Archive for April, 2007

“As meninas” sou eu

Precisava de uma calça branca. Ou clara. Para uma peça que vou estrear semana que vem, depois faço a propaganda, uh. Fui ao shopping do meu bairro. Uh². Estive em uma loja, que agora esqueci o nome, onde observei a crueldade. Loja de roupas femininas, bem ampla. As vendedoras se encaixavam dentro do padrão de beleza brasileira: TODAS com cabelo pintado, luzes ou ruivas ou preto-petróleo (lisos, ÓBVIO), corpo malhado, maquiagem agressiva. Dentro da loja há um sobrado, que é o estoque, onde mulheres negras (todas eram) e com cabelo enrolado ou extremamente alisado, trabalham. As vendedoras atendem com sorrisos cansativos, falam os próprios nomes e “se precisar de alguma coisa…” Precisava de uma calça, vi uma e pedi para Bianca no meu tamanho. Bianca vai para debaixo do tal “sobrado” e grita: “Meninaaaaas, meninaaaas, calça tal tal tal, tamanho tal tal tal.”. Percebo então que todas as outras vendedoras gritam o tal: “Meninas, meniiiinas”. Nenhuma sabe o nome das tais meninas do estoque. No entanto, na hora de jogar a mercadoria, as meninas diziam: “Bianca, toma a calça”. Olhei para cima, e as “meninas” não tinham muitos sorrisos. Um espaço apertado, um trabalho ingrato e um salário bem menor. Achei tudo tão esquisito que saí da loja e claro, carreguei uma sensação de culpa e de crueldade burguesa. E quando engulo esses sapos de terceiros, eles se materializam. Sempre. Entrei na Sandpiper e vi uma calça. Pedi ao vendedor quase bonito o meu tamanho. Não tinha, ele insistiu que eu experimentasse outro tamanho, pois a modelagem era grande. Experimentei contrariada, e constatei obviamente que a calça ficava pescando siri. Estava de vestido, pois só vou comprar calça de vestido, para agilizar a vida. Entreguei a calça ao vendedor, constatando que de fato, ela não era capaz de cobrir minhas longas pernas. Dei tchau e fui saindo pela loja, senti que minha calcinha estava “encravada” no rego, e quando fui ajeitá-la: TERROR. Não coloquei meu vestido direito, de modo que metade da minha bunda estava para fora, para todos os vendedores descolaaaaados da Sandpiper avaliarem e rirem. Fiquei tão nervosa que ainda demorei longos 10 segundos para tirar o vestido preso da calcinha, para voltar a cumprir sua função: cobrir meu corpo. Tive espamos de vergonha, fiquei vermelha durante uns 10 minutos e em casa, à noite, lavando a louça, quase quebrei copos pois toda hora a imagem me voltava à cabeça. Preciso parar com isso. Uh³.

Flu

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Jogo de Botão na Feira de Antiguidades na Praça do Jockey – Gávea, que acontece todo domingo.

Marrecas Street

Desde o tempo em que comecei a faculdade de Informática, sempre escutei dos professores de análise que eu deveria exercitar meu poder de abstração, para poder melhor entender as necessidades do usuário, imaginando além do que ele pede – pois ele sempre pede menos do que quer, até mesmo por não saber pedir direito.

Hoje em dia, meu nível de abstração parece ser bem alto. Não só no mundo da análise de sistemas, mas também no dia-a-dia. E um exemplo de uso da abstração acima do nível normal no dia-a-dia é imaginar coisas absurdas enquanto ando pelas ruas – tipo “O fantástico mundo de Bob”, sabe?!
A coisa absurda que me refiro é a seguinte: sempre que passo pela Rua das Marrecas, é inevitável, consigo ver nítidamente várias marrecas passeando, pra lá e pra cá, pela rua, desviando dos carros. Às vezes, uma delas é atropelada… é triste. E todas elas cantam “this is the end, beautiful friend. This is the end, my only friend, the end”, em homenagem às portas abertas da percepção (pois é de lá que essas marrecas vêm).

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Permanecer calado é cooperar com o opressor

Ivan Cardoso disse: “Incorpore a revolta”

O revoltado da semana que não agüentou ficar calado e foi lá e FEZ ALGO é o motorista de táxi Ercílio Felisberto. Ercílio presenciou, na madruga de domingo, o atropelamento da jovem Carolina Zaczac. Ela saía daquela boate Baronetti (onde, cá entre nós, está sempre associada a coisa ruim, puta que pariu), e ia seguir a pé para a casa da amiga onde iria dormir, quando o carro de Luiz Eduardo Zacharias Leitão Carvalho entrou com alta velocidade na rua Maria Quitéria. O imbecil-fora-desse-mundo, fugiu. E aí então, nosso “herói” da semana, o taxista Ercílio Felisberto, iniciou uma perseguição que só foi acabar no prédio do idiota, na rua Rainha Elizabeth. Carolina está internada na CTI, ela teve os 2 pulmões perfurados, um corte profundo na perna e fraturas múltiplas no rosto. O pai do motorista fugitivo foi ao hospital e disse que o filho estava muito transtornado e que iria se entregar. Graças ao motorista do táxi, ele será “obrigado” a se entregar, se não seria apenas mais um ser humano com a cabeça fudida e tomando remédios para dormir. Lamentável. Me questiono como conseguiu atropelar e ir embora. Assim, simples assim. Um forte abraço para o Ercílio, que a guria se recupere e que abril acabe. O mais cruel dos meses.

Pipoqueiro na Lapa

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As cariocas

Vi um filme na televisão, há algum tempo, com o James Stewart eu acho, em que ele passeando com o guri dizia mais ou menos isso: – Filho, quando você passar por uma moça bonita, olhe para ela porque ela é bonita… mas quando você passar por uma que não seja, olhe também porque somos cavalheiros, afinal… Este generoso conselho que ouvi no filme, há tempos, sei lá porque, nunca me saiu da cabeça. Entretanto de uns tempos pra cá estou tendo que rever essa história. Sobretudo porque moro no Rio e sinceramente, porque fico cansado de olhar, como o Senhor James Stewart ensinou, para as bonitonas e para as feiosas e ser, é triste dizer, solenemente ignorado por todas. Bom, quase todas. Vão dizer alguns, que isto é consequência do stress da grande cidade. Dirão outros que a culpa é minha porque sou um zé ruela e que com eles a coisa é diferente. Pode ser, pode ser. Mas na minha opinião isso se deve a um mal entendido em função da propagandeada beleza da mulher brasileira e, em particular, da carioca, que acreditaram demais nessa conversa. Vão argumentar alguns que isso não faz sentido já que as mais belas são as gaúchas ou as mineiras mas o problema é que essas não têm a fama da mulher carioca, entenderam? A grande verdade é que, em função desse mal entendimento, rola de fato um sapato alto nas cariocas.

Em função dessa situação o que é que eu faço? Eu faço o seguinte meus amigos: quando noto que o brotinho pretende passar por mim com o nariz empinado eu, só de sacanagem, viro a cara pro outro lado. Finjo que tem um sabiá na árvore, dou uma olhada no relógio, faço que tem algo mais interessante lá do outro lado da rua… só pra ela ficar boladona e pensar que talvez não seja essa cocada-preta toda. Rapaz, eu faço isso um bocado hoje em dia! E até me divirto. Ás vezes vem um pedaço de mau caminho na minha direção, uma daquelas louras de academia, por exemplo, toda cheia de merda, toda difícil querendo tirar onda com a cara do Menezes… Pronto! Antes dela empinar a porra do narizinho eu já estou olhando é lá pro outro lado. É verdade que com muitas não dá pra resistir, que se foda a esnobada, mas, sempre que posso, estou ficando nojento por antecipação. Vai ensebar? Eu ensebo antes. Tem mulher que é muito esquisita mesmo. Se você dá atenção, trata bem, como vai a senhorita, coisa e tal, ela já se acha a gostosona do Andaraí… Mas se você finge que não tá nem aí, dá uma esculachada e, dependendo da situação, mete até uma mãozada, aí sim, elas gamam de vez. Fazer o quê, não é? O ser humano é muito estranho, mesmo.

Sentada na calçada de canudo e canequinha

Não é nada demais, penso jurando e ao mesmo tempo não consigo evitar escrever. É que terças e quintas, volto andando para casa, seis horas da tarde, da acaddddddiiiiiimiiiiiiiia onde faço Pilates, ali na Usina, quase na subida do Alto, até minha casa, na Muda. Manja a Muda? Pois. Volto andando para desespero dos meus joelhos, já que trata-se de uma decida. Mas o que eu queria dizer – que não é nada demais – é que havia um Carrefour ali, bem em frente ao Morro do Borel. Imagine um supermercado grande. Agora multiplique por 3. Assim era o Carrefour da Usina. Não sei por quanto tempo ficou aberto e estou com preguiça de perguntar ao Google. Sei que quando fecharam, há uns 3 anos isso, os moradores do morro que eram funcionários do supermercado se revoltaram com os moradores do morro que insistiam em ir lá fazer as compras do mês, só que sem pagar. Enfim, tudo isso só pra dizer que toda terça e quinta, quando volto pra casa, pela calçada mezzo mal assombrada do Carrefour, sempre vejo as maiores formigas que já vi na Terra. Ainda não tive o prazer de fotografar, e nem sei se saberei fazer tal foto. Sei que são muitas, IMENSAS, todas saindo ou indo em direção ao Carrefour (acredito que ainda existam resíduos de mercadorias lá dentro, e que as formigas-mutantes estejam fazendo a festa). Sabe formiga normal? Essa que a gente vê no açúcar, às vezes até no pão (formiga aqui em casa curte pão). Então, multiplica por 30. É isso. É esse o tamanho da formiga que entra e sai do Carrefour. E elas são tão donas da calçada abandonada que quase não passa ninguém, que quando eu, reles mortal, passo por ali, preciso desviar das bichas, que são muitas e gigantescas. O superhipermegaultramercado continua fechado. Talvez não vire nada. Acho difícil alguém querer construir um prédio, condomínio, logo ali na frente do Borel. Fosse antigamente, até ainda rolava uma fé. Acreditava-se. Mas hoje em dia não rola. O medo impera. Então, o que acontecerá com tamanha área? Outro supermercado? Quem será o louco a arriscar? Uma área de recreação para as crianças do morro? Quem será o gênio a montar? A ter coragem? Acho que aquilo vai ser das formigas. Pra sempre. E cuidado. Elas estão se alimentando e estão crescendo, crescendo, CRESCENDO.
Mas ah, não é nada demais.

Hoje é dia de índio

Hoje, como já diz o título do post, é dia do índio. Hoje, dia 19 de abril, celebramos o dia daqueles que, antes do “civilizado” homem do Velho Mundo chegar, habitavam nossas terras.
Não deixemos esse dia passar em branco! Não, não estou pedindo para sair na rua fantasiado de índio, como faziam com a gente no primário, mas lembrem e dêem importância a esse povo que é parte da história brasileira.

Muitos estudam até como cagavam os grandes pensadores gregos e como era sua cultura e seus deuses, muitas pessoas sabem de cór toda a mitologia nórdica como se fossem genuínos vikings, muitos adoram e tatuam imagens de maias e astecas, mas é raro encontrar alguém que se interesse, por vontade própria, pela própria históra, os índios brasileiros.
Que, ao menos no dia de hoje, demos, então, a devida importância à eles e à sua rica cultura – ainda mais nós, cariocas, que habitamos as terras de umas das tribos mais lembradas, os Guaranis.

E viva Frei Galvão!

É pessoal, má notícia para aqueles que gostam de trabalhar! Parece que teremos um novo feriado nacional: o dia de Frei Galvão, que cai no dia 11 de maio.

Está rolando um e-mail espalhando essa notícia por todos os lados e, pelo link que lá se encontra, parece ser uma notícia verdadeira. O link, que é esse aqui, nos leva à página do Senado e nos mostra o projeto de lei referente à esse novo feriado.

Atencão ao parágrafo único! Esse feriado já vale para 2007. Ouvi dizer que tem alguma ligação com o dia da visita do Papa… Bem, o que importa é que temos mais um feriado e nesse ano cai numa sexta-feira!

Tá, tudo bem, temos feriados até demais, certo? Do modo que eu comemoro, podemos até dizer que estou fazendo juz à fama de vagabundo do carioca. Até concordo, porém, estou comemorando este por ser mais um dos feriados que cai numa sexta-feira, me possibilitando pensar em viajar. Onde trabalho não há moleza! Não enforcam dia nenhum!
Tá pensando que vou ficar de bobeira no feriadão de 1º de maio? Ha ha! Não será feriadão pra mim, não, people!
Bye Friburgo, bye qualquer outro lugar que possa passar pela minha mente! :(

Ainda sobre o trabalho

Em 26 de janeiro do ano passado o IBGE divulgou na sua Pesquisa Mensal de Emprego os seguintes dados:

1 – Apesar da sua fama de vagabundo, o carioca é o que mais trabalha no país. Dentro das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador e Belo Horizonte) o Rio de Janeiro lidera o ranking de jornada de horas efetivamente trabalhadas em 2005, com 41,6 horas.
2 – Apesar da fama os paulistas ficam em segundo lugar, com uma jornada média de 41,3 horas. A média das seis regiões ficou em 41 horas semanais.
3 – A jornada média de trabalho superou a de São Paulo também em 2004. A jornada paulista foi de 41,4 horas e a carioca foi de 41,6 horas trabalhadas.
4 – No ítem renda média mensal o Rio ocupa apenas o quarto lugar, com R$ 919,95. Os paulistas lideram com um salário médio de R$ 1.110,27.
5 – A região metropolitana do Rio é a única em que mais da metade da população ocupada é formada por chefes de família e também é a região com menor participação rentária de outros membros da família — mulheres e jovens.
6 – A renda menor carioca é explicada pela maior participação dos setores de comércio e de serviços no Rio, que apresentam remuneração menor do que a da indústria.
7 – O Rio tem a maior participação de pessoas ocupadas com 50 anos ou mais, com 21,8%. Segundo o IBGE, isto deve-se à maior concentração de habitantes nessa faixa etária na região.
8 – O carioca é o que tem o emprego mais duradouro. Isto contribuiu para criar vínculos e aumentar a dedicação. No Rio, o percentual de pessoas empregadas no mesmo local há mais de dois anos chega a 72%. Em São Paulo, o índice cai para 66,5%.

Em 27 de janeiro a Folha Online publicou matéria noticiando a pesquisa com o título “Carioca trabalha mais do que paulista, diz pesquisa do IBGE”. Em seguida linkou uma enquete perguntando aos leitores — em sua maioria paulistas, presumivelmente — se de fato “Carioca trabalha mais que o paulistano? Dentre os que responderam, 49% acreditam que sim, o carioca trabalha mais que o paulistano, mas 51% deles relativizaram os números, afirmando que o resultado do trabalho deve ser analisado também sob o ponto de vista da produtividade.

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