E tome bala
Essa semana uma amiga e vizinha que mora numa pacata rua do Humaitá, com ares interioranos, teve sua casa atingida por uma bala perdida. O buraco na parede e a pergunta no ar: será que veio do Dona Marta? Pouco importa se o tiro quase foi na sua cabeça.
Aí lembrei, essa semana também completa um ano que, numa festa de aniversário de outra amiga, na laje de Santa Teresa, assistimos a uma saraivada de balas de AR-15. Luzinhas vermelhas voando de um lado para o outro. Um espetáculo até bonito, se desconhecessemos o fato de que aquilo era tiro e iria estacionar em algum lugar.
O que isso tem de novidade aqui no Rio? Nada. Fatos assim já até viraram paisagem no jornal. Mas quando sentimos o furo muito perto da gente, a notícia parece palpável e assustadoramente real.
O TV Pirata já escrachava com essa situação do Rio ainda nos anos 80.
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Parece que em relação a esse tipo de bala não há nenhuma proibição ao uso…
“Cidade calamitosa/ quase guerra civil/ Cidade Calamitosa/ da escopeta e do fuzil”
Esse é dos cassetas em meados dos anos 90.
Há mais de vinte anos a gente vive essa coisa toda. E só piora. Fico pensando como pode ser tão difícil resolver…
As pessoas repetem pra si mesmas que não tem jeito. É claro que a criminalidade está ligada ao processo de urbanização, à pobreza etc. Mas é só olhar pro resto do mundo pra gente perceber que não há nada que justifique a manutenção por tanto tempo desse estado de coisas.
Enquanto a política de segurança for a do apartheid, da tortura e dos caveirões, certamente não teremos solução.