Archive for February, 2007

Carnaval - parte III

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O pior do carnaval:

É de passar mal quando uma criança joga essa espuma fedorenta na tua cara, na tua latinha ou nos teus olhos.
Culpa dos pais que compram.
NÃO COMPREM ESSA MERDA para os seus filhos.
Já quase acabei com uma folia por causa dessa joça.

Fiquem com os clássicos que nunca morrem:

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Boba³

Bom carnaval pra vagabundo geral.
Juízo, hein? Atenção com o fígado, com o volante, com os ladrões e com a poliça.

Ah, com o coração também.

Big bong

Quinta-feira à noite, na fila do mercado. Dois homens conversam na minha frente. O mais novo bebe um refrigerante de maçã que parece horrível. O mais velho carrega uma bisnaga embaixo do suvaco (eu escrevo “sUvaco” e “fUder”, com licença aê). Ele usa uma jaqueta com uma imensa foto do Bob Marley sorrindo, um gorro rasta, várias coisas rasta espalhadas pelo corpo, na verdade. Ele tem pinta de vendendor de artesanato.

O que mais me chama a atenção, no entanto, é o bong gigantesco que o grandão carrega embaixo do outro suvaco. “Isso não é um bong”, eu penso. “É um cajado. O cajado que Bob Marley usou pra abrir o Mar Vermelho…”

Os olhos do grandão são muuuuito vermelhos.

Nisso, chega na fila um casal. Um sujeito cabeludo e barbudo. Pinta de duende. A mulher faz o look maluca-gostosa, peitos pulando pelo decote, tatuagens colorindo a pele branca, cabelo bicolor picotado por um cabeleireiro provavelmente cego e trêmulo. O duende começa a chamar: “Ei, ei! É, você mermo! Isso aí é um bong, maluco???” O rasta sorri um sorriso que vai aparecendo lento lento. As butucas também sorriem ensangüentadas. O rasta sorri como o Bob da jaqueta. “Pô, irado!!!”, sentencia o duende.

Os dois grupos começam a conversar, aos berros por causa da distância. O casal mora em Sana. Ela faz artesanato e vai passar o Carnaval no Rio, vendendo suas coisas numa praça de Copacabana. O cara do bong, com um sotaque de africano, diz que veio da Holanda. Ele não fala português direito, ou não fala direito, não sei. Muita fumaça.

Pago minhas compras e vou embora pensando no dia em que o bong poderá ser encontrado na seção de utensílios domésticos e o resto no corredor das hortaliças, entre a salsa e a cebolinha.

Karneval, Freude der Leute!*

*Carnaval, alegria do povo.

No Carnaval eu sou do contra

É carnaval, enfim! Época em que os cariocas ficam eufóricos. E é de se esperar, já que ganhamos, praticamente, uma semana de férias, vagabundagem total.
Fala-se no carnaval e logo pensamos: p-r-a-i-a… PRAIA! O povo todo se tostando nas areias do litoral carioca e fluminense, tão quente quanto o Inferno, rolando na areia, catando tatuí, tomando caixote, escutando dona Creide a gritar seu filho Creoswaldo pra comer um franguinho e tuuudo mais!
Protesto, Sr. Meritíssimo! Não, eu não vou à praia! Eu vou é subir a serra, meu bom rapaz! E vou além… um dos meus melhores carnavais passei em Teresópolis, diga-se de passagem que é bem longe do litoral - até as águas salgadas do oceano chegarem lá o mundo já acabou.
Subo a serra e paro em Nova Friburgo, a capital das lingeries (uh hul), e no intuito de passar um friozinho gostoso - quem sabe a sorte de grande de estar acompanhado também, né… não sou de ferro, porra!

Pois é isso… enquanto o Rio de Janeiro em massa vai se espremer nas areias das praias, enfrentar congestionamentos homéricos nas estradas, eu, garotão branquela, vou sem problema nenhum pra Freebourg passar um ótimo carnaval, regado de cerveja e boa música (principalmente rock n’ roll).

Ótimo carnaval pra todos, onde quer que passem!

ENQUETE CARNAVALESCA

Se formos fazer um concurso do melhor nome de bloco do carnaval carioca, vai ser difícil ter um consenso. A criatividade e irreverência reinam. É cada nome. Fiz uma pesquisa rápida e cheguei, com riso nos lábios e sem ordem de preferência, às 15 pérolas abaixo. Mas pelo jeito, a lista é imensa. Alguns são bem conhecidos, outros nem tanto. Dá curiosidade só pela alcunha. Então proponho que você mande seu voto, escolhendo o que você acha melhor. Pode ser um dos nomes citados ou algum outro incrível que vier à cabeça. Só clicar no balãozinho e enviar pelo comentário. Vamos brincar de fazer enquete, contabilizando tudo até a quarta-feira de cinzas e ver o que mais pode sair dessa joça. Vale pedir ajuda dos universitários, da avó, do bebum. Depois da folia, se a ressaca deixar, vou postar a lista dos 5 campeões na opinião dos leitores do Metroblogging Rio. Quero só ver.

1- Concentra mas não sai.
2- Simpatia é quase amor.
3- Imprensa que eu gamo. (bloco de jornalistas)
4- Suvaco do Cristo
5- Que merda é essa?
6- Rola preguiçosa
7- Se não quer me dar, me empresta
8- Xupa mas não baba
9- Vem nim mim que eu sou facinha
10- Empurra que pega
11- Bafo de onça
12- Me beija que eu sou cineasta
13- Meu bem volto já
14- É de segunda (sai às segundas-feiras, claro)
15- Esse é bom, mas ninguém sabe

Carnaval - parte II

olivia%20palito%202.jpg Fui ao Saara e tive visões, tamanho o calor do deserto.
Comprei coisas coloridas para ver se fico animadinha, já que a situação anda fuén fuén fuén fuén.
Uma das visões foi ter visto o Popeye. Juro. Ali na Alfândega. Minha única vontade carnavalesca ainda não realizada é me vestir de Olívia Palito. Sofri o cu da vida por causa de tal apelido. Hoje em dia acho graça e queria entrar dentro da tal blusa vermelha de babados brancos e saia preta. Os 48° cariocas me fizeram delirar que o meu par estava ali.
Filetes de suor escorrendo entre os meus peitos. Me aproximei do Popeye, que na verdade era um desses homens que fica na porta das lojas chamando os clientes: “3 blusinhas, 10 reais, 3 blusinhas, 10 reais”. O delírio do oásis era tanto que estava quase pronta para dizer “Popeeeeye, olha o Brutus!”, quando senti o ar condicionado de uma loja de ferramentas, recuperei a pouca consciência que me resta e só falei: “Moço, onde é a casa Turuna?”

PS: Resolvi que amanhã irei ver as escolas mirins na Apoteose.
A mulher que faz tranças nos meus cabelos durante o carnaval, disse que todos os seus 7 netos desfilarão. Disse que é um espetáculo. E não paga para entrar. Fiquei curiosa e com vontade de dar tchau para os pequenos desfilando.

PS2: Mirim ao contrário é mirim.

A matemática do Carnaval

A ciência do Carnaval estuda os fenômenos aparentemente imprevisíveis, na busca de padrões escondidos e de leis simples que regem os comportamentos complexos. Este estudo só se tornou efetivamente plausível a partir da década de 60, quando os computadores começaram a possuir capacidade gráfica e de processamento razoáveis, dando aos estudiosos o poder de descobrir respostas para as questões fundamentais do comportamento dos foliões, de maneira geral, que antes estavam obscuras.

Hoje é consenso admitir dois padrões de foliões. O primeiro é o folião-linear, representado por cidadãos que se comportam relativamente bem, dentro de certos limites, deixando de lado alguns fatores de influência complexos, agindo apenas dentro de uma pseudo-realidade.

O segundo padrão é o chamado folião-não-linear, e neste, a simples investigação convencional não consegue dar respostas exatas, pois as variáveis de influência, além de em maior número, não respondem de forma organizada às suas variações.

A maioria dos carnavalescos são não-lineares: o clima, a dinâmica de populações, os gases e os líquidos, etc, influenciam seu comportamento para além de qualquer expectativa racional.

Quanto maior a desordem de um sistema, maior a sua entropia, e quanto maior a entropia, maior a desordem, isto se sucedendo num vaivém frenético, num crescendo de ritmo irresistível, vai, pouco a pouco adquirindo substância. A este devir substancial chama-se Carnaval.

Este blog quer saber com que roupa, você vai, e que tipo de folião você é. Amanhã pretendo deixar aqui algumas sugestões de fantasia (fantasia de tamanduá-bandeira com filhote, fantasia de armadilha zumba, fantasia de Complexo Esportivo Miécimo da Silva, entre outras).

Sei que está meio em cima da hora, mas, em se tratando de Carnaval, assim como a beleza, o que vale é a fantasia interior.

tanananananananananananananana-TAN-TAN!

Vocês sabem que tem um símbolo do Batman escondido num duto de ventilação da estação de metrô Cardeal Arcoverde em Copacabana, né?
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Carnaval - parte I

Para foder, nestes tempos que correm, parece que é preciso um escafandro. As pessoas pensam muito em foder. E sofrem muito quando não fodem. Quem não pensa em foder está fodido. Mas as pessoas fodem e não são felizes.

Adília Lopes

O espelho

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ônibus 473. Triagem-Leme. 5 ou 6 horas da tarde. Estou sentado à janela no meio do ônibus. Faz calor e faz sol. À frente, dois passageiros se levantam. O banco vaga. Sentam uma senhora negra e gorda, 40 anos, e uma menina magra, 10 anos, também negra. A menina na janela, bem à minha frente. Elas aparentam ser muito pobres. A gorda está irritada. Faça isso. Não faça aquilo. O sol agora está bem à direita de modo que atravessa a janela, ilumina os passageiros e faz do vidro um espelho quase perfeito. Agora eu posso enxergar seu rosto de criança. Ela olha a rua. Descubro que tem enorme hematoma que semicerra seu olho direito. Este olho chora. Teria caído de uma escada? Seria murro de padrasto bêbado? de mãe bêbada? Mas agora a menina tinha descoberto o espelho. E descobrindo-se, achou-se amável e linda e se beijou no vidro. Olhava para sua imagem e se beijava na janela, ignorando a reprovável mãe, ali dentro e a provável paisagem, lá fora. Eram beijos de amor puro. Muitos. Beijos de afeto puro. Não era coisa narcísica. Beijos e mais beijos melados naquele vidro sujo e lindo. E já que tudo ali era ação e reação, como na 3ª Lei de Newton, nem sei ao certo se era a menina que beijava a imagem ou se era a imagem que beijava a menina. Mas a vida segue e a gorda mais irritada ainda. Pára com isso, menina! Inútil. Ela estava descobrindo o amor. Alguém aqui, neste mundo de escadas, afinal, ainda gostava dela.

Imagem: Faux Miroir, de Magritte

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