais da cidade maravilhosa, para você atuar, em uníssono com as batidas do coração do seu amásio, o beijo apaixonado da última cena de amor.
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Neve falsa, Bethânia & luzes

Já é natal na Leader Magazine. Já é natal na porra toda. Um natal com neve, diga-se de passagem. Eu acho engraçado essa coisa de “diga-se de passagem”. Resíduos da minha mãe em mim. As Lojas Americanas estão brancas de neve artificial que fede tanto quanto espuma de carnaval. A pizza na minha blusa indica: eu não sei o que é neve. Vez ou outra chove, e como disse o motorista do 415 de hoje: “É aí que a temperatura do inferno sobe”. Logo depois da chuva. Maria Bethânia no Rio é sempre uma coisa. A bicha faz 5, 7 shows, e eles esgotam em horas. Eu não consegui, claro. Me chama de brega, mas eu gosto de luz. Essas luzes de Natal são bonitas. Também odeio o trânsito da Lagoa por causa da árvore, acho brega luz em formato de estrela cadente, mas têm umas que me param. A do Botafogo Praia Shopping. O carro lá no aterro, 90km/h, e o shopping ali acesão. Esqueço que é shopping. E vira luz. Foco de luz. O meu prédio favorito do Rio também está com luz. O Biarritz. No aterro também. Lindão. A casa ao lado esquerdo da minha é de uma senhora muito simpática, viúva e vó de 2. Todo ano ela faz uma decoração natalina (o nome da minha rua é natalina, rá!). Tem um homem que ajuda a martelar os pregos, diga-se de passagem. Mas as idéias são todas dela, ela faz questão de ressaltar. Queria um homem que me ajudasse a abrir o pote de azeitona e ficasse horas parado comigo, olhando as luzes e comendo as azeitonas.Fica aqui a luz da casa 14 da rua Natalina:

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Essa foi em 2004.

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Essa foi em 2005.

PS: Você percebe que não posta há muito tempo quando vai se logar e ERRA a senha.
Shame on me.

Campari & Malibu à vontade.

Olá amigos metroblogueiros & afins,
Vou aproveitar, como uma hera, o jabá deste espaço e convidá-los para o lançamento do meu livro Az Mulerez.

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Um trem chamado samba e a viagem que continua

Em teoria, no último sábado 02 de dezembro o Rio de Janeiro entrou num trem da Central do Brasil pra comemorar o Dia Nacional do Samba. Só na teoria. Na prática, o Rio de Janeiro entrou no trem pra pandeirear os pandemônios nossos de cada dia, levando o desgracê lá longe e deixando as energias boas da cuicagem telecutearem com o tamborim incendiário que amolece os quadris. E longe é láááá nos cafundós pra quem praticamente só conhece o rio pra turista (pros que tem a pouca vergonha de não conhecer o resto desta cidade de tantas cidades). Longe é Oswaldo Cruz, parada final do trem do samba e ponto de chegada da farra que enche a alma de música, alegria, mocotó e reflexões que se prolongam vida adentro.

Numa ensolarada tarde de sábado partiu a cigana da caatinga em direção à Central do Brasil, trocando um quilo de feijão por um bilhete de ida para uma estação que ela jamais havia ouvido falar. No vagão de janelas emperradas, ela era mais uma sardinha enlatada entre a) um sovaco cabeludo cujo dono encontrou no teto do trem seu balacobaco e b) umas senhoras animadíssimas entoando todas as batidas com seus bundões de 2km². Espremida, a cigana ainda conseguiu sambarolar uns “vai vadiáááááá, vai vadiáááááá, vai vadiáááááá, vai vadiááááááá”, mas tava na cara que ela era turista da zona sul que só samba na Lapa e acha que isto já lhe dá autoridade para dizer que entende de samba (entre uma das grandes descobertas da noite, ela descobriu que é ainda mais ingnorante do que imaginava).

Meia hora de aperto, sovacada na cara, fedor de coisa queimando além dos trilhos e sorrisos imperando na cara e o trem pára na estação final. A mulherada desce em polvorosa: são litros e litros de urina acumulados em centenas de bexigas explodindo de cerveja, tentando se aliviar ainda ali nos trilhos do trem, alívio este interrompido por um segurança que pede pra que pelamordedeus não façam isto com ele. E elas riem e imploram, afinal mijar na rua não deve ser privilégio apenas de macho, que não precisa pedir licença. Os direitos iguais devem sem garantidos até mesmo na sem-vergonhice.

Oswaldo Cruz é subúrbio. Suburbão. Daqueles que grande parte da zona sul nunca ouviu falar, não sabe apontar no mapa, nem tem o menor interesse em conhecer. Daqueles que no folheto da programação ainda precisa se explicar para o povo da zona sul que lá em O.C. o povo da zona sul não precisa se preocupar não, pois se o povo da zona sul tiver bolsa pra guardar, a dona da casa vai levá-las para um quartinho bem seguro e ainda oferecer água pra matar a sede do povo da zona sul. Tava lá escrito na programação, não foi invenção da cigana.

Lá por trás do canal fedorento, tão podre quanto o do Leblon (pelo menos no Rio de Janeiro o fedor é igual para todos), depois de ser espremida pra passar entre a multidão e barracas de salsichões apetitosos para estômagos famintos e mulheres carentes, a cigana e sua trupe fincaram acampamento na roda de samba de uma casa de quintal grande, galinheiro enfeitado com bolas natalinas e um banheiro externo em forma de casinha. A casa, aberta a qualquer fã de samba ou aventureiro que por ali quisesse aportar, pertencia a uma senhorinha de 93 anos, fã de Zeca Pagodinho e avó da genuinamente simpática senhora de bermuda de lurex coladérrima no corpo (de pelo menos uns 20 kg acima do padrão Posto 9 Coqueirão de ser). Essa mesma senhora fritava hambúrguer e calabresa acebolada bem ao lado da mesa onde o grupo da cigana regava o bucho com cerveja, afinal cabelo que se preze tem mais é que ser defumado. Essa mesma senhora que, agradável surpresa, engatou num francês trés bien, merci beaucoup, ao descobrir que entre os amigos da mesa havia uma francesa original. E fez até crepe especial, hours menu, para aquele grupo de visitantes que, entre dois cariocas, incluía um grupo de estrangeiros: uma francesa, um chileno e três pernambucanas. Crepe maravilhosamente degustado, acompanhado de caldo de mocotó e angu a baiana, exatamente como manda o Celidônio. A cigana lambia os beiços e pedia mais.

O final da noite no quintal aconteceu embaixo de uma frondosa mangueira, com todos pagodeando na roda que tinha puxada pra entoar até o sol raiar, mas a trupe já havia descoberto e experimentado o encantador mundo de O.C, lá onde a senhora de lurex e seu companheiro convidam os recém amigos a dormir nas suas casas caso estejam cansados pra voltar (”as mulheres na minha casa e os homens na casa dele”). Olhem só, quem sabe até um case pra entrar no panfleto da programação do ano que vem. Mas bom mesmo seria se o subúrbio não tivesse que dar satisfações.

O epílogo desta jornada ainda está em andamento na vida da cigana, após algumas reflexões extremamente lugar-comum mas de fato tão pouco pensadas: 1) que do outro lado do Rebouças o Rio de Janeiro é negro. Preto, mulato, negão, negona, tição. Lindo. 2) Que na verdade, como bem colocou uma das cariocas da trupe, é ela quem mora num gueto chamado zona sul.

E ainda bem que existe o samba pra unir vários lados de uma mesma cidade.

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