De ponto em ponto

… sair do trabalho com o céu ainda claro e ir andando pelas ruas do Centro: Rio Branco, Ouvidor, Gonçalves Dias: “A letter from home”, do Ulrich Schnauss, nos ouvidos: estalar os dedos e ir dançando como dá entre os camelôs que esperam a chuva pra vender guarda-chuva: parar na Casa Cavé, pedir um café, uma água e um pastel de Belém e pensar que a felicidade pode custar apenas R$ 6 e um pouco de tempo livre: mas que apesar disso dinheiro não traz felicidade, e que se dinheiro não traz felicidade não faz sentido que haja tanta guerra e tanta dor no mundo por causa de (excesso ou falta de) dinheiro: subir a Sete de Setembro olhando o rosto das pessoas e desejando fotografá-los todos, saber seus nomes, ouvir suas histórias, porque todas aquelas pessoas foram a mesma pessoa algum dia, e todo homem no fundo é qualquer homem: lembrar que a vida passa rápido, e que a melhor coisa que poderíamos fazer era nos amarmos mais, amarmos no nosso limite, até cairmos cansados: e que uma cidade não é nada mais que a possibilidade do contato, a oportunidade do abraço, a chance dourada do encontro: e uma pessoa é a Caixa de Primeiros-Socorros das Feridas do Mundo, onde ainda estão guardadas a esperança, a solidariedade e a justiça, apesar de tanta prova em contrário a cada metro de rua caminhado: todos nós debaixo deste céu queremos o quanto de amor houver pra nós, mas é pena que às vezes a gente procure por ele em lugares tão errados: o homem que fuma nervoso e gesticula violentamente para que o ônibus pare e o leve para outro lugar: o jornaleiro que suspira cansado na porta da banca depois de 13 horas de trabalho duro: a mulher que se apóia numa árvore para descolar um papel de bala que grudou no salto do sapato: o mendigo que ri do ridículo constrangedor do mundo: nada pode ser mais bonito, nada pode ser mais importante que eles: todo homem é qualquer cidade: todo homem vale mais que qualquer cidade:

9 Comments so far

  1. babi (unregistered) on January 24th, 2007 @ 2:08 pm

    bom eu não desisti do cobal não, para falar a verdade eu gosto de lá, a busca no google foi só pra pegar uns telefones de barzinho!!po apesar de td imagem negativa declarada aqui, eu vou lá msm assim!!!ainda comemorar meu niver..só espero q nao chova!!!se nao já eraaa!
    bjs

    ps: nao consigo pensar em outro lugar pra colocar umas 30 pessoas..e sei lá!eu gosto!!!o q posso fazer?!?!


  2. Gleidson (unregistered) on January 24th, 2007 @ 2:43 pm

    Posso ir?! Posso ir?!

    Eu sou melhor que essa cidade! Você também, Babi! O Nuno também!

    A única vez que fui na Cobal foi quando saí do Mariuzinn do Centro com uma gaúcha (não, ela não era loira) e uns colegas. Foi legal, mas nunca mais a vi.


  3. Bruna Facci (unregistered) on January 24th, 2007 @ 3:13 pm

    Olha, Nuno, eu acho que a resposta é a gente olhar o próximo como a nós mesmos. Com carinho, solidariedade, amor, compaixão, educação, respeito, mais união entre familiares, vizinhos, amigos e principalmente acreditar que todo ser humano tem o melhor dentro de si: a própria vida… Bjs e muita paz para todos nós. B)


  4. Gleidson (unregistered) on January 24th, 2007 @ 3:16 pm

    Também acho isso.
    Infelizmente não fazemos parte da maioria, Bruna.

    Free hugs!!!


  5. J. Menezes (unregistered) on January 24th, 2007 @ 5:02 pm

    Depois está o caminho que foi ensinado há dois mil anos – o de vencer o mal com o bem, o qual é meu caminho, o caminho que Jesus ensinou.

    Nunca perca a fé: o caminho de Deus está destinado a prevalecer.


  6. letícia (unregistered) on January 24th, 2007 @ 6:55 pm

    não vou nem falar nada


  7. Ângela (unregistered) on January 24th, 2007 @ 8:24 pm

    que bom que existem homens que vêem além dos homens e cidades, Nuno ;*


  8. souphã (unregistered) on January 25th, 2007 @ 12:40 am

    profeta porque dentro de profeta cabem duas palavras.

    &

    uma frase sua que eu não esqueço:

    “amanhã vou encher o cu de sono!”

    AHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA (minha gargalhada de down)


  9. mariana (unregistered) on February 1st, 2007 @ 12:40 am

    “é pena que às vezes a gente procure por ele em lugares tão errados”

    :)



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