O ministro quer sair de férias

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Engenheiro civil, bacharel em matemática e doutor em ciências políticas e adminsitrativas, Manuel Buarque de Macedo nasceu no Recife no dia primeiro de março de 1837 e morreu em 27 de agosto de 1881. Em seus 44 anos de vida, notabilizou-se como homem público, responsável por diversas e importantes obras. O ponto mais alto de sua carreira foi a ocupação do cargo de ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas de Dom Pedro II.

Por conta disso, em todo o Brasil há uma série de avenidas, ruas, pontes, escolas e até navios batizados em homenagem a Buarque de Macedo. No Rio de Janeiro, ele é rua no bairro do Flamengo e estátua na Avenida Marechal Câmara, no Centro (foto).

E como estabelece o Manual de Boas Maneiras das Estátuas e Bustos, Buarque de Macedo está há décadas segurando-se na mesma pose severa, com a espinha esticada, olhando o futuro com a autoridade de bandeirante que desbravou o passado. Tudo a sua volta mudou – menos ele. O Império caiu, a República subiu, e no embalo de golpes e ditaduras a cidade e o país cresceram. O Rio ficou mais quente, menos verde, mais barulhento. O fraque sumiu do mapa, as saias ficaram curtas, e Machado de Assis, seu subordinado no ministério, passou a ganhar a vida como contador de histórias, virou clássico, imortal, rua e estátua, assim como o chefe.

No entanto, apesar do gênio e da bravura, e das homenagens que ainda lhe rendem nos anais da história, Buarque de Macedo está cansado. Cansado de ser estátua. Entediado de ser Buarque de Macedo. O tempo passa, passam as chuvas, os verões e os pombos, e a imortalidade em meio aos mortais (essa crueldade) começa a ficar penosa.

Inveja do homem que atravessa a rua correndo no sinal vermelho, pulando como um gato entre os carros.
Inveja do rapaz de bermuda e camiseta, e mais ainda: das coxas da morena que ele carrega pela mão.
Vontade de descer dali e tomar uma laranjada bem gelada no bar da esquina, bater perna por aí e ver o que fizeram dessa cidade que ele tanto amou e, mais que isso, sonhou.

Inesquecível, insubstituível, inoxidável, gênio da raça, salve salve!!!, no fundo Buarque de Macedo padece do mesmo mal de toda estátua: uma inveja profunda do homem comum e mortal, do homem que não merece virar estátua, mas que por ainda sê-lo (homem e mortal) está por aí se lambuzando de vida, a boa e velha vida – esta sim inesquecível insubstituível inoxidável, até quando vida ordinária. Esta sim digna de virar estátua.

5 Comments so far

  1. J. Menezes (unregistered) on January 24th, 2007 @ 11:27 am

    Em 2016, uma estátua minha.
    Viva e verás.


  2. Gleidson (unregistered) on January 24th, 2007 @ 2:46 pm

    Pombos sofrem de amor platônico por estátuas.
    Sabe… esses amores que, só de olhar o amado, dá caganeira. Eles não fazem por querer…


  3. Nuno Virgílio Neto (unregistered) on January 24th, 2007 @ 2:52 pm

    Hahaha!! Que é isso, rapá? Tá maluco?

    Já fiz merda, mas nunca me caguei por amor não…


  4. LP (unregistered) on January 24th, 2007 @ 3:16 pm

    Quem ama não mata. Nem caga. Só peida, mas mesmo assim escondido no banheiro.


  5. Gleidson (unregistered) on January 25th, 2007 @ 8:01 am

    É… eu confundi friozinho na barriga com caganeira!
    Sorry, dude!



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