Janis

A foto, feita ontem com o celular em uma planta na rua Barão da Torre, em Ipanema, não ficou boa, mas isso aí é o exoesqueleto de uma cigarra. Pra quem não conhece o Rio, o canto de uma cigarra no alto de uma amendoeira é a manisfestação mais evidente de que sim, chegamos ao verão.
Como a tia Maria Luiza explicou naquela aula de ciências, e como nos ajuda a lembrar o Manual dos Curiosos, as cigarras são insetos que passam a maior parte da vida embaixo da terra, época em que se chamam ninfas e se alimentam da seiva das árvores. Um ano depois, elas saem pro mundo e vão concluir seu ciclo de vida, fixando-se em algum lugar e abandonando seu exoesqueleto (essa carcaça que lhes envolve o corpo).
Nessa etapa final da vida, que dura poucos dias, os machos cantam para atrair as fêmeas e fecundá-las, dando origem a novos ovos, que darão origem a novas ninfas e etcétera e tal. O órgão que produz o canto característico dos machos localiza-se no abdômem. Às vezes o esforço feito pelos machos é tão grande que eles morrem e caem das árvores em pleno canto, o que criou aquela de que as cigarras estouram quando cantam.
Billie Holliday, Maysa, Cazuza, Kurt Cobain, Jim Morrison e Elis Regina foram algumas das cigarras mais famosas de todos os tempos. Cigarras que não resistiram ao longo e intenso verão da vida.
Essa aí da foto, por causa dos cabelos cor de milho, eu batizei de Janis Joplin.


cantou, morreu, fez sol
Elas deveriam continuar debaixo da terra! Eu ODEIO cigarras! É uma cólera infernal!
E vou matar o Sean!
Caro Nuno, com este texto você prestou louvável e singela homenagem à fabulosa Jane, que juntamente com seu parceiro de vida e de arte, o Herondy, criaram verdadeiras obras de arte da música brasileira, sobremodo o clássico “não se vá” que tem versos de beleza impar:
Não se vá
Não me abandone por favor
Pois sem você vou ficar louco
É o ciúme que está nos separando pouco a pouco
não sabia que você entendia tanto de cigarras :)
aí eu choro… uh-au au!
fui eu.