Archive for September, 2007

O novo hit da UERJ – a carta do suicida

(more…)

Ro.JPG
(more…)

O Segredo do Sol

Às oito horas, em ponto, a Rádio Saara toca o Hino Nacional. Qual o endereço das Casas Pedro? Atrasado. A cabeça ainda carrega os copos largados pela metade. Cada cantinho macio ou não parece uma cama. O sapato apressado: Tec-toc. Cadê o crachá?

Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para salvar o mundo.

Vinte e quatro anos. Mês que vem. Tão cedo. Nessa idade as pessoas ainda deviam sonhar. Boa parte das que amava está morta. Os outros vão morrer mais cedo ou mais tarde. Mais cedo. Ele também. O fígado já reclama aposentadoria. Mais trinta anos? Profissão errada. Úlcera certa.

Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para expulsar os demônios.

Vinte e quatro anos. Ele já sabe que não será presidente da república, artista famoso, jogador de futebol. A coluna já dói. O fôlego diminui. Talvez tenha sido. O quê? Só talvez mesmo. Mas continua. Até que.

Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso por que não pode parar.

Vinte e quatro anos. Vinte e quatro horas para o fim-de-semana. Fds. Foda-se a folha de ponto. O Estado deveria garantir uma vida sexual decente a todos os cidadãos. Praça Tiradentes? É privada. O trabalho é público. Mas no sebo da praça há línguas estranhas.

Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para vender chapéus.

Vinte e quatro anos. Trezentos e sessenta graus: o cara do chapéu em cima do viaduto. A catedral. O sol se pondo. O retorno. A cabeça querendo cair do pescoço. Queria perguntar por que ele sempre faz aquilo.

Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Faz isso para pedir perdão.

Vinte e quatro anos. Tanto desejo. E ele só precisava de um chapéu. Ali se vende de tudo. Talvez ainda encontre o que perdeu. Talvez ainda haja esperança entre as canetas chinesas. Um chapéu. Atrasado?

Todos os dias ele toma nas mãos seu velho chapéu de palha e gira continuamente sob o sol. Só revelará a verdade no dia do último eclipse.

Às oito horas, em ponto, a Rádio Saara toca o Hino Nacional.

Um salto para a liberdade

(more…)

A cidade holográfica

(more…)

A boa de hoje

mad.jpg

É sair correndo de casa, agora, e ouvir a bela Madeleine Peyroux que se apresenta no Municipal — deixa de ser pão duro — com o show Half of The Perfect World, entoando sua doce voz à Billie Holiday e apresentando repertório que vai de Leonard Cohen, Tom Waits e Joni Mitchell. Dica para os machos: aproveita que hoje é Dia da Secretária e leva ela lá. Depois do show, quem sabe, pede pra ela te levar no Buraco da Lacraia. Tudo a ver. O show da cantora anglo-francesa acontece no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, hoje, às 20:30h. Fui.

Nome Próprio

Pra quem ainda não se deu conta, estamos em pleno Festival de Cinema do Rio. Comecei minha incursão no evento pela pré-estréia do filme “Nome Próprio”, de diretor Murilo Salles. Seguindo o exemplo do Elton, direi o que achei do filme, mesmo sem ninguém perguntar.

A sinopse do filme fala de uma jovem que sonha em ser escritora blah blah blah. O que não está na sinopse do site do festival é que o filme é baseado nos livros e blogs da escritora gaúcha Clarah Averbuck, uma das primeiras blogueiras nacionais a ser reconhecida no “mainstream”. Então, se não me engano, é o primeiro longa nacional inspirado em blogs.

Justamente essa peculiaridade da linguagem dos blogs é que é o grande barato da coisa. Leandra Leal, numa puta interpretação, encarna totalmente o exibicionismo da personagem Camila, virando-se do avesso nos textos e na nudez física e moral. Por falar nisso, o texto talvez seja a maior virtude da obra. Os diálogos são incríveis.

Então “Nome Próprio” é um filme com uma linguagem inovadora, excelente texto, e uma grande atriz no papel principal. Mas, infelizmente, o restante do elenco não é lá essas coisas, o que causa um contraste bastante incômodo. Além disso, acho que mais de duas horas de crises de solidão, nudez, sexo e palavrões cansa um pouco, o que prejudica a intensidade das cenas mais importantes. Mas baixo orçamento é isso aí, né? De qualquer forma é incrível levar às telas a linguagem do “diário indiscreto”.

Só mais uma coisa: a cena de sexo com Camila e o rapaz de Ribeirão Preto já vale a ida ao cinema.

Existe um blog do filme, nomepropriofilme.blogspot.com, e os horários e salas de exibição podem ser encontrados no site do festival.

Cuidado com o Adilson!

chat2.jpg

chat1.jpg

O que não ficou claro, entretanto, é se o motorista aproveitador é o tal batista que tem 22 anos e estava na madrugada de ontem no Bar O Pibel, “prossimo” à Voluntários da Pátria. De qualquer modo, o seguro morreu de velho, vou recomendar expressamente à minha mãe que evite pegar o ônibus da linha 754 — Sulacap x Barra da Tijuca — e que, de forma alguma, vá tomar umas cervejas ali no Pibel, em Botafogo.

Pensei em começar com um poema

rio de
alegria e nervoso
e rio do maravilhoso
mar
que me recebe
de manhã cedo
(enquanto já rio de medo)
e sei que não há nada
que me impeça
de rir bem
longe (e rir à beça)
no ano que vem
mas, quando
o ano que vem (re)começa,
me reinvento inteiro:
rio mais do que aguento,
rio do sofrimento,
mas rio de janeiro

Podrão

Podrão é uma gíria carioca para um tipo específico de cachorro-quente feito em carrocinhas de vendedores ambulantes.
O termo, aumentativo de “podre”, deriva da má reputação de alguns destes vendedores, que usariam ingredientes de procedência pouco confiável e às vezes fora da validade. Além disso, as condições de higiene dos ambulantes nem sempre são submetidas à fiscalização da Vigilância Sanitária e em certos casos podem de fato disseminar doenças ou causar problemas digestivos.

(texo extraído da Wikipédia)

Sempre fui fã dos podrões, fã do Bob’s de madrugada (aqui na Tijuca ainda rola o Drive Thru). Mas de ums tempos pra cá, tenho me viciado num podrão diferente. Yaksoba. SIM. Yaksoba. Em plena Praça Saens Peña, um chinês, cujo apelido óbvio é “Chino”, monta sua barraca, quase todo dia, menos domingo e prepara na hora o tal famoso prato chinês: macarrão com repolho, cebola, cenoura, carne e muito molho shoyo. O preço? Inacreditáveis TRÊS E SETENTA. Sim. Uma delícia e baratinho. Tem um outro prato mais caro e mais cheio, claro. Mas o baratinho já mata a fome legal. Outro dia, depois de uma enoooorme fila, me flagrei imaginando quanta grana ele deve estar ganhando e o que ele vai fazer com ela. Visitar parentes na China? Comprar uma casa na Tijuca? Na minha vez, fiz o pedido e perguntei: “Há quanto tempo você mora aqui?”

Tlês anos.

Mas ele era tão concentrado que fiquei tímida de perguntar se morava sozinho, se sentia saudades da China. Sou muito curiosa. Besteira. Devo apenas comer o yaksoba. The lícia. Recomendo.

Terms of use | Privacy Policy | Content: Creative Commons | Site and Design © 2009 | Metroblogging ® and Metblogs ® are registered trademarks of Bode Media, Inc.