Archive for January, 2007

Vigilantes paralisados

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A Juliana escreveu aqui outro dia, no post Ensaio técnico da Sapucaí — eu fui, mas cadê a polícia???? sobre a ausência de policiamento num ensaio da Sapucaí. Agora leio no OGLOBO que o salário dos vigilantes está atrasado e por isso eles teriam entrado em greve.

Estranho… A segurança de um local público desta dimensão é feita por vigilantes da iniciativa privada?

Da série O EROTISMO NOSSO DE CADA DIA – Metrô

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Cenas registradas pelo olhar da vossa blogueira
Nota: tem que ler as duas historinhas pra fazer sentido

A saia I

Ela entrou na Uruguaiana e sentou-se em frente ao rapazinho de terno azul e sapatos gastos. Ele acompanhou a traseira da sua comportada saia lilás na altura do joelho roçar a barra de apoio dos que viajam em pé. Ela sentou-se à sua frente, no único lugar desocupado do vagão. Parecia exausta após um dia de trabalho de cão em algum prédio escuro e bolorento do Centro.

Ele começou a degustá-la por baixo: pernas bem depiladas com uma tatuagem de elfo na batata esquerda; uma bolsa imitação Louis Vuitton sobre as largas e agarráveis ancas; um decote em V profundo na justíssima blusa rosa que deixava à mostra a marca do biquíni do domingo e a medalhinha de ouro de Nossa Senhora entre os seios volumosos. Ele esqueceu completamente que era quarta-feira e que o Flamengo jogava no Maracanã.

Durante todo o trajeto ela olhou para cima, para baixo, para os lados, seguindo fielmente os guidelines do olhar metroniano, ou seja, alheio a tudo e a todos e, sobretudo, alheio aos olhos gulosos do seu voyeur em movimento. Na Glória, ela tirou da bolsa o gloss melancia e aplicou-o com esmero, apertando levemente os lábios para que não escorresse pelos cantos da boca. Então, lentamente, descruzou as pernas e afastou-as, deixando à mostra o objeto-final do desejo dele.

Pego em flagrante silencioso no Flamengo, o voyeur desviou o olhar pela primeira vez em toda a viagem, numa reação de total surpresa com o improvável. Porém o magnetismo de uma calcinha branca amparada por um par de coxas infinitas trouxe o olhar de volta ao centro do universo.

O mundo dele ruiu justamente quando ele já havia mandando o Mengão ir às favas: ela desceu sem dar sinal algum que desceria em Botafogo, no segundo anterior ao fechamento das portas. Mas, para sua surpresa, o inacreditável: ela parou em frente ao vagão, mexeu o cabelo para o lado e sorriu um sorriso cheio de gloss.

A saia II

Ela entrou na Uruguaiana e sentou-se em frente ao rapazinho de terno azul e sapatos gastos. Ele acompanhou a traseira da sua comportada saia lilás na altura do joelho roçar a barra de apoio dos que viajam em pé. Ela percebeu tudo pelo canto do olho e sentou-se à sua frente, no único lugar desocupado do vagão.

Ele começou a degustá-la por baixo: pernas bem depiladas com uma tatuagem de elfo na batata esquerda; uma bolsa imitação Louis Vuitton sobre as largas e agarráveis ancas; um decote em V profundo na justíssima blusa rosa que deixava à mostra a marca do biquíni do domingo e a medalhinha de ouro de Nossa Senhora entre os seios volumosos. Ele esqueceu completamente que era quarta-feira e que o Flamengo jogava no Maracanã.

Até a Cinelândia ela olhou para cima, para baixo, para os lados, tentando disfarçar o olhar para que parecesse tipicamente metroniano, ou seja, alheio a tudo e a todos, menos aos olhos gulosos do seu voyeur em movimento.

Foram breves, mas determinantes minutos: na Glória, ela tomou a decisão que a libertaria após um dia de cão aturando bronca de patrão em algum prédio escuro e bolorento do Centro.

Gesto planejado milimetricamente de improviso, tirou da bolsa o gloss melancia e aplicou-o com esmero, apertando levemente os lábios para que não escorresse pelos cantos da boca. Então, lentamente, olhando para o final do vagão sem fazer contato visual com seu interlocutor silencioso, mas acompanhado tudo pelo telescópio periférico do seu olhar, descruzou as pernas e afastou-as, exibindo em primeiro plano o objeto final do desejo dele.

