De ponto em ponto
… sair do trabalho com o céu ainda claro e ir andando pelas ruas do Centro: Rio Branco, Ouvidor, Gonçalves Dias: “A letter from home”, do Ulrich Schnauss, nos ouvidos: estalar os dedos e ir dançando como dá entre os camelôs que esperam a chuva pra vender guarda-chuva: parar na Casa Cavé, pedir um café, uma água e um pastel de Belém e pensar que a felicidade pode custar apenas R$ 6 e um pouco de tempo livre: mas que apesar disso dinheiro não traz felicidade, e que se dinheiro não traz felicidade não faz sentido que haja tanta guerra e tanta dor no mundo por causa de (excesso ou falta de) dinheiro: subir a Sete de Setembro olhando o rosto das pessoas e desejando fotografá-los todos, saber seus nomes, ouvir suas histórias, porque todas aquelas pessoas foram a mesma pessoa algum dia, e todo homem no fundo é qualquer homem: lembrar que a vida passa rápido, e que a melhor coisa que poderíamos fazer era nos amarmos mais, amarmos no nosso limite, até cairmos cansados: e que uma cidade não é nada mais que a possibilidade do contato, a oportunidade do abraço, a chance dourada do encontro: e uma pessoa é a Caixa de Primeiros-Socorros das Feridas do Mundo, onde ainda estão guardadas a esperança, a solidariedade e a justiça, apesar de tanta prova em contrário a cada metro de rua caminhado: todos nós debaixo deste céu queremos o quanto de amor houver pra nós, mas é pena que às vezes a gente procure por ele em lugares tão errados: o homem que fuma nervoso e gesticula violentamente para que o ônibus pare e o leve para outro lugar: o jornaleiro que suspira cansado na porta da banca depois de 13 horas de trabalho duro: a mulher que se apóia numa árvore para descolar um papel de bala que grudou no salto do sapato: o mendigo que ri do ridículo constrangedor do mundo: nada pode ser mais bonito, nada pode ser mais importante que eles: todo homem é qualquer cidade: todo homem vale mais que qualquer cidade:


Chuva e mosquito,
Don’t stop it now, don’t stop it, no, don’t stop it now… É, foi um sucesso a comemoração de mais uma primavera do querido Marcelo Nóbrega — o fundador dessa jossa aqui, o Metroblogging Rio. Nosso amigo não é mais parte presente do grupo, entretanto, é parte
Calor, violência, mosquito,
