Archive for April, 2007

Desbunde do silicone - parte 2

Saiu hoje uma matéria no G1 que complementa, ou melhor, confirma perfeitamente o texto postado aqui dias atrás.

Boa notícia pra quem faz cocô na Barra

rjtv.jpgOs moradores da Barra, Recreio, Jacarepaguá e vizinhanças podem comemorar. Inaugura-se finalmente nesta terça-feira o emissário submarino da Barra. Com quatro anos de atraso em relação à data inicialmente programada, o emissário vai poupar as lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá em cerca de 30% do esgoto produzido, o que equivale a mais ou menos 9.000 litros de dejetos por segundo. A obra vai lançar esgoto tratado a cinco quilômetros da costa e a 45 metros de profundidade. Os primeiros beneficiados serão 180 mil moradores de Jacarepaguá, mas em 2008 — a CEDAE promete — o emissário deve coletar o esgoto de mais 100 mil moradores da Barra da Tijuca. Os habitantes da cidade agradecem.

Pequena fábula de um sapato em fuga

Era um par de sapatos negros estilo boneca anos 40 esperando a próxima rota de fuga. Belos, conseguiam reluzir um verniz infinito em meio à escuridão do brechó ao ar livre onde foram encontrados pela penúltima vez. Eu havia descido na parada errada do metrô: em vez do Catete, a Glória. Ascendi da escada subterrânea para a escuridão das 20h. Prostitutas faziam ponto já na saída. Mendigos, estudantes, senhorinhas de mãos dadas e popozudas com roupa de academia circulavam de um lado para outro das ruas. Eu sentia um certo medo, um desconforto de estar numa região sem intenção certa do que se quer ser: se parada de miseráveis, se bairro familiar.

As calçadas apinhadas de quiquilharias formavam uma colcha de retalhos de objetos que um dia já significaram algo, ou que não significaram nada, para alguém. Tentava identificá-los no chão, mas era difícil à meia luz dos postes. Percebia sombras de telefones antigos, vinis, roupas em varais, carcaças de louças, talheres, dedais, gravadores. Eram objetos velhos, meros cacos de qualquer coisa. Não me falavam absolutamente nada. Seguia caminhando em meio àquele cemitério de coisas até que, poucos metros adiante, os sapatos que me sorriram.

Consegui identificar imediatamente que eram do meu tamanho mesmo antes de calçá-los. Cinderela urbana em segundos, já conseguia visualizar os bailes que rodariam sob meus pés. E custavam R$ 8,00. Apenas oito reais! A decisão de compra foi imediata.

Carreguei os sapatos embaixo do braço num saco plástico de supermercado. Sorria de prazer não apenas pela aquisição, mas por ter descido na parada errada, por ter circulado em meio àquela fauna urbana simultaneamente tão rica de vida e tão decadente, e que jamais escolheria circular não fosse o acaso que me levasse ali. E aqueles sapatos semi-novos, de design e material perfeitos…

Eu nunca tive problema em dormir em colchões usados - confesse se raramente você pensa nisto quando apaga a luz num quarto de hotel após um longo dia de trabalho longe de casa. Ou quando vive intensamente alguma história só sua sobre a cama de um motel. Talvez porque os lençóis do colchão sejam lavados e desinfetados (pelo menos assim tentamos crer), e você só sente o seu suor ou o suor alheio de quem lhe faz companhia. Mas eu ainda conseguia sentir o suor dos pés que calçaram aqueles sapatos, e isto me causava inquietação e fascínio. Impossível não tentar pensar nos pés que os calçaram. Como era a dona? Por que os deixou? Na minha pequena viagem mental eu via um par de brancas canelas grossas, com uma saia bege cobrindo os joelhos. Tentava compor seu guarda-roupa, seu estilo, sua maneira de ser. Me vi aos poucos construindo um alter ego que nascia de baixo para cima: primeiro pés, depois quadris, cintura, pescoço e cabeça.

Não cheguei a construir uma alma, pois a poucos metros a paisagem e o momento mudaram. Entrei numa rua linda, tranqüila e silenciosa, num botequim de muita personalidade, para meu primeiro encontro com os metrobloggers. Entre amigos de décadas e novos amigos que eu só conhecia através das linhas digitais deste espaço, não levou muito para o encontro dar liga. O riso era imperativo entre cervejas, cachaças e ovinhos de páscoa. O bom humor era genuíno e o teor etílico, sob medida e sem exageros, só fez aflorar o melhor de nós.

Despertei na manhã da quarta-feira com uma vontade de comer mais manteiga do que pão. E sairia para trabalhar vestida de Cinderela urbana, orgulhosamente calçando meus sapatos mágicos que ainda sem nem terem me calçado, já me traziam pílulas de plenitude. Fui procurá-los na bagunça das roupas que joguei num canto da sala . Para minha surpresa, não estavam lá. Vasculhei o quarto, a cozinha, o banheiro. Nada. Nem vestígio de um raio sequer de verniz.

Há quase uma semana eles me deixaram. Tenho certeza que não calçam os pés de Dorothy, nem os de Cinderela.Vagam agora em algum lugar do Rio de Janeiro, à procura de outros pés, outras histórias, longe de closets empoeirados e de calçadas escuras. Vagam livres, pois em realidade, nunca foram meus.

Academia da Cachaça

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No Leblon

Tijuca

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Há pouco tempo vi isso na rua Uruguai, na altura da Conde Bonfim.
Curiosa que sou, saltei do ônibus pra ler -minha casa fica a 4 quadras daí.
Achei a melhor descrição que já li do bairro até hoje.
Aldir Blanc perde.
Falo com a propriedade que cabe a mim, nascida & criada por essas bandas.
Brinquei de taco na rua, subi morro pra comprar merda, frequentei terreiro, fiz primeira comunhão, paguei fiado na padaria que tinha do lado do posto, vi minha prima tomar um tiro de bala perdida numa cobertura tijucana na noite de natal, chorei com o trânsito, reclamei dos buracos da Conde de Bonfim, fiquei sem luz mais de 7 horas sendo que a LIGHT é do lado da minha casa, fui pra baile, fui pra clube, fui para o Alto.
A Tijuca é um nada dentro de um tud(b)o.

- e não quero acreditar que vou gastar de outro modo a vida:

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- Vista Chinesa, domingo passado.

Don’t worry, be happy

Fim de noite e uma linda lua cheia num céu estrelado de terça-feira - que já era quarta um bom tempo. Depois de beber na companhia de lindas mulheres e bons camaradas, ouvir ótimas músicas que saíam da jukebox e analisar e ter a certeza de que a loirinha da sinuca era mal amada, é chegada a hora de ir embora.
Quando me divirto, sempre deixo de me preocupar com as coisas e uma dessas preocupações que deixo pra depois é justamente como ir embora. Não me arrependo de ser assim, pois sempre me rende boas histórias e dessa vez não foi diferente.
(more…)

Final do BBB

Ontem foi a final do Big Brother sei lá qual número. Nós, do Rio Metroblog, aproveitamos a lua cheia e fomos parar no Bar do Zé. Ali no Catete - Glória - Lapa. Há quem diga um, há quem diga outro. O bar do Zé é bacana, o seu Zé nem tanto. Entre cervejas infinitas, cachaças diversas, incêndios americanos, sotaques deliciosos, música plural, queijos fedidos, melancias assassinas, milésimo gol, cobiça à roupa de mendigos, fotos divertidas, percebi que meu próprio Big Brother dá de um zilhão a zero no do Bial.

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Ilka e Juliana, as metroblogueiras que assumem que gostam do Grande Irmão e torceram para o Alemão.

5 bandas independentes cariocas

Existem bandas independentes muito boas no Rio de Janeiro.
Abaixo, seguem 5 dicas de bandas criativas cariocas.
Escuta aí, vai!

Os Pazuzus
Benflos
Emily Tries
Binário
Cooper Cobras

Desbunde do silicone

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Dia desses numa academia da Barra, em pleno exercício para os glúteos, sou surpreendida com um diálogo surreal. A posição de todas tornava a conversa ainda mais insólita. O papo era que silicone no peito não está com nada. Agora o hype é silicone na bunda.

A professora de ginástica, muito antenada, solta a pérola: “ah, quem coloca silicone aí atrás tem que andar com carteirinha.” “Carteirinha?!”, questionam as dedicadas alunas, algumas de seios turbinados. “Sim, tem que andar com uma carteirinha de advertência, dizendo que não pode receber injeção ali”, completa a tia.

Depois de muito debate sobre o tema, outra malhadora sabida encerra o assunto com a rima: “Quem tem bunda é só malhar, quem não tem, é chorar”. Ui.

Será que porque o papo é sobre bunda tem que sair tanta merda? No Rio há essa coisa de culto ao corpo em excesso, mas alguns lugares e pessoas ainda conseguem se superar em certos absurdos.

* Sou moradora do Humaitá e trabalho na Barra, por isso malho lá. Minha impressão é que esse tipo de problema piora muito nesse último bairro. Será a geografia?

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