Archive for January, 2007

De ponto em ponto

… sair do trabalho com o céu ainda claro e ir andando pelas ruas do Centro: Rio Branco, Ouvidor, Gonçalves Dias: “A letter from home”, do Ulrich Schnauss, nos ouvidos: estalar os dedos e ir dançando como dá entre os camelôs que esperam a chuva pra vender guarda-chuva: parar na Casa Cavé, pedir um café, uma água e um pastel de Belém e pensar que a felicidade pode custar apenas R$ 6 e um pouco de tempo livre: mas que apesar disso dinheiro não traz felicidade, e que se dinheiro não traz felicidade não faz sentido que haja tanta guerra e tanta dor no mundo por causa de (excesso ou falta de) dinheiro: subir a Sete de Setembro olhando o rosto das pessoas e desejando fotografá-los todos, saber seus nomes, ouvir suas histórias, porque todas aquelas pessoas foram a mesma pessoa algum dia, e todo homem no fundo é qualquer homem: lembrar que a vida passa rápido, e que a melhor coisa que poderíamos fazer era nos amarmos mais, amarmos no nosso limite, até cairmos cansados: e que uma cidade não é nada mais que a possibilidade do contato, a oportunidade do abraço, a chance dourada do encontro: e uma pessoa é a Caixa de Primeiros-Socorros das Feridas do Mundo, onde ainda estão guardadas a esperança, a solidariedade e a justiça, apesar de tanta prova em contrário a cada metro de rua caminhado: todos nós debaixo deste céu queremos o quanto de amor houver pra nós, mas é pena que às vezes a gente procure por ele em lugares tão errados: o homem que fuma nervoso e gesticula violentamente para que o ônibus pare e o leve para outro lugar: o jornaleiro que suspira cansado na porta da banca depois de 13 horas de trabalho duro: a mulher que se apóia numa árvore para descolar um papel de bala que grudou no salto do sapato: o mendigo que ri do ridículo constrangedor do mundo: nada pode ser mais bonito, nada pode ser mais importante que eles: todo homem é qualquer cidade: todo homem vale mais que qualquer cidade:

O ministro quer sair de férias

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Engenheiro civil, bacharel em matemática e doutor em ciências políticas e adminsitrativas, Manuel Buarque de Macedo nasceu no Recife no dia primeiro de março de 1837 e morreu em 27 de agosto de 1881. Em seus 44 anos de vida, notabilizou-se como homem público, responsável por diversas e importantes obras. O ponto mais alto de sua carreira foi a ocupação do cargo de ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas de Dom Pedro II.

Por conta disso, em todo o Brasil há uma série de avenidas, ruas, pontes, escolas e até navios batizados em homenagem a Buarque de Macedo. No Rio de Janeiro, ele é rua no bairro do Flamengo e estátua na Avenida Marechal Câmara, no Centro (foto).

E como estabelece o Manual de Boas Maneiras das Estátuas e Bustos, Buarque de Macedo está há décadas segurando-se na mesma pose severa, com a espinha esticada, olhando o futuro com a autoridade de bandeirante que desbravou o passado. Tudo a sua volta mudou - menos ele. O Império caiu, a República subiu, e no embalo de golpes e ditaduras a cidade e o país cresceram. O Rio ficou mais quente, menos verde, mais barulhento. O fraque sumiu do mapa, as saias ficaram curtas, e Machado de Assis, seu subordinado no ministério, passou a ganhar a vida como contador de histórias, virou clássico, imortal, rua e estátua, assim como o chefe.

No entanto, apesar do gênio e da bravura, e das homenagens que ainda lhe rendem nos anais da história, Buarque de Macedo está cansado. Cansado de ser estátua. Entediado de ser Buarque de Macedo. O tempo passa, passam as chuvas, os verões e os pombos, e a imortalidade em meio aos mortais (essa crueldade) começa a ficar penosa.

Inveja do homem que atravessa a rua correndo no sinal vermelho, pulando como um gato entre os carros.
Inveja do rapaz de bermuda e camiseta, e mais ainda: das coxas da morena que ele carrega pela mão.
Vontade de descer dali e tomar uma laranjada bem gelada no bar da esquina, bater perna por aí e ver o que fizeram dessa cidade que ele tanto amou e, mais que isso, sonhou.

Inesquecível, insubstituível, inoxidável, gênio da raça, salve salve!!!, no fundo Buarque de Macedo padece do mesmo mal de toda estátua: uma inveja profunda do homem comum e mortal, do homem que não merece virar estátua, mas que por ainda sê-lo (homem e mortal) está por aí se lambuzando de vida, a boa e velha vida - esta sim inesquecível insubstituível inoxidável, até quando vida ordinária. Esta sim digna de virar estátua.

