Archive for April, 2007

Ainda sobre a violência

A Organização dos Estados Íbero-americanos divulgou recentemente um estudo — realizado com base em dados de 1994 a 2004 — que constata os seguintes fatos em relação à violência urbana.

1 - A exemplo da economia, as mortes violentas estão se deslocando das capitais para o interior do País.
2 - Mais de 70% dos homicídios ocorrem em apenas 10% das cidades brasileiras.
3 - Os estados com maior número de municípios violentos são Pernambuco, Rio de Janeiro e Rondônia, nesta ordem.
4 - Das dez cidades com maior taxa de mortalidade, seis estão localizadas no Centro-Oeste, sendo que quatro delas no Mato Grosso.
5 - A cidade mais violenta do Brasil é Colniza, no Mato Grosso. O município tem uma taxa de 165 mortes por 100 mil habitantes.
6 - Juruena, também no Mato Grosso, vem em segundo lugar com uma taxa de quase 138 mortes por 100 mil habitantes. Em terceiro está Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, com mais de 116 mortes para cada 100 mil habitantes.
7 - Da primeira colocada até a 556ª, em índices de violência, todas estão dentro da faixa que o BID considera de “ruptura total dos mecanismos de segurança pública”.
8 - Recife (PE) é a capital mais violenta do país.
9 - Depois aparecem — em ordem decrescente — com as maiores taxas de homicídios: Vitória (ES), Maceió (AL), Porto Velho (RO), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG).
10 - Estudo realizado em 1998 já apontava Pernambuco e Espírito Santo como os dois estados mais violentos do País.
11 - Foz do Iguaçu é a cidade com maior número de mortes juvenis. São mais de 223 para cada 100 mil habitantes.
12 - Serra, no Espírito Santo, aparece em segundo lugar, com quase 223 mortes juvenis para cada 100 mil habitantes. Recife está em terceiro lugar, com 208 mortes entre jovens.
13 - Com uma taxa total de 27 homicídios em 100 mil habitantes, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking dos países mais violentos, melhor que a Colômbia e com taxas próximas às da Rússia e da Venezuela.

Como se pode ver, o Rio de Janeiro não está com essa bola toda, não.

Esse post foi escrito um dia depois do massacre na Universidade de Virginia, Blacksburg, EUA, em que um atirador matou 30 pessoas dentro do prédio da universidade, executando primeiramente a ex-namorada e, em seguida, o atual namorado dela.

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foi no Baixo Gávea, um barraco generalizado, coisa de casal em fim, traição, eu acho. a gente não entendia nada, uns palavrões soltos, aquele aglomerado em volta e uma garrafa de cerveja voou estilhaçando no meu pé. claro, cagada em pau de arara. era uma semana da porra, azar rolando no ar. uma desgraça essa vida de gente que desconta mágoa em alheios. ele estava no bar da frente, divididos pela rua - eu numa esquina, ele na outra. e frequentávamos as noites dos mesmos dias. inacreditável toda a coincidência pós barraco de bêbado e garrafa no pé. e eu além daquilo tudo gritando meu horror. ele chegou discreto, querendo ajudar. eu sonhava acordada um jeito de não sentir dor. ele limpou os cacos, fez um curativo de guardanapo com band-aid e escreveu o telefone no papel. só notei em casa. um número por cima do sangue. liguei. deixei chamar três vezes. desliguei. ele ligou de volta. eram 04:30h. pra que usar de tanta educação pra destilar terceiras intenções. daí para a paixão foi fácil. acordos possíveis. envolvimento. sexo bom. o Baixo Gávea era nosso cupido e nosso inferno. nos desentendemos como já era de se esperar. a imbatível precisão dos três meses. se sustentar, vira amor ou dependência sentimental. eu me recusava a acreditar naquilo tudo. mas desgastou. ciúmes, crises, questões freudianas entre nós dois. os garçons já perguntavam - cadê o cara? e eu fui sumindo do território que adorava. como a gente conta que deu fim? era a conspiração social anti-casais. e ninguém nunca havia perguntado sobre nós dois. mas agora era praxe. e eu sorria amarelo. a emoção acabou. depois eu descobri o que era toda aquela tortura. a falta que faz. e eu que não gostava de Cazuza, cabia perfeita - prendia o choro e aguava o bom do amor.

Galo

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Street Art na Rua Fonte da Saudade - NCL

Gol Mil do Romário

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A piada é velha.
E eu também.

Onde o carioca gosta de lavar os pés e os cabelos?

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Restaurante no Leme, semana passada.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade… e medo

Não ande com uma grande soma de dinheiro no bolso, mas tenha uma nota de 50 reais na carteira para dar ao ladrão, sem demora ou hesitação.

