Quem nunca roubou um cone desses?
Você olha para o cone, o cone olha para você.
E de repente, ele está dentro do seu carro.
Grande, proibido, colorido, de existência fácil e sem motivos.
Esse é o reino da alegria.
Você olha para o cone, o cone olha para você.
E de repente, ele está dentro do seu carro.
Grande, proibido, colorido, de existência fácil e sem motivos.
Esse é o reino da alegria.
Vi uma ex apresentadora da TVE ontem no metrô. Morena, jovem e pelo semblante dela, estava preocupada e/ou chateada, emoções que eu nunca havia visto nela em seus momentos de tevê. Mas enfim, ela era ali. Sem maquiagem, roupas bem casuais e um ar de menina séria que nunca reparei em sua aparições televisivas. Não sei o nome dela mas sei que ela fazia um programa de variedades na TV Educativa e eu adorava (adoro) o jeito como ela falava, o jeito como ela sorria enquanto nos apresentava matérias variadas. Ela estava na minha frente e meus olhos fugiam dos dela para que ela não pensasse que eu quisesse devorá-la com o olhar. Na verdade, só queria apreciar aquela beleza televisiva que desde da Uruguaiana até o Flamengo se mostrava viva e real na minha frente. Por mais que as pessoas possam parecer lindas, confiantes e bem arrumadas na telinha, ainda prefiro quando elas estão na nossa frente, não tão aprumadas ou contentes, pois posso identificar mais formas de beleza e admiração. Espero que ela tenha tido um final de quinta-feira tranquilo.
Tenho essa mania que vai além de ver coisa em nuvem. Qualquer descascado na parede do quarto, e lá estou eu, com insônia, vendo uma cotia. Outro dia, no trânsito, vi o Rio de Janeiro no vidro quebrado da Kombi que estava na minha frente. Brasil então, já vi em areia, em grutas e até em manchas corporais. Ui. Mas o Rio de Janeiro vejo pouco. Esse da Kombi foi caso raro. Taí. Sou só eu ou você também vê?

O botequim é mesmo um lugar sagrado para o carioca. Frequenta-se com devoção. E não só aos domingos. Se duvidar, é o tipo de confessionário mais usado da paróquia, onde as pessoas podem revelar suas mazelas sem muito Pai Nosso. Sermão mesmo, só de bêbabo. E claro, é onde muitos provavelmente cometem novos pecados, a começar pelo da gula. Ao invés de pão e vinho, acepipes diversos e loiras geladas. É um “tomai e comei todos vós” sem cessar. Bolinho de bacalhau, pastel, linguicinha, frango à passarinha e amém. Uma instituição tão importante para alma dessa cidade, tem mesmo que ser abençoada.
*Cartaz pregado na parede de um boteco adorado em Laranjeiras.
Escrevo a propósito de informar que agora são 14:50 h e faz um sol de rachar, a despeito de umas poucas cirrus stratus no firmamento, de modo que o sujeito que anteontem ora consertava e ora não consertava o telhado do Ritchie, uma vez que fazia chuva e fazia sol, concomitantemente, voltou ao trabalho hoje, desta vez trajando uma bermuda azul claro, uma camisa de tecido cinza claro e um boné azul e, que agora conta com um auxiliar que traja bermudão azul e vistosa camisa amarela. Aparentemente estão fazendo alguma impermeabilização na laje do prédio, bem em cima do apartamento do Ritchie, como já expliquei antes, considerando aquele latão de metal amarelado ali no alto das telhas e sobretudo levando em conta aqueles movimentos deles, não de todo identificáveis, mas que são executados com uma espécie de vassoura ou o que seja, com cabo, como se estivessem espalhando algo naquela área. Veja o que trinta ou quarenta dias de sol ininterruptos podem provocar. A julgar pela ação dos telhadeiros algum morador ali está bem preocupado com as chuvas.
Sexta, pessoal foi à Lapa pra entrar no Circo Voador, pra curtir uma festa anos 80, que teve participação de Gretchen (toda ruim que só ela), Silvinho (que sou fã), Simony (que tá… é… dá pra pegar), Paquitas (duas gostosas e uma mais ou menos) e um cara vestido de Bozo (chato bagarái)!
Eu e mais oito pessoas. Dessas oito, coloquei três pra invadir o palco - um pulou pra cima do público e outro dançou Ursinho Blau-Blau ao lado do Silvinho!
Foi muito show! Legal até o fim - das 23:32 às 04:40! Como disse meu amigo, festa ploc é festa “caralho”: cada música que toca você olha pra cara de um e grita um “caraaaalhooowww”!
Depois de sair do Circo, começa a viagem homérica de volta pra casa, que só tive de fazer para tomar um banho, pois tava totalmente azedo, ensopado, pra depois partir direto pra Cidade Universitária, no Fundão, pro meu curso de Italiano (ecco!).
Em tempo, da saída do Circo até pararmos e pegar o metrô, tivemos a chance de comer um podrão, de ver uma garota burra quase morrer porque era asmática e tava sem bombinha e todo mundo tava achando que ela tava com pressão baixa e tacando sal nela, de ver uma quase-briga e de comer uma pizza na Guanabara.
Foram 32 horas no ar, e esses horários palíndromos me seguindo. Também me seguiram, como de rotina, os horários de somente dois dígitos, como 12:12, 01:00, 02:22 etc.

Na estação da Cinelândia, faltando 10 minutos
para completar 24 horas acordado
Na rua Macedo Sobrinho, no Humaitá, rua do Estúdio Mega, ao lado do espaço perto do posto, ou melhor, Sérgio Porto, havia, não sei se já consertaram, um enorme buraco no chão. Minha namorada saiu do carro e quase perdeu o sapato - à la Cinderela. Eu é que não iria buscar. Sabe Deus o que há no subsolo dessa cidade.

Ontem, domingo 15h, sinal na Glória: James, le Garçon de la Calçadá, posa glorioso para esta que vos escreve.
Mas também pode ser chuva e sol, casamento de espanhol. É o que acontece neste exato momento, pelo menos aqui na minha vizinhança, entre a Lagoa e o Humaitá. Agora está trovoando e noto um cheirinho de telha molhada. Pela janela da varanda dá pra ver o Cristo semi-encoberto em meio a água que cai forte. Mas o sol brilha no céu, a oeste, e faz grandes reflexos na água que escorre pelo granito escuro do Corcovado. A leste, em direção ao Centro, densas e cinzentas nuvens. A chuva passou… Não! começou de novo! Mas o sol continua a brilhar. Não tem mais sol agora. Momento confuso no céu da cidade. O homem que consertava as telhas do apartamento do Ritchie, - Menina veneno, o mundo é pequeno demais prá nós dois… - agora há pouco, se escondeu da chuva. Bom, na verdade ele voltou a trabalhar, porque a chuva já passou…