Ensaio para uma volta ou um mini ensaio sobre a loucura

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Fotos: Juliana Moreira

Tou quase um J. Menezes clamando pra não ser eliminada deste espaço. Mas o Rio tem me engolido neste inverno (e sei que você não tem nada a ver com isto, mas que fique aqui registrado o desabafo). Trabalhando até o talo, achando que estou enlouquecendo na correria insólita do mundo corporativo. Mas pensando bem, talvez não seja loucura. Preciso procurar lá pelas quintas do dicionário algum outro termo que traduza melhor esta vida fast-super-acelerada-o-mundo-vai-nos-engolir que vivemos. Ou que vivo. Ainda preciso aprender mais com os budistas, os suecos e as tartarugas.

Mas voltando à loucura: na verdade, dizer que minha vida é loucura é uma atentado à loucura. Loucura ainda carrega qualquer coisa de lírica. E não há nada de lírico numa rotina de prazos absurdos, negociações infindáveis, reuniões intermináveis e nem sempre produtivas (por isto a busca de tantos subterfúgios, por isto querer sempre viver tudo ao mesmo tempo agora para sempre quando voltamos pra casa). A loucura é um refúgio do mundo que não nos compreende. Ou que não queremos compreender porque dói demais.

Copacabana é um lugar repleto de loucuras líricas. Um imenso hospício à beira-mar, salpicado de loucuras literalmente líricas e inspiradoras. Como a do filho de Deus que esconjurava o Diabo, agarrado ao pescoço da estátua de Drummond. Eu vi com estes olhos que a terra há de comer ou que o mar há de salgar. Ele bradava qualquer coisa entre “César Maia toma cuidado!” e “Olha o Satanás!” Falar do demônio é uma forma também de exorcizá-lo. E o coisa-ruim adora que falem dele, nem que nem que seja pra falar mal. E o que César Maia diz disto? E o poeta ali quietinho, mineirinho, com seu coração maior que o mundo, escutando o amigo Raimundo que esbravejava em prosa livre. Uma reza pra Deus e outra pro Cão pra começar o dia e o dia pode acabar bem. Mas isto só o louco iria saber. Eram 7:30 da manhã de segunda-feira e o frio já se anunciava. O louco nem imaginava que por alguns instantes sua loucura foi o meu refúgio.

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A minha loucura lírica (ou barata) do dia: que nos envolvam numa camisa de força transparente, para desfilarmos no Fashion Rio com os mamilos em riste no antártico inverno carioca! E que de cada mamilo pulem rosas pra destruir as balas que continuam a sitiar esta cidade do Alemão ao Leme. Se bem que isto vale mais como frase de efeito que como qualquer outra coisa…

3 Comments so far

  1. LP (unregistered) on June 5th, 2007 @ 1:33 am

    Ju, o capeta tá na cidade, eu sei. Chegou na madrugada de sexta pra sábado. Depois conto essa história. Agora não dá.


  2. lucas (unregistered) on June 5th, 2007 @ 11:19 am

    Lindo o seu texto. Parabéns a todos vocês, o blog está cada vez melhor. Espero que essa loucura seja contagiosa…

    OBS: Com tanta gente escrevendo bem por aí, fico pensando o trabalho que os editores de jornais e revistas devem ter pra encontrar seus “geniais” colunistas.


  3. Cesar Cardoso (unregistered) on June 5th, 2007 @ 12:47 pm

    Tem coisas que só podem acontecer em Copacabana. Porque existe Copacabana e existem os outros bairros pelo Universo afora.



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