20 minutos no 415

A graça de ouvir histórias alheias em coletivos.
Capítulo de hoje – “Compaixão, indignação e Humor Nonsense”

Certa vez, peguei o 415 ali na Heitor Beltrão(Tijuca), logo
após a Marquês de Valença. Entrei, parei na frente do trocador e pedi pra passar
direto porque eu estava com uma mochila e minha guitarra na mão. O senhor da poltrona
foi gente fina e fez sinal para eu passar. Sentei no banco próximo a ele e enquanto
catava meus níqueis para pagá-lo, uma senhora de mais ou menos uns 50 tantos anos,
contava aterrorizada e indignada que em algum local próximo, naquela mesma tarde,
uma criança fora achada perto de um canal.

A mulher contava ao trocador que o nenémfora deixada com roupinha e com a carteira de vacinação
em dia. Eu, impressionado, passei a prestar atenção à história daquela mulher. Ela nao entendia
como uma pessoa tinha coragem de deixar um ser tão pequeno e indefeso à beira de um canal sujo e
imundo e com a cartelinha de vacinas completa. A senhora ficara com lágrimas nos olhos e ao mesmo
tempo muito indignada, e contara que sua mãe criou 26 filhos (é , eu também me assustei mas isso
é o de menos) lavando e passando roupa para madames tijucanas. Apesar das dificuldades, a mãe dessa
senhora não desistiu dos filhos.

Essa história durou 2 pontos e a mulher desceu do ônibus na Praça Sãens Pena. Assim que o ônibus
começou a andar o trocador comentou a história que acabara de ouvir e xingou e falou mal da “mãe”
que abandonara a criança e tal, e contou como tratava as filhas dele e bla bla. Ele era um figura.
Branco , meio careca, meio grisalho e muito metido a malandrão. Quando eu estava pronto para descer
no meu ponto, depois da rua uruguai, ele me solta uma frase que até hoje ecoa dentro de mim. Ele disse:

“Se dinheiro fosse bom, cachorro de rico teria gaveta!”

Eu balancei a cabeça sorrindo e desci do ônibus tentando entender aquela frase. Tentei relacionar
com a história que a senhora havia há pouco nos contado. Tentei sacar se era uma piada de duplo sentido.
Tentei, tentei, tentei e tentei e até hoje tento entendê-la mas mesmo assim, achei genial.

7 Comments so far

  1. marcelo jhonas (unregistered) on February 8th, 2007 @ 11:56 pm

    Foi mal a diagramação mas esse eh o meu primeiro post e nao to sabendo ajeitar. Need help!


  2. LP (unregistered) on February 9th, 2007 @ 12:16 am

    Isto prova, meu nobre Jhonas, que se trocador fosse gaveta, mochila de cachorro teria mãe! :)


  3. marcelo jhonas (unregistered) on February 9th, 2007 @ 12:22 am

    ahahahahaahhahaa


  4. letícia (unregistered) on February 9th, 2007 @ 2:18 am

    alalalalalalalalala
    bem vindo, porra!

    muito bem! começou com a história que eu mandei
    HAHAHAHAHA
    :P

    pq vc achou a diagramação um cu?


  5. letícia - de novo (unregistered) on February 9th, 2007 @ 2:19 am

    tô rindo muito do seu “about the author”
    afrotijucano é phoda, brasil.

    põe seu link de blog ou fotolog lá!


  6. Gleidson (unregistered) on February 9th, 2007 @ 7:47 am

    Opa, mais um pro hospício virtual! Bem-vindo, meu caro!

    Ônibus, um templo para histórias!


  7. Nuno Virgílio Neto (unregistered) on February 9th, 2007 @ 9:55 am

    Adoro ônibus.

    É uma honra tê-lo aqui, Jones.



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