Esse tem sido um dos conselhos de segurança da Embaixada Francesa no Brasil para os turistas que pretendem viajar por este país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza. Parece piada, mas está lá no site por extenso na longa lista de advertências. As recentes mortes de dois franceses, um na capital carioca e outro na Baixada Fluminense, vítimas da violência, causou comoção naquele país e essas “instruções” são apenas algumas das consequências que vêm a reboque. O documento ainda traz conselhos específicos para quem vai a Recife, São Paulo, Brasília e, claro, Rio de Janeiro. Na cidade maravilhosa, recomenda-se precaução ao passear por lugares como a Vista Chinesa, Santa Teresa, Lapa e Cinelândia. Desse jeito, maravilhosa mesmo vai ficar a nossa imagem lá fora.

Dura Lex Sed Lex

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A Policia Federal prendeu hoje de manhã o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, até ontem vice-presidente do 2º Tribunal Regional Federal. A acusação: exploração ilegal de jogos — bicho, bingo e caça-níqueis — e crimes contra a administração pública. Leia aqui.

Mais um nada original desabafo sobre flanelinhas

O assunto é tão revoltante quanto não é original: o “ofício” de flanelinha, ou melhor, a bandalha praticamente institucionalizada, deveria ser banido da face da Terra. Um dia alguém simplesmente se apropria de um espaço público e começa a faturar. Seja no Rio de Janeiro ou em Orocó, o nome disto é extorsão.

Segundo a Wikepedia, “flanelinha é o apelido dado a uma figura popular muito comum nos grandes centros urbanos do Brasil. É um trabalhador da economia informal que ganha dinheiro cuidando dos carros estacionados em vias públicas. Esse dinheiro pode ser conseguido mediante consentimento do motorista ou por coerção.”

Não tenho carro. Quando decidi morar no Rio de Janeiro, coloquei os custos de compra e manutenção de um veículo na ponta do lápis e vi que não valia a pena para o bolso. Nesta cidade até dá para se virar bem de metrô, busão e táxi. Carro faz falta sim, sobretudo nos finais de semana, mas não é razão pra ser infeliz se não se tem um.

Hoje, excepcionalmente, peguei uma carona voltando do centro. O carro da minha amiga estava estacionado na Rua São Bento, sob os cuidados de um “trabalhador da economia informal”. O meu pavor foi ativado na hora. Sei de gente que paga até R$ 130 por mês para flanelinha tomar conta do carro. Óbvio, sem seguro nenhum incluído e sem ter a menor idéia pra onde eles vão levar seu carro quando você entrega a chave na mão deles. E alguns motoristas ainda se sentem na vantagem: “cara, se fosse estacionamento, estaria pagando uns R$ 250″.

Confesso: quando aplicável (quando estou dirigindo no Rio ou em outro estado), acabo pagando também. Mas quero saber quem é que de fato consente por livre e espontânea vontade quando dá dinheiro na mão de flanelinha - a não ser os do Rio Rotativo. Não tem aquele que não se sinta coagido. Sim, acredito que existe flanelinha gente boa, que realmente só está ali por representar todas as mazelas da nossa injusta sociedade, etc. Mas deixe de dar dinheiro e passe as próximas horas tentando desvendar o futuro próximo: “será que vão riscar com chave do lado direito ou esquerdo? Será que vão me poupar algum pneu?”

Não vou me estender sobre o papel do estado, que já tomou medidas para regulamentar a “profissão”, mas que como tantas coisas neste país, ficam empacadas. Mesmo se fosse totalmente regulamentada, me soa extremamente estranho ter que pagar para estacionar em qualquer lugar. Já não bastam o IPVA e todos os impostos embutidos em tudo o que consumimos. Daqui a pouco teremos que pagar para ir à praia: “aê, R$2 pra pegar sol e R$ 3 pra dar um mergulho”.

No fim das contas, todo mundo acaba sendo mesmo camarada, tratando muito bem o flanelinha quando no fundo o que se quer dizer é “amanhã tou de volta pra te dar dinheiro, pra você continuar praticando mais um crime urbano com o qual eu tenho que conviver diariamente e com o qual eu, infelizmente, acabo sendo conivente porque não tenho muita escolha”.

Lagoa Rodrigo de Freitas

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Fogo! Fogo! Fogo!

Ontem, no Maracanã, aconteceu um exemplo do que é uma ótima partida de futebol!
Que M A G A V I L H A !!! 7 gols em 45 minutos. Empate (leia-se cagada) do Vasco no segundo tempo… vai pros pênaltis e é Botafogo na cabeça!

Realmente, passei mal todo o jogo e, principalmente, fiquei com cagaço de ver o meu time entrar para a história do futebol como o time que tomou o milésimo gol do Romário. Felizmente o meu, o seu, o nosso querido Botafogo não tomou o milésimo e jogou pra cara*$%!lho!
E foi muito engraçado ver o Romário no chão cheio de câimbras. HA HA! Pra mim, teve mais encenação do que câimbra mesmo, só pra não bater o pênalti, já que não valeria como o gol nº 1000.

É… já era tempo do Fogão ser motivo de orgulho pros torcedores novamente!

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