Pego em flagrante silencioso no Flamengo, ele desviou o olhar pela primeira vez em toda a viagem, numa reação de total surpresa com o improvável. Porém o magnetismo de uma calcinha branca amparada por um par de coxas infinitas trouxe o olhar de volta ao centro do universo.

Era Botafogo, e o fogo já havia tomado conta dela.

Para que ele não a seguisse, ela desceu no segundo anterior ao fechamento das portas. E para concluir a aventura, posicionou-se em frente ao vagão, mexeu o cabelo para o lado e lhe sorriu um sorriso cheio de gloss.

Seis delírios de verão e um patchwork

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1. Depois de 28 verões trabalhando como gerente do Mundial, a voz da consciência de Peçanha já não é a dele, mas a do locutor do supermercado: “Olha aí, Peçanha… Por que é que você mentiu pra tua mulher? Não pode, Peçanha! Não poooode… Então vai lá e diz a verdade pra ela, Peçanha. É, vai lááá! Mas antes passe na nossa seção de laticínios e aproveite a superpromoção do iogurte Lacleite, olhaí…”

2. Enquanto chupa um picolé de cicuta, o calouro do IFCS tenta entender por que a Rua do Ouvidor quase não tem orelhão.

3. “A melhor coisa do mar é quando a onda vem aqui, me lambe as mãos e depois se deita e me deixa catar tatuí na barriguinha dela…”

4. Tão calorento que de manhã cedo sentava na Enseada de Botafogo pra aproveitar as sobras de brisa deixadas pela velha japonesa fazendo tai chi chuan.

5. “Tá tão quente que Fulano fritou um ovo no asfalto. E eu, que pus um?”

6. Toda vez que sentia saudade, entrava num bar & lanchonete, virava uma pinga e ia andar no olho do meio-dia: “É só pra ter certeza de que eu ainda tô vivo apesar de você, maldita”

Ou seja: Depois de 28 anos de trabalho duro, a voz do locutor do Mundial resolve tirar umas férias de verão e vai chupar picolé de cicuta e catar tatuí na Enseada de Botafogo, onde se agacha e põe um ovo sob o sol de meio-dia: “Olha aí, meu amor: vem aproveitar a superpromoção do meu coração. A superpromoção do meu coração”.

Samba com Zé Carioca

A melhor parte começa 04:20. Adoro.

Tá quente aí?

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Apesar de ser uma região autônoma, a Groelândia — ou Groenlândia, ou também Gronelândia — ainda faz parte do Reino da Dinamarca, aquele mesmo, do Hamlet. Ela é a maior ilha do mundo e tem 84% do território coberto por uma capa de gelo. Tem ao norte o Oceano Glacial Ártico, ao leste o Mar da Groelândia, ao sul o Oceano Atlântico e a oeste o Mar do Labrador. A língua oficial é o groelandês mas se você falar dinamarquês dá pra se virar bem. Suas águas são gélidas, obviamente, e repletas de icebergs. A foto acima, do francês Marc Deneyer, retrata alguns deles, na região de Ilulissat. A grande vantagem da Groelândia é que lá não tem mosquito, já que as larvas não sobrevivem às suas baixíssimas temperaturas. A outra grande vantagem é que graças a sua culinária à base de peixes e animais marinhos — rica em ácidos graxos da série Omega-3 — os esquimós, seus habitantes nativos, além de apresentarem teores de colesterol e triglicérides bem abaixo dos ocidentais, praticamente não desenvolvem doenças coronarianas e hipertensão. Também são raríssimos a artrite reumatóide, as dermatoses, o diabetes e a obesidade. A terceira grande vantagem da Groelândia é que lá os esquimós têm mais de 140 palavras para definir “gelo” e conseguem distinguir mais de 130 tons de branco, o que, convenhamos, a essa altura do campeonato, é algo fundamental.

Ensaio técnico da Sapucaí — eu fui, mas cadê a polícia????

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Conforme noticiou hoje a coluna do Ancelmo Gois, no O Globo, o ensaio técnico da Mangueira e da Beija-Flor levou 60 mil ontem à noite para sambar e torcer na Sapucaí. Eu estava lá, no meio da muvuca verde e rosa na arquibancada do setor 11, cantarolando um samba e aquecendo os quadris para a folia. O Ancelmo noticiou que faltou ambulância, mas eu noticio aqui que faltou polícia também! Felizmente não vi confusão alguma, mas será que as autoridades não se deram conta que grandes multidões + carnaval + cerveja são ingredientes para uma possível combustão espontânea? ACORDA, CABRAL!

Cinema versus Copacabana

“Pra quê? Isto aqui é melhor que xinema!” – Seu Francisco, sócio da Adega Pérola, apontando para o balcão do bar no dia em que eu perguntei se ele gostava de ir ao cinema em suas folgas de domingo.

Acabo de assistir ao filme “Babel” no Cine Roxy, aqui em Copacabana, o metro quadrado com mais gente idosa do Sistema Solar. E na sessão das 15h10, a preferida dos velhinhos.

Terminado o bom drama do mexicano Alejandro González-Iñárritu, uma senhora encara a subida dos créditos em pé, no corredor lateral da sala, e fala, com o rosto sério: “Forte o filme!” Ela não foi a única a sentir a história.

Corta a cena rápido (como gosta o Iñarritu), e já estamos na rua, na saída do cinema, com o dia ainda claro. Um homem de jaleco branco está sentado numa banquinha na esquina oposta à do cinema. Serviço oferecido: verificação de pressão sangüínea. Vi pelo menos duas senhoras (dessas velhinhas que andam em dupla, apoiando-se mutuamente) desgarrando-se da manada pós-“Babel” para sentar e fazer o exame.

Vou tentar não ser leviano no meu relato: não tenho certeza se esse enfermeiro está sempre lá. Eu, pelo menos, nunca o notei. Mas a conclusão a que chego diante da equação Copacabana + cinema à tarde + Babel = velhinhos angustiados, é que ele vai ter um bocado de trabalho nessa temporada de filmes dramáticos concorrendo ao Oscar. Pelo menos depois da matinê da terceira idade no Cine Roxy.

É a promessa de vida no teu coração

jobimmayor.jpgOne evening there came into his soul the desire to fashion an image of ‘the pleasure that abideth for a moment’. And he went forth into the world to look for bronze, for he could only think in bronze.

But all the bronze of the whole world had disappeared, nor anywhere in the whole world was there bronze to be found, save only the bronze of ‘the sorrow that endureth forever’. Now this image he had himself and whith his own hands fashioned and had set it on the tomb of the one thing he had loved in life. On the tomb of the dead thing he had most loved had he set this image of his own fashioning that it might serve as a sign of the love of man that dieth not, and a symbol of the sorrow of man that endureth forever. And in the whole world there was no other bronze save the bronze of this image.

And he took the image he had fashioned, and set it in a great furnace, and gave it to the fire. And out of the bronze of the image of ‘the sorrow that endureth forever’ he fashioned an image of ‘the pleasure that abideth for a moment’. The Artist (Oscar Wilde)

Ontem o carioca Tom Jobim fez 80 anos. Sim. Não tem outra forma de pensar nele a não ser vivo. O texto acima, em inglês arcaico, fala da coragem de se sacrificar o eterno pelo efêmero. O certo pelo incerto. É o risco supremo que todo grande artista tem que correr. Pra fazer o que fez, ele arriscou. Quando eu era moleque o Tom foi lá em casa. A gente ia se mudar pra Bahia e pôs a casa pra alugar. Eu não o vi porque estava na garagem, mas minha irmã, que o atendeu, mostrou o imóvel e lembra até hoje do sensível e alcoólico pedido do maestro: – Meu amor, será que você teria um sonrisal pra me arrumar…

Livre associação no Museu da República

alice.JPG Alice

anda

engraçado


gar%C3%A7a.JPG assim como

a

garça

que

me

deu

um

susto

pato%20osmbra.JPG assim como

o

pato

que

prefere

a

sombra


velha.JPG assim como
a

senhora

que

não

tem

medo


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assim como
o
marreco
que
vai
fazer
3
anos


assim como
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Alice.

Extra! Extra! Botafogo enfrenta Madureira em reedição da final de 2006

tres.jpgO Botafogo parte para a conquista do bicampeonato estadual enfrentando o vice-campeão, Madureira, em sua estréia, hoje às 21h45, no Maracanã. Antes, em jogo preliminar, jogam Fluminense x Friburguense.

O time alvinegro terá três estreantes em campo. Metade dos jogadores que formam a linha defensiva da equipe foram recém contratados. Os laterais Flávio e Iran e o atacante Luís Mário vão vestir, pela primeira vez, a gloriosa camisa que já foi de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Gerson e Jairzinho. Dodô, fora de forma, não está escalado. Boa sorte molecada!

Na foto, da esquerda pra direita, os estreantes Flávio, Iran e Luís Mário.

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