Revertere ad locum tuum

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Cemitérios são lugares estranhos. Há alguns anos eu perdi um grande amigo, morto em acidente de moto na Ponte Rio-Niterói. O enterro aconteceu numa tarde quente e ensolarada no Cemitério São João Batista, em Botafogo, e eu ainda lembro muito bem do desconforto que senti diante da exacerbada percepção das coisas em redor. O calor do sol, a luz batendo nos prédios, o som dos automóveis, o cimento das lápides, as pessoas caminhando em fila, tudo tão estúpido e real. Não sei como contar o que vem a seguir sem parecer leviano mas espero que vocês compreendam de outro modo. Mais tarde à noite, todos os amigos juntos, lembro que abracei a namorada dele. Subitamente senti um indisfarçável e surpreendente tesão. Ela então se afastou com delicadeza e me disse: obrigada! É de fato estranho, mas às vezes é a morte que nos revela a vida.

Imagem de satélite do Cemitério São João Batista

4 Comments so far

  1. Igor (unregistered) on April 3rd, 2007 @ 10:14 am

    Pretendo ser cremado e evitar que meus amigos e parentes passem por algo parecido. (Na verdade não e é essa a razão, mas é mais um motivo pra entrar na lista)

    Abraços


  2. Gleidson (unregistered) on April 3rd, 2007 @ 11:21 am

    Eu ainda não pensei o que fazer com o meu corpo depois que eu sair dele…


  3. Diogo (unregistered) on April 3rd, 2007 @ 11:23 am

    hein?!

    errr…
    uia!


  4. Ilka Porto (unregistered) on April 3rd, 2007 @ 8:27 pm

    Cemitério tem seus encantos, principalmente quando vc está distante daquela realidade ali. É quando vc viaja e os visita como museus. Cada coisa linda. Agora qd tem gente sua ali, é difícil… Certa vez, participei da gravação de uma vídeo de um amigo em que eu tinha que atuar como se conversasse com alguém que estivesse enterrado ali. Contracenando com uma cova, basicamente. Difícil… mas teve muita vida ali..



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