Vozes do além

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Com a popularização desses celulares que as pessoas colocam dentro do ouvido, eu ando no Centro e não sei se eles estão loucos ou falando ao telefone, se eles estão falando ao telefone com o doutor Luis Gustavo Magalhães de Brito, grande tributarista e excelente parceiro de squash, ou se estão debatendo com a voz de um anjo, se estão falando com a mulher chata, que a essa hora já liga com uma listinha de compras do Lidador para o jantar de hoje à noite, ou se estão confirmando o que diz Joana D’Arc, a moça que lhes dá conselhos táticos e místicos sobre a guerra entre França e Inglaterra e sugere que o Listerine seja trocado por outro enxaguante bucal sem álcool.

Demência 2

image005.jpgChuva e mosquito,
Mosquito e chuva,
Violência,
Chuva,
Calor,
Chuva,
Mosquito,
Violência,
Calor, calor insuportável,
Chuva,
Mosquito, chuva e calor,
Chuva, muita chuva, temporal e mosquito,
Mosquito,
Mosquito, mosquito pra caralho,
Calor,
Mosquito,
Violência,
Chuva,
Mosquito,
(…)

Minha primeira vez na Pista 3

Ontem fui conhecer a Pista 3, novo clube da cidade e mais um ovinho na cesta do Grupo Empresarial Casa da Matriz Investimentos e Corporações & Sons Ilimitada.

Tava rolando a festa Norótica, com a mesma turma de Djs da sempre muito boa Phunk!. A Pista 3 fica na rua São João Batista, em Botafogo, no mesmo prédio ocupado até pouco tempo pelo nômade Bukowski, o Clube Andarilho do Rio, que agora foi pra rua Álvaro Ramos, também em Botafogo - mas (dizem alguns) até maio poderá acompanhar o movimento das andorinhas e migrar com elas para o Canadá.

A proposta da Pista 3, pelo que eu saquei, não tem mistério: é dar espaço às festas de outros produtores da cidade e agendar noites de rock, eletrônico, hip hop e funk. Na verdade, a Pista 3 se explica pelo nome: é uma extensão natural da Casa da Matriz, que fica ali do lado (e tem duas pistas…)

O lugar não tem nada de mais, nem de menos. Pra ser sincero, achei tudo muito igual ao Bukowski (até o público). Tirando a reforma - dói no coração imaginar como aqueles banheiros novos em folha poderão estar daqui a um ano - e o deslocamento da cabine do DJ do alto para a altura da pista, não vi nada de muito novo. A disposição dos ambientes não foi alterada, e continuam rolando a pista embaixo e o bar/lounge lá em cima.

A ti, Pista 3, os nossos desejos de vida e longa e sucesso. É uma alegria quando os corajosos produtores e DJs da noite carioca ganham mais um espaço para fazer suas festas - e a rapaziada pode contar com mais uma pista de baile pra descascar o Vulcabrás.

Considerações gerais da noite de ontem:

1. Definição de uma querida amiga pro jeito Phunk de ser: “Isto aqui é o indie funk!”

2. Poucas coisas são mais ridículas como os manés que vão a uma boate e ficam impacientes com as gatinhas que não dão mole pra eles. Ontem vi alguns assim, circulando que nem mosca em cima de bicho morto.

3. A garota tava dançando com um cara e me olhando. E me olhando… Aí veio em minha direção e falou no meu ouvido:
- Escuta, você fuma maconha?
- Não mais - respondi.
- Ah, que pena… É que eu tô ali dançando com o meu amigo, e aí a gente queria fumar um, mas a gente não sabe apertar. Aí eu pensei que talvez você soubesse, e quisesse apertar um pra gente, porque eu queria muito fumar um com você.

Gente criativa é outro nível, né não?

Keep it, coming love! Keep it, coming love!

amaury%20e%20marcelo.jpgDon’t stop it now, don’t stop it, no, don’t stop it now… É, foi um sucesso a comemoração de mais uma primavera do querido Marcelo Nóbrega — o fundador dessa jossa aqui, o Metroblogging Rio. Nosso amigo não é mais parte presente do grupo, entretanto, é parte futuro. O festejo ocorreu ontem na Adega Pérola, reduto histórico da boemia carioca e número um absoluto no quesito acepipes e tira-gostos variados. Destaque absoluto para as presenças de Theodomiro Paulino, Preta Gil, Arnaldo Jabor, Grazi e Alan, Athayde Patrese, Narcisa Tamborindeguy, Amaury Junior, Gloria Maria, Lulu Santos e J. Menezes. Apesar do calor desconcertante a turma não se fez de rogada e cantava alegremente: - Arrá, urrú, ô Marcelo eu vou comer o seu rollmop.

Categorias

Ontem minha primeira prima casou em Santa Tereza. Minha vó reclamou da dificuldade de se chegar na mansão alugada para a festa. “Não sei como alguém pode morar aqui…” Minha prima disse para o noivo-marido: “Sempre pensei que felicidade era o que acontecia quando eu não estava triste… nunca pensei que felicidade pudesse ser um estado constante. A verdadeira felicidade não explode, como pensam… ela acontece…” Ou algo assim. Sei que achei bonito prá-caraleo. Lagriminhas, primeira prima, aquela coisa. Daí a festa acabou, peguei carona com um amigo pra descer até à Lapa, pra pegar um táxi. No caminho encontrei meu amigo egípcio, conversamos um pouco, ele quer fazer uma performance na Carioca ou na Cinelândia, que irá se chamar:
III PIQUENIQUE DO GASS - GRUPO DE APOIO AOS SOBREVIVENTES DO SUICÍDIO. Achei engraçado, dei tchau ao Habib e enquanto caminhava pela Lapa, resolvi brincar de “feliz x triste”. Uma brincadeira que inventei outro dia e que agora estou com mania. A brincadeira consiste em olhar nos olhos das pessoas e dizer mentalmente ou em voz baixa (por favor!), se a pessoa é triste ou feliz. Uma vez no centro da cidade, brinquei disso. Contabilizei muitos tristes e poucas pessoas felizes. Acabei tendo que criar uma categoria de “confusos”: pessoas que eu olhava, olhava e não sentia firmeza nem na felicidade, nem na tristeza. Na Lapa, contabilizei MUITOS “confusos”.
Daí cheguei à conclusão que:
pessoas andando, sorrindo e sozinhas, ou estão apaixonadas. Ou o sobrinho nasceu. Ou ganharam um aumento. Fui andando pela Lapa, sozinha, brincando. O travesti na rua do Lavradio que me olhou, era “triste”. O rapaz em frente ao Arco Íris que me olhou, era “confuso”. O jogo só dá pra ser jogado com quem te olha. Encontrei uma garota com quem eu estudei. “Feliz”. A amiga dela era “confusa”. Olhei pra dentro de um bar, o garçom me olhou, querendo saber se eu queria mesa. “Triste”. Fiquei cansada. Entrei num táxi, o motorista era “feliz”. Cheguei em casa, meu pai via um filme. “Feliz”. Me olhei no espelho e vi: “Confusa”.

Quantas pessoas felizes você vê ao longo de um dia da sua vida? E tristes? E confusas?

Demência

FHLP13_z.jpgCalor, violência, mosquito,
Violência, mosquito, calor,
Mosquito, calor, violência,
Calência, vioquito, moslor
Caquito, violor, moslência,
Caco de vidro, violino, demência.

foto

Êla é karriôka, êla é karriôka…

Naomi.jpg

O prefeito Cesar Maia quer que a supermodelo Naomi Campbell seja a embaixadora do Rio de Janeiro no exterior.

Vamos ver se a moça tem cacife pra superar o inesquecível Ronald Biggs.

Manifesto pelo sol

dan%C3%A7a%20do%20sol.JPG

Cariocas, gringos aqui presentes e não-cariocas residentes dessa cidade:

Gostaria de convocá-los para uma dança macabra pelo sol.
Amanhã, ao meio dia, nas pedras do Arpoador, todos os presentes deverão ficar pelados, pular 10 vezes e iniciar sua dança particular. O contato coletivo não poderá ser feito. Durante a dança, que contará com a participação de flautistas hippies, moradores de São Tomé das Letras, Minas Gerais, a palavra “sol” deverá ser dita, gritada e sussurrada 11 vezes. Nessa ordem exata: dita, gritada e sussurrada.
Momento “você sabia?”
Você sabia que a luz solar demora cerca de oito minutos para chegar na Terra?
Portanto, a dança terá apenas oito minutos de duração.
Esperamos assim, que o astro-rei fique feliz, e resolva aparecer. Nem que seja para uma breve visita de final de semana. Será mais do que bem vindo.

Obs: Pessoas de sunga ou biquíni não serão aceitas nas pedras.

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