E tome bala
Essa semana uma amiga e vizinha que mora numa pacata rua do Humaitá, com ares interioranos, teve sua casa atingida por uma bala perdida. O buraco na parede e a pergunta no ar: será que veio do Dona Marta? Pouco importa se o tiro quase foi na sua cabeça.
Aí lembrei, essa semana também completa um ano que, numa festa de aniversário de outra amiga, na laje de Santa Teresa, assistimos a uma saraivada de balas de AR-15. Luzinhas vermelhas voando de um lado para o outro. Um espetáculo até bonito, se desconhecessemos o fato de que aquilo era tiro e iria estacionar em algum lugar.
O que isso tem de novidade aqui no Rio? Nada. Fatos assim já até viraram paisagem no jornal. Mas quando sentimos o furo muito perto da gente, a notícia parece palpável e assustadoramente real.
O TV Pirata já escrachava com essa situação do Rio ainda nos anos 80.



Eram quase dez horas da noite de sexta-feira quando subiram à bordo do ônibus a mulher-estátua, o seu marido e a filha. A mulher-estátua sentou num banco ao lado com a filha. O marido da mulher-estátua sentou logo atrás delas. A mulher-estátua era uma nordestina de estatura baixa e trajava um vestido longo prateado que cobria quase todo o seu corpo prateado. Usava uma peruca prateada em tranças, sandálias também prateadas e parecia muito cansada. Os passageiros fingiram um certo descaso mas logo um cara sentado num banco próximo puxou assunto e perguntou se era fácil limpar aquela tinta. Ela disse que sim. Mas não ficam manchas? Não, sai tudo com água e sabão de côco, respondeu a mulher-estátua, um pouco constrangida. Eu que estava ali fazendo aquela cara de ‘tudo bem, por aqui tudo é normal, até andar de ônibus com estátua’ me animei e perguntei que tinta era aquela. Vicio da profissão. Glicerina com pigmento, respondeu sorrindo. Ah… legal. O marido da mulher-estátua me explicou que ela tinha saido do seu ponto e lá tinha deixado uma outra mulher-estátua, pois que se tratava de uma equipe de mulheres-estátuas, com turnos e pontos pré-estabelecidos. Ha-ha-ha… disse eu. Não perguntei sobre o faturamento por razões óbvias mas esta semana, coincidentemente, vi uma reportagem na TV em que um homem-estátua afirmava arrecadar a quantia de seis reais por dia. Já que estou numa fase matemática, vamos lá. Considerando um turno de seis dias de trabalho por semana isso dá um total de exatos 144 reais por mês. Brutos, sem considerar a grana do almoço e da passagem. É… Lá em Brasilia tem muita gente brincando de estátua, há um tempão, e olha que lá eles tão ganhando uma baba.
A redundância pleonástica é justificável por se tratar do nome de um bar localizado em Lisboa, Portugal. Há algum tempo, já, foi lançada uma edição 