Archive for July, 2007

A gente somos inútil

vaias.jpgO Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, condenou ontem o elogio às vaias feito por Robson Caetano, que na festa de encerramento do Pan apoiou o público que vaiou alguns adversários, sobretudo cubanos, argentinos e americanos. Além destes, a galera vaiou ao serem citados os nomes de Lula, que estava ausente, do Governador Sérgio Cabral e do Prefeito César Maia. Foi, no mínimo, uma vaia bem heterodoxa, esta. Antes, na festa de abertura dos jogos, o Presidente Lula já fora estrondosamente vaiado pelo público no Maracanã. Muitos reprovaram os apupos, ou mesmo, tentaram desqualificar os seus autores. Lula ficou muito chateado e depois das vaias no Rio — e da tragédia em Congonhas, principalmente — resolveu viajar pro Nordeste. Para relaxar e gozar, talvez. Foi vaiado lá, igualmente, agora em Sergipe e no Rio Grande do Norte. Ao que tudo indica, além de não saber votar, como disse o Rei Pelé, o brasileiro também não sabe vaiar.

Argumento final sobre o sucesso do PAN

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Não quero alimentar polêmicas sobre a importância ou não do PAN para a cidade — e para o país — e nem quero me indispor com os meus queridos amigos apocalípticos, arautos dos mega-engarrafamentos (que não ocorreram), do fracasso da organização (que não houve), da inutilidade dos jogos (o que é uma grande bobagem) e de outras profecias macabras e mau humoradas, de modo que, ao fim e ao cabo, na minha modesta opinião, mesmo que tudo desse errado nesse evento, as gêmeas cariocas Branca e Beatriz Feres, atletas do nado sincronizado, justificam por si só a realização dos jogos Pan-americanos. Né não?

Reflexões numa Delegacia Legal

angel.jpgHá cerca de vinte dias perdi minha carteira ali no Leme. Pronto. Lá se foram a Identidade, cartões do banco, CPF, Habilitação, anotações, bilhetes de meu pai, uma imagem de Santo Expedito, algumas unhas e bigodes dos meus dois gatos, alguns caraminguás, papéis velhos que nem sei de que se tratavam e uma poesia anotada à lápis faz tempo, aquela onde Drummond diz que amar o perdido deixa confundido este coração. Pois é. Perdi essa tralha toda aí e embora não amasse o meu CPF fiquei com o coração confundido. Entretanto ontem à tarde, sentado em um banco da Delegacia de Polícia na Hilário de Gouveia, aquela do restaurante A Polonesa e da primeira filial do McDonald’s no Brasil (Uau!), bem, sentado ali no banco da Delegacia da Hilário, aguardava meu nome ser chamado, o que para minha surpresa não demorou muito, pois o cana de terno escuro e sapatinho claro anunciou logo Luiz Paulo, gerando a minha pronta resposta, conjuntamente com o outro Luiz Paulo, que levantou-se há três bancos do meu, naquele mesmo local e hora. Mas será o Benedito? Não, era um outro Luiz Paulo mesmo, apanhado, como eu, por alguma agrura da vida e tentando resolver o problema. Pois bem, voltei ao meu banco, pensei na coincidência etc e tal e, na falta de coisa melhor para fazer, comecei a analisar as pessoas em volta. Tentei imaginar em que infortúnios ou enrascadas cada uma daquelas pessoas estava metida. A mulher ao lado que recebia instruções de um aparente advogado. Teria surrupiado o laptop da firma? E aquela mulata que falava com o policial careca? Sofria assédio sexual do patrão? E os três gringos? Ficaram sem a máquina digital?… Subitamente, no meio desses pensamentos ocorreu-me o primeiro insight: aqui dentro, tudo é caso de polícia. Fato. O primeiro insight precipitou o segundo, um pouco mais preocupante: aqui dentro e lá fora, tudo é caso de polícia. Fato, também. Mas, experimente o suflê de chocolate do Polonesa.

Foto: Angel, do artista britânico Marc Quinn

Sob medida

É um sinal dos tempos. Depois do personal trainer e do personal stylish, agora no Rio você também pode ter um:

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Anúncio veiculado no caderno “Boa chance” do jornal O Globo de ontem.

Lucia e a pintura

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Amanhã, terça-feira, 17, às 19h, a minha querida amiga Lucia Laguna promove com o crítico Paulo Sergio Duarte um encontro com o público no Centro Cultural Candido Mendes (Rua Joana Angélica, 63) para falar sobre a sua produção artística. Ela está apresentando na galeria a mostra “Pinturas” composta de dez obras de sua produção mais recente. Lucia foi recentemente agraciada com o Premio Marcantonio Villaça, um dos mais importantes do país. Ela merece. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de julho na Galeria de Arte do CCCM de Ipanema, de 2ª a 6ª feira, das 15h às 21h e sábados, das 16h às 20h, com entrada franca.

PANdemônio – I

A PARTIR DO DIA 13 ESTAMOS EM ESTADO DE EXCEÇÃO!
SÃO PROIBIDAS AGLOMERAÇÕES E QUALQUER UM PODE SER PRESO ATÉ O FIM DO PAN SEM NENHUMA JUSTIFICATIVA!

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“tudo está no mesmo lugar, mas as vezes não vejo”

Santa Teresa me abre as portas e eu passo. Os paralelepípedos comem minha sandália velha. E eu deixei por lá a sola do pé direito. Os gringos me olham profundamente. Olho no olho. As outras línguas talvez leiam dor. E todas aquelas cores me dão uma estranha sensação de paz. Mas a vida vem com seus métodos nada gentis, ele* me disse no livro que eu grifei com marcador fluorescente. O bonde, depois de mim, enguiça a cada curva. E demora. Todas as coisas no momento se resumem em esperas. E todas sem previsão. Sem prazo de fim. Então eu monto alguns sorrisos, de repente a leveza se instaura. Mas as correntes das desventuras são seqüenciais. E vem de assombro. Vem vestida com violência e me persegue. Eu fujo, claro. E atravesso ruas sem perceber. Ontem eu caí numa fuga. No meio de uma pista gigante. Tenho cortes, tenho hematomas e me falta parte de uma unha. Voltei para casa sangrando. Antes uma amiga havia dito: “você anda marchando”. Eu estou em guerra. E tudo parece tão metafórico. Mas é real. Deus, me custa dizer, mas é real. Eu caí. E pensei com força: do chão não passo. Alí, deitada na pista, por uns segundos me vi em slow motion, sabendo que as minhas quedas são sempre grandes. Porque eu sou inteira demais. Mas o sol de ontem aqueceu. E teve brisa, teve céu azul. Algumas verdades se pregam na parede. E eu repito como um mantra: que seja doce, que seja doce. Repito sem posse de causa. Repito porque assim o tempo passa e as coisas ganham outras formas. Minha perna dói. Já se sabe, mesmo salvos, não voltamos das guerras.

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(do ateliê de algum artista de Sta. Teresa, ontem a tarde)

* ele: Gustavo Rios, autor de “O amor é uma coisa feia”.

Ironia

“Sorria, você está na Barra”.

A placa na entrada do bairro já soava irônica para quem é obrigado a fazer o percurso Zona sul/Barra da Tijuca diariamente.

Nas últimas semanas ela ficou ainda mais sarcástica, devido à atualização: “Mais um motivo para sorrir na Barra”, e ao lado a imagem de esportistas com a marca do Pan.

Deve ser porque o trânsito vai ficar ainda mais caótico e o percurso trabalho/casa, um inferno, não é? Já estamos sorrindo só de pensar.

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