Mais um nada original desabafo sobre flanelinhas

O assunto é tão revoltante quanto não é original: o “ofício” de flanelinha, ou melhor, a bandalha praticamente institucionalizada, deveria ser banido da face da Terra. Um dia alguém simplesmente se apropria de um espaço público e começa a faturar. Seja no Rio de Janeiro ou em Orocó, o nome disto é extorsão.

Segundo a Wikepedia, “flanelinha é o apelido dado a uma figura popular muito comum nos grandes centros urbanos do Brasil. É um trabalhador da economia informal que ganha dinheiro cuidando dos carros estacionados em vias públicas. Esse dinheiro pode ser conseguido mediante consentimento do motorista ou por coerção.”

Não tenho carro. Quando decidi morar no Rio de Janeiro, coloquei os custos de compra e manutenção de um veículo na ponta do lápis e vi que não valia a pena para o bolso. Nesta cidade até dá para se virar bem de metrô, busão e táxi. Carro faz falta sim, sobretudo nos finais de semana, mas não é razão pra ser infeliz se não se tem um.

Hoje, excepcionalmente, peguei uma carona voltando do centro. O carro da minha amiga estava estacionado na Rua São Bento, sob os cuidados de um “trabalhador da economia informal”. O meu pavor foi ativado na hora. Sei de gente que paga até R$ 130 por mês para flanelinha tomar conta do carro. Óbvio, sem seguro nenhum incluído e sem ter a menor idéia pra onde eles vão levar seu carro quando você entrega a chave na mão deles. E alguns motoristas ainda se sentem na vantagem: “cara, se fosse estacionamento, estaria pagando uns R$ 250”.

Confesso: quando aplicável (quando estou dirigindo no Rio ou em outro estado), acabo pagando também. Mas quero saber quem é que de fato consente por livre e espontânea vontade quando dá dinheiro na mão de flanelinha – a não ser os do Rio Rotativo. Não tem aquele que não se sinta coagido. Sim, acredito que existe flanelinha gente boa, que realmente só está ali por representar todas as mazelas da nossa injusta sociedade, etc. Mas deixe de dar dinheiro e passe as próximas horas tentando desvendar o futuro próximo: “será que vão riscar com chave do lado direito ou esquerdo? Será que vão me poupar algum pneu?”

Não vou me estender sobre o papel do estado, que já tomou medidas para regulamentar a “profissão”, mas que como tantas coisas neste país, ficam empacadas. Mesmo se fosse totalmente regulamentada, me soa extremamente estranho ter que pagar para estacionar em qualquer lugar. Já não bastam o IPVA e todos os impostos embutidos em tudo o que consumimos. Daqui a pouco teremos que pagar para ir à praia: “aê, R$2 pra pegar sol e R$ 3 pra dar um mergulho”.

No fim das contas, todo mundo acaba sendo mesmo camarada, tratando muito bem o flanelinha quando no fundo o que se quer dizer é “amanhã tou de volta pra te dar dinheiro, pra você continuar praticando mais um crime urbano com o qual eu tenho que conviver diariamente e com o qual eu, infelizmente, acabo sendo conivente porque não tenho muita escolha”.

6 Comments so far

  1. Gleidson (unregistered) on April 13th, 2007 @ 9:37 am

    É horrível mesmo!
    Às vezes penso se vai ser bom mesmo ter um carro… ou se meus problemas seriam sanados se eu passasse a morar no Centro ou adjacências…


  2. Ana Alexandrino (unregistered) on April 13th, 2007 @ 12:15 pm

    Perto da casa da minha vó tem um projeto de flanelinha(instruído pelo Pai) de uns 7 anos.

    Falta aula pra ficar guardando carro, e já tem aquela prepotência básica de> Domingo é três real!!!!


  3. diogo (unregistered) on April 13th, 2007 @ 12:58 pm

    é uma bosta.


  4. LP (unregistered) on April 13th, 2007 @ 3:03 pm

    Flanelinhas estão entre as piores criaturas da cidade. Junto deles, cabeça com cabeça, correm os pitboys, as madames da Barra da Tijuca, os empresários-evangélicos e os motoristas de ônibus e taxistas donos-da-rua. Não estão incluídos aí os traficantes, os policiais corruptos, os políticos safados e os juízes e desembargadores bandidos porque esses estão entre as piores criaturas do mundo.


  5. letícia (unregistered) on April 13th, 2007 @ 5:06 pm

    é de vomitar mesmo.
    mas sabe, eu ainda me arrisco. ainda me recuso em certas ocasiões de ouvir “5 reais, madame”. rio na cara do cara, e paro o carro beeem longe, me arriscando, mas me recusando a cooperar com o “dono” da rua.


  6. Niels (unregistered) on April 15th, 2007 @ 8:34 am

    Aqui na Holanda, pagamos até R$ 10 por HORA por estacionar nosso veiculo nas calles, e isto nao nos da ninguem assegurança. Nostro flanelinha nao o cuida contra robo nem riscar com chave, porque no caso da Holanda, o flanelinha e o gobernamento ;-) De esto dinheiro, o gobernamento paga uns R$ 1000 por mes a todos que nao tem empleo, por o cual eles nao tem que fazer nada.

    Nao sei de voces, mas eu mesmo preferaria ser roubado por gente pobre trabalhando na forma que podem, que por minha propria gobernamento…



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