Da série O EROTISMO NOSSO DE CADA DIA - Metrô 2

Cenas registradas pelo olhar da vossa blogueira
A goteira
Ao largar o trabalho nesses dias de janeiro na cidade-estufa, L. só queria ir para casa tomar um banho gelado. Era a única época do ano em que não apenas se permitia, como também desejava, entregar-se ao prazer de uma água fria escorrendo pelo corpo. Ia à praia com freqüência, mas nunca havia se acostumado com o mar glacial do Rio de Janeiro que doía até o bagaço da alma. Geralmente ficava na areia, onde besuntava blondor do pescoço às canelas nas duras carnes negras e macias que lhe sustentavam. Depois, lavava o corpo com o baldinho que o sobrinho ia encher com água do mar de Copacabana. E assim, douradinha, enfrentava a rotina nossa de cada dia.
Tão logo as portas do vagão se abriram na Carioca, L. correu para pegar um lugar. Sentou-se vitoriosa na última fileira. Como de costume, não olhou para ninguém: também seguia a cartilha dos olhares metronianos que ignoram a presença de qualquer vida dentro do vagão.
O dia foi de ralação total no serviço, e já no trajeto entre a Cinelândia e a Glória, as pálpebras pesaram. Com os olhos fechados e a boca semi-aberta, L. não se deu conta que o banho hoje chegaria mais cedo: uma goteira estrategicamente localizada em cima dos seios pingava em intervalos de três segundos sobre sua blusa branca, intumescendo mamilos escuros e arredondados.
Nos assentos reservados a idosos, deficientes, gestantes e mulheres com crianças de colo, seis saudáveis pares de masculinos olhos famintos aplaudiam silenciosamente, banhando seus pensamentos em muitas idéias.
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E eu que nunca presencio uma coisa dessas…
oi ju, seu post saiu no dia 16 de março. Como vc fez isso? ejejeje
É mesmo…
um post do futuro!
Me diz aí quando é que isso vai acontecer pra ir de encontro a ela!!!
o aplauso silencioso é o mais